EMANUEL CANCELLA -
A
esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato,
advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo. A
denúncia foi publicada no Wikipedia.
O fato já seria suficiente para
inviabilizar a participação do juiz Moro no processo que apura a
corrupção na Petrobrás (Operação Lava Jato). O Código de Processo Civil,
em seu artigo 134, manda arguir o impedimento e a suspeição do juiz: “
IV- Quando nele estiver como advogado da parte o seu cônjuge ou qualquer
parente seu, consanguínio ou afim, em linha reta: ou na linha colateral
até o segundo grau”.
Mais
claro impossível. Ora, quem são os principais interessados na Operação
Lava Jato, que afeta diretamente a Petrobrás? O PSDB e as multinacionais
do petróleo, clientes da mulher de Moro! São eles os grandes
beneficiados com essa Operação.
Na
véspera da eleição presidencial, a Revista Veja estampou uma foto da
então candidata Dilma, afirmando: “Dilma e Lula sabiam da corrupção na
Petrobras”. A TV Globo repercutiu no Jornal Nacional. A capa da Veja –
um panfleto pró Aécio – e o noticiário da emissora de maior audiência
(ainda que decadente) manipularam até o final e certamente conseguiram
arrancar alguns milhões de votos da presidenta, embora não o suficiente
para derrotá-la.
Depois
do estrago causado, a farsa montada pela Veja e pela Globo foi
desmentida. O próprio advogado do doleiro Alberto Youssef (suposto
delator) assegurou que “o seu cliente não fez declaração alguma
envolvendo os nomes de Lula e Dilma”. Quem provavelmente “sabia” da
manipulação montada, era o juiz Sérgio Moro.
Quem julga os representantes do Judiciário?
Se
há uma instituição que se coloca acima do bem e do mal é o Judiciário
brasileiro. Além dos políticos corruptos, deveriam existir mecanismos
que punissem exemplarmente:
1)Os juízes que acusam sem provas; 2)
Os juízes que se apossam dos bens alheios; 3) Juízes que, barrados em
operação no trânsito por uso abusivo de álcool ao volante, agem como se
fossem deuses, processando e condenando a guarda do trânsito por
“desacato”; 4) Juízes que sentam em cima dos processos de interesse da
sociedade, como o mensalão dos tucanos e o financiamento privados de
campanhas eleitorais; 5) Juízes que são donos de salários e benesses
que afrontam a maioria do povo; 6) Juízes que matam e, quando punidos,
tem como pena máxima uma polpuda aposentadoria compulsória.
Parcialidade e blindagens se revelam como um novo escândalo
A
sociedade não deve nenhum respeito a um juiz que extrapola suas funções
e, sem nenhuma base jurídica, destrata a autoridade máxima do país. É o
que aconteceu no segundo turno das eleições presidenciais, quando foram
veiculadas as acusações – depois desmentidas. Por esse fato, o juiz
Sérgio Moro deveria se desculpar publicamente.
Por
mais que os brasileiros queiram ver na cadeia corruptos e corruptores -
também me incluo entre os indignados - não é possível aceitar que a
Justiça tenha dois pesos e duas medidas. O juiz Sérgio Moro mantém preso
o tesoureiro do PT, mas não mandou prender os tesoureiros dos demais
partidos citados em delação premiada, dentro da mesma operação, dentre
os quais havia políticos do PSDB, PMDB, PP e outros. O tesoureiro do
PSDB, Marcio Fortes, que foi tesoureiro de campanha de FHC e de José
Serra, além do envolvido com o PSDB na Lava Jato é titular de conta para
lavagem de dinheiro no HSBC da Suíça. Mas continua solto.
A
parcialidade de muitos juízes se revela como um novo escândalo, tão
grande quanto aqueles que apuram. Pior é a blindagem de personagens,
como o atual presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. Será ele
refém ou artífice de um projeto conservador em andamento que pratica uma
verdadeira devassa, derrubando conquistas históricas da sociedade civil
e dos trabalhadores?
Por
que não são investigados e punidos os empresários de comunicação que
falam e escrevem o que bem entendem, contra tudo e contra todos, sem
nenhuma regulamentação? Por que esses escândalos não têm a mesma
repercussão na mídia? O que se diz é que órgãos de comunicação também
estariam envolvidos em escândalos bilionários, como o Swisslaikes,
Zelotes e Transalão.
A lei determina que TODOS os
envolvidos em corrupção, corruptos e corruptores, depois da ampla
defesa e, se condenados, sejam presos e os bens adquiridos por meio da
corrupção sejam ressarcidos. Mas a regra deveria valer para todos os
partidos!
A
TV Globo deu ao juiz Sérgio Moro o título de personalidade do ano. A TV
Globo apoiou e cresceu à sombra da ditadura, foi contra as eleições
diretas e, no governo de FHC, na década de 1990, fez campanha pela
privatização da Petrobrás, comparando a estatal a um paquiderme e
chamando os petroleiros de marajás.
A
Globo e o PSDB sempre defenderam a privatização da Petrobrás. O seu
projeto de país tem sido derrotado nas urnas. Mas, por vias transversas
,está sendo retomado. É o que aponta o projeto do senador do José Serra
que retira a Petrobrás como operadora única do pré-sal e acaba com o
regime de partilha, retornando ao pior modelo, que é o de concessão,
instituído em 1997 pelo entreguista FHC.
Como
funcionário da Petrobrás e brasileiro não posso aceitar calado essa
tramóia contra a empresa que é o maior patrimônio da nação e a única que
pode pagar a dívida social que temos com nosso povo. A sociedade não
pode permitir que a Globo e o PSDB destruam a Petrobrás.
* Emanuel
Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de
Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).



