15.10.15

ESTRATÉGIA CONSEGUE BARRAR IMPEACHMENT. GENERAL VILLAS BOAS VÊ RISCO DE CRISE SOCIAL

ALCYR CAVALCANTI -

Nunca se conspirou tanto em Brasília como nas últimas semanas. O centro das atenções tem sido o presidente da Câmara Eduardo Cunha, que disse que vai ficar até o fim. Não vai renunciar. O interessante é que a presidente Dilma disse a mesma coisa, em outro contexto. Em matéria da Folha de São Paulo de 14/10 o comandante do Exército general Villas Boas admite que estamos vivendo uma crise de natureza política, econômica, ética muito séria, e que ela pode se transformar em uma crise social. O pronunciamento foi feito para oficiais da reserva, em videoconferência.

A estratégia montada pela força-tarefa em defesa da presidente Dilma Roussef funcionou, ao menos provisoriamente. Liminar concedida pelos ministros Teori Zavascki e Rosa Weber impedem que o presidente da Câmara Eduardo Cunha inicie a tramitação do processo de pedido de impeachment e suspende temporariamente o poder de Eduardo Cunha. A presidente Dilma Roussef desistiu de viajar no feriado e contratou uma equipe de advogados para por em pratica uma estratégia de defesa para barrar o processo de impeachment que ameaça seu mandato. Os advogados Flavio Caetano, Celso Bandeira de Mello e Dalmo Dallari preparam documento de defesa para tentar barrar o pedido de impeachment que poderá ocorrer na terça feira durante os trabalhos, principalmente após a rejeição por unanimidade (8X0) das contas da presidente no TCU, as "pedaladas fiscais".

O parecer feito pelos juristas Celso Bandeira de Mello e Fabio Comparato contesta os argumentos contra a presidente baseado nas contas de Dilma  no TCU. O planalto teme que o presidente da Câmara Eduardo Cunha acuado e sendo alvo de sucessivas acusações de contas secretas na Suíça e temendo perder o mandato, aceite o pedido de abertura do processo contra a presidente Dilma como retaliação. O procurador-geral da República Rodrigo Janot deve nos próximos dias denunciar formalmente Eduardo Cunha e pedir sua prisão preventiva. A esperança do governo é Renan Calheiros, presidente do Senado que depois de sucessivas reuniões se tornou o mais fiel aliado de Dilma Roussef, e vai defende-la até o fim.   A semana decisiva que se inicia terça feira, após o feriadão vai tirar o sono dos políticos em Brasília, em um embate que pode mudar os destinos do país. Fica uma pergunta no ar: "Quem vai cair primeiro, Cunha ou Dilma?", ou os dois irão para a rua da amargura? Mas como no país do simulacro tudo é possível, pode ser que os dois continuem alegres e faceiros durante mais alguns anos e tudo continue como está.