ANDRÉ BARROS -
Pensando em comprar sementes pela internet? Melhor tomar cuidado.
Entenda como a Polícia Federal está intimando usuários com o motivo de
apurar possíveis casos de tráfico de drogas.
Em maio e junho deste ano, muitas pessoas foram intimadas no Rio de
Janeiro pela Polícia Federal. Nas conversas dos corredores, cheguei a
ouvir que foram realizadas 2500 apreensões de lotes de semente pelo
correio no Brasil. Num único dia, 60 pessoas foram ouvidas na
Corregedoria da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Todas compraram
sementes de maconha em diversos sites internacionais com seus próprios
cartões de crédito nos seus endereços.
Ouvindo algumas pessoas na sala de espera, fiquei impressionado com
número de histórias de uso medicinal da planta para hipertensão arterial
(pressão alta), estresse, câncer. A maioria se arrependeu e não
realizou novas compras depois que souberam das sementes apreendidas. Já
haviam esquecido de compras realizadas há dois anos. E agora, a Polícia
Federal do Paraná, estado por onde chegam as sementes que são
apreendidas, resolveu instaurar inquérito para cada lote de semente
importada para apurar possível “tráfico de drogas”. Para cada inquérito
instaurado para plantadores de fora do Paraná, é expedida uma carta
precatória para a Polícia Federal do local do endereço do comprador a
fim de colher o seu depoimento.
Muitos desses compradores queriam plantar pequena quantidade para uso
próprio para fins medicinais. Pessoas que não aguentam mais tomar
remédios que agridem seriamente o organismo, as deixam completamente
derrubadas, sem condições de fazer nada. Buscam na maconha uma
alternativa natural, mais saudável, e que permite a pessoa continuar
trabalhando e viver uma vida normal. Pessoas adultas, identificadas
civelmente, com trabalho, renda e residência fixa, que conheceram os
benefícios medicinais da maconha através do debate internacional do
tema, do debate no país a partir das marchas da maconha e da decisão do
Supremo Tribunal Federal na Ação de Descumprimento de Preceito
Fundamental nº 187.
As sementes são compradas em sites internacionais, em regra, com
cartão de crédito, com todos os ingredientes do mercado. Ingenuamente, a
maioria das pessoas acompanha o debate internacional e acham que o
Brasil está na mesma onda mundial da legalização. Aqui, com a eleição de
um Congresso reacionário e punitivo, se conseguirmos manter as
conquistas, impedir o retrocesso e descriminalizar com a decisão do STF
no Recurso Extraordinário nº 635659, já será uma grande vitória.



