11.10.15

TODO O PODER AO JUDICIÁRIO

CARLOS CHAGAS -

Renunciar, ele não vai. Nem à presidência da Câmara nem ao mandato. Não há instrumento jurídico no regimento interno para proporcionar seu imediato afastamento da direção dos trabalhos, à exceção da renúncia.  A cassação, pela via do Conselho de Ética, é demorada. Sendo assim, só existe uma saída para os que querem imediatamente ver Eduardo Cunha pelas costas: a condenação dele pelo Supremo Tribunal Federal como incurso num dos crimes ligados à Operação Lava Jato. Seria automática a perda do mandato, ainda que  também levasse tempo. Depois da denúncia pelo Procurador Geral da Republica, se aceita, seguir-se-á um processo onde o direito de defesa prevalece. Precisará ser provado o recebimento de propina saída de contratos da Petrobrás e a participação do deputado nos negócios  podres celebrados pela empresa. Sendo assim, prevê-se  a permanência do personagem na chefia da mesa da Câmara até o final do período para o qual foi eleito, no final do próximo ano.

A pergunta que se faz é dupla:  o Legislativo aguenta o monumental  desgaste? Eduardo Cunha utilizará os mecanismos a seu dispor para promover o processo de impeachment contra a presidente Dilma, combatendo um escândalo com outro?

Para a nação, o descrédito nas instituições. Para o cidadão comum,  a impressão de que governantes, políticos, empresários e altos  funcionários públicos chafurdam-se na mesma lama, realidade certamente exagerada mas impossível de ser evitada.

Já foi dito mas vale ser repetido: só a união nacional funcionaria como antídoto para tanta lambança, mas como promovê-la se inexistem entidades em condições para tanto?  Não será através de partidos políticos que chegaremos lá. Nem por meio de sindicatos, corporações, associações de classe, religiões e sucedâneos. Sobra o Judiciário, apesar de seu ritmo e até de seus vícios. Nos idos de 1945, com a ditadura do Estado Novo posta em frangalhos e novos ventos varrendo o planeta, mais do  que um slogan, surgiu uma solução: “todo o poder ao Judiciário”. Era a tábua de salvação para aquele momento. Quem sabe voltará  a ser?

MAIS UMA GAFE

Não dá para contar o número de gafes que Madame vem fornecendo. Esta semana as redes sociais estão  distribuindo aos montes a gravação de discurso por ela pronunciado nas Nações Unidas, quando sugeriu que o vento deveria ser engarrafado. Pois tem outra, aliás mais grave. Acusou as oposições de tramarem um golpe democrático entre aspas, à maneira do que fizeram no Paraguai.  Isso  num momento em que muitas empresas brasileiras cruzam a fronteira em busca de melhores negócios. O governo paraguaio  não  reagiu, talvez por educação ou por interesse.  Mas poderia...