15.10.15

DIA DO PROFESSOR. O QUE ELE TEM PARA COMEMORAR?

DANIELA ABREU -


15 de Outubro de 1827 o Imperador Pedro I baixou um Decreto que criava o Ensino Elementar no Brasil. A partir desse decreto falava da descentralização do ensino, currículo e o salário dos professores. Somente após 120 anos do decreto que ocorreu a primeira comemoração dedicada ao professor.

A história do professor no Brasil é a memória de grande disputa ideológica muitos pensadores e inúmeras experiências, mas acima de tudo de muita luta e resistência. A hegemonia do neoliberalismo dilacerou as instituições públicas de ensino. Compreender que a crise na educação, não é incompetência mais é projeto. Sucatear as estruturas, retirar condição de trabalho e salários baixos já são suficientes para a péssima qualidade do ensino. Remunerar mal um professor é a garantia de precarização da educação.

Com salários baixos os professores são obrigados a trabalhar em três, quatro ou mais escolas, exposto ao um desgaste extremo. Muitos não terão planos de saúde, pegaram mais de três transportes, ou pegarão muito trânsito. Viveram cansados, estressados e poderão desenvolver muitas síndromes, depressão e dores.

Em 2012 a OCDE (Organização para a Cooperação Desenvolvimento Econômico) divulgou a situação dos salários dos professores de muitos países, os brasileiros são extremamente baixos, visto como um dos piores do mundo. Entre os países mapeados pela pesquisa, o Brasil só ficou à frente da Indonésia, onde os professores recebem cerca de 1.560 dólares por ano.

No Brasil enquanto um professor em início de carreira que dá aula para o ensino fundamental em instituições públicas recebe, em média, 10.375 dólares por ano, em Luxemburgo é de 66.085 dólares. Entre os países membros da OCDE, a média salarial é de 29.411 dólares. Quase três vezes mais que o salário brasileiro.

Mesmo quando consideramos a América Latina como Chile e México, os professores recebem um salário consideravelmente maior que o brasileiro, 17.770 e 15.556 dólares.

Hoje parte significativa da verba para educação pública não é destinada a estrutura, condições de trabalho, valorização salarial, mas escoa diretamente para empresas privadas. Apolítica neoliberal é agressiva e ao mesmo tempo subterrânea ela institucionaliza a meritocracia e a privatização.

Encontramos em todos os estados e municípios essa política, em cada um entrou em uma época e atravessa uma fase diferente de implementação, e o programa Pátria Educadora é criado para a construção de uma rede de controle desta política em todas as instituições de ensino.

Na cidade do Rio de Janeiro muitas empresas recebem verba pública da educação, entre elas três fazem parte do esquema da Lava Jato e a Home e Bread é investigada pelo STF, Ministério Público Estadual e Tribunal de contas do Estado, por motivos de irregularidades e superfaturamento  na entrega de alimentos para merenda escolar. Empresas como a Fundação Roberto Marinho recebem de redes variadas de ensino, uma parceria que domina as escolas brasileiras. A privatização afeta também a autonomia pedagógica, no caso dos professores de inglês que são obrigados a usar material da Cultura Inglesa e aplicar a prova da cultura e da Consulplan Consultoria, contratada para elaboração de provas.

A política de metas necessita de diretores escolares subservientes para que estes funcionem como gerentes do espaço escolar, sem nenhum compromisso com a educação de qualidade. Exigir o curso para participar de uma falsa eleição é fundamental para a garantia desse gestor, uma eleição o comprometeria com a comunidade escolar, tornando um dirigente dessa comunidade.

No Estado do Rio de Janeiro a Secretaria de Educação criou uma central de fiscalização, que além de puxar a orelha dos professores que dão notas vermelhas, não fazem recuperação para toda prova e trabalho, indica mecanismo para que esses dados fiquem escamoteados. A única coisa que interessa são os resultados, professores e alunos mecanizados.

Nesses últimos anos a resistência contra esse projeto tem crescido e se revelado em greves e muitas manifestações. As jornadas de junho de 2013 deixaram de legado a luta pela educação. Logo após surge a greve Histórica do Município do Rio, marcada por uma adesão de 80% durante dois meses, e massivos atos e assembleias.

Este ano as greves explodiram por todo país, embora o estopim para as universidades públicas seja o corte de nove bilhões da educação brasileira, o desgaste com o programa meritocrático e privatista tem chegado no limite do suportável.

No Paraná a conjuntura foi muito parecida com a greve de 2013 da rede municipal do Rio de Janeiro. Profissionais de ensino lutavam também por um plano de carreira que os valorizasse de fato e foram rechaçados com a mesma truculência.

A resistência e a luta dos professores se dá em todos os vertentes da educação, ideológica, política, pedagógica e econômica. Segundo Paulo Freire a educação sozinha não é capaz de transformar a sociedade, mas sem ela tão pouco ela se transformará.

Valorizar o professor é valorizar todos os cidadãos formados por esses senhores e senhoras.

Hoje nossos aplausos...