CARLOS CHAGAS -
Esta semana as bancadas do PT no Senado, primeiro, e na Câmara,
depois, solidarizam-se formalmente com as críticas do Lula ao governo e
ao próprio partido. Esse posicionamento não deixa dúvidas, pois
acopla-se ao sentimento da imensa maioria das bases petistas.
Traduzindo: a presidente Dilma está num mato sem cachorro. Sozinha, à
exceção de alguns ministros palacianos, ainda que nem todos.
Madame só tem uma saída: penitenciar-se, mudar o rumo de sua
administração e aguardar que o antecessor venha a Brasília ou a convoque
a São Paulo para assinar a capitulação.
Parece evidente que o Lula manobra para voltar a enquadrar o PT.
Jamais perdeu sua liderança, mas andava escanteado pelo grupo reunido em
torno da sucessora. Talvez por ela mesmo, logo depois da reeleição. Não
há outra explicação para o governo ter assumido explicitamente o modelo
neoliberal de cortes orçamentários em setores essenciais como educação e
saúde, redução de direitos trabalhistas, compressão de salários e
aposentadorias e aumento de juros. Tudo aquilo que o PT rejeitava
historicamente.
Foi quando o primeiro companheiro aproveitou a oportunidade para
ressurgir e empalmar outra vez o comando absoluto. Indaga-se da hipótese
de Dilma oferecer resistência, mas se tentar, mesmo dispondo da caneta e
do Diário Oficial, mais ficará pendurada no pincel, sem escada. Talvez
demore para retificar as linhas base de seu governo, bem como as pessoas
que gravitam ao seu redor. Mas sabe ser inevitável a mudança. A sombra
de um improvável impeachment anda longe, mas pode ser mais visualizada
hoje do que ontem. Para afastá-la por inteiro, só o Lula...



