Por FÁBIO GÓIS - Via Congresso em Foco -
Segundo a Polícia Federal, o senador
Lindbergh Farias e o deputado Luiz Sérgio, ambos do PT, também receberam
R$ 10 milhões cada desviados de fundos de pensão, revela reportagem da
revista IstoÉ. Parlamentares negam.
Um inquérito sigiloso prestes a ser encaminhado ao Supremo Tribunal
Federal (STF) revela que um golpe praticado contra os fundos de pensão
Postalis (Correios) e Petros (Petrobras) pode ter abastecido as contas
bancárias do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do colega
senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do relator da CPI da Petrobras,
deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). É o que informa reportagem da revista IstoÉ.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema desviou R$ 100 milhões dos
cofres da previdência dos servidores das duas estatais. Por envolver
figuras com direito a foro privilegiado, a investigação precisa de
autorização do STF para ser levada adiante, ressalta a reportagem de
Claudio Dantas Sequeira.
O inquérito é baseado em depoimento de um funcionário do grupo
Galileo Educacional. Segundo a investigação, relata a reportagem, a
empresa foi criada por articuladores do esquema para subtrair os
recursos do Postalis e do Petros. A revista teve acesso às
investigações, cuja tramitação recebeu caráter sigiloso.
Segundo a IstoÉ, o delator está identificado no inquérito
como Reinaldo Souza da Silva. Ele diz que Renan recebeu propina de R$ 30
milhões do que foi movimentado nos desvios, enquanto Lindbergh e Luiz
Sérgio embolsaram R$ 10 milhões cada.
“Para desviar os recursos dos fundos de pensão, os acusados, segundo a
investigação da PF, montaram o grupo Galileo Educacional a fim de
assumir o comando das Universidades Gama Filho e UniverCidade, ambas no
Rio de Janeiro, que passavam por dificuldades financeiras. Para fazer
dinheiro, o grupo Galileo lançou debêntures que foram adquiridas pelo
Postalis e pelo Petros. De acordo com a PF, a operação foi feita apenas
por influência política e sem nenhum critério técnico”, diz trecho da
reportagem.
Ainda segundo a revista, o dinheiro não era aplicado nas
universidades. A reportagem afirma que o mecanismo de desvio consistia
na destinação do montante “para um emaranhado de empresas”. Os valores,
conforme as investigações iniciais, eram remetidos a Renan, Lindbergh e
Luiz Sérgio. “Em pouco menos de um ano, o MEC descredenciou boa parte
dos cursos de ambas universidades e os fundos arcaram com o prejuízo”,
afirma o texto.
Parlamentares rebatem
Procurado pelo Congresso em Foco,
Renan negou qualquer participação no esquema, e diz que não tem nem
nunca teve qualquer tipo de envolvimento com as instituições mencionadas
pela revista.
O deputado Luiz Sérgio negou veemente todas as acusações e diz que
ainda precisa ter acesso ao inquérito para se pronunciar de maneira mais
adequada sobre o assunto. “A denúncia não passa de declarações, não
existe prova contra mim. Sou o maior interessado dessa investigação”,
afirmou o petista ao site.
Já Lindbergh Farias disse ao Congresso em Foco que a
reportagem “não passa de mau jornalismo” e afirmou que sua defesa foi
desconsiderada pela revista e divulgada apenas na versão online. Assim
como Luiz Sérgio, o senador diz que não há qualquer indício contra ele.
“Essa história não tem pé nem cabeça, é um delírio”, ressaltou,
acrescentando não ter nenhuma ligação com o funcionário do grupo
Galileo. Lindbergh disse também que não é investigado, já que o processo
não tramita no STF.



