Via Agência Estado -
Operador da Odebrecht aparece em lista vermelha, alerta máximo.
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| Em fevereiro, o doleiro disse que estava morando na Suíça (Foto: Interpol). |
O nome do doleiro Bernardo Freiburghaus, investigado pela Operação
Lava Jato, foi incluído na difusão vermelha da Interpol, a Polícia
Internacional que mantém representação em 181 países. A lista vermelha é
o alerta máximo da Interpol e limita os deslocamentos do alvo. Se
ingressar em território que integra a comunidade policial, ele pode ser
imediatamente detido.
“O Bernardo, durante a Operação Lava Jato, para nós ficou bem
caracterizado que ele deixou o País em função disso, cortou seus laços
aqui, contas bancárias aqui, foi para a Suíça e se fixou na Suíça. Na
sequência, comunicou à Receita Federal que seu domicílio passava a ser a
Suíça”, afirmou o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula em
entrevista na manhã desta sexta-feira, 19, após a deflagração da 14ª
fase da Operação Lava Jato. Segundo ele, o doleiro é considerado
foragido.
Freiburghaus foi um dos alvos da nova fase da Lava Jato, batizada de
Operação My Way, que mirou operadora de propinas, e deflagrada no dia 5
de fevereiro. O doleiro foi um dos investigados que teve mandado de
condução coercitiva decretado pela Justiça Federal. A Polícia Federal
esteve nos endereços indicados nos mandatos, mas não encontrou o doleiro
nem sua empresa.
“Em relação à empresa Odebrecht, o operador desde muito já é
identificado, é o Bernardo Freiburghaus. Infelizmente, ele saiu do País e
se encontra na Suíça. Não houve tempo hábil para que as investigações
chegassem ao nome dele antes de ele sair do País”, afirmou o procurador
Carlos Fernando Lima, da força-tarefa da Lava Jato, operação que
investiga um esquema de corrupção e propinas instalado na Petrobrás.
“Nós temos profissionais no Brasil, hoje, de lavagem de dinheiro.
Pessoas que oferecem esses serviços. Nós temos diversas empresas e essas
empresas têm suas pessoas de confiança. Podemos dizer que Bernardo
Freibughaus fazia esse trabalho para a Odebrecht. Assim como o Alberto
Youssef fazia para a Camargo Corrêa. Ou o Fernando Baiano faz para a
Andrade Gutierrez. Isso é uma questão pura e simples negocial, mesmo no
mundo do crime, é uma questão pura e simples de negócio.”
O doleiro é dono da empresa Diagonal Investimentos, com sede do Rio.
Na petição entregue à Polícia Federal no dia 13 de fevereiro e anexada
aos autos da Lava Jato,a defesa do doleiro havia informado que ele
morava em Genebra, na Suíça, e iria demonstrar “oportunamente que
nenhuma ilegalidade praticou”.
“O operador por ela (Odebrecht) contratado para o repasse da propina e
lavagem de dinheiro, Bernardo Schiller Freiburghaus, destruía as provas
das movimentações das contas no exterior tão logo efetuadas e, já no
curso das investigações, deixou o Brasil, refugiando-se no exterior, com
isso, prejudicando a investigação em relação as condutas que teria
praticado para a Odebrecht”, afirmou Moro, em decisão que decretou a
prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez e mais 10
executivos.
No fim de fevereiro deste ano, Freibughaus estava vivendo em um dos
endereços de maior prestígio de Genebra, perto dos bancos J. Safra,
HSBC, Citibank ou Credit Suisse e às margens do Rio Ródano. Segundo a
imobiliária Grange, que se ocupa do apartamento do operador, o endereço
estava avaliado em 3,5 milhões de francos, cerca de R$ 10,6 milhões.
O endereço de Genebra aparece em carta assinada por sua advogada,
Fernanda Silva Telles, endereçada à Polícia Federal do Paraná. No
documento, Freiburghaus se apresenta como “suíço”, “economista” e
“residente e domiciliado” no país europeu.
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