Via Reuters -
Há algumas semanas, crescia no PMDB o movimento "não vai
ter aliança", numa analogia ao bordão das manifestações populares contra
a Copa do Mundo, mas ele foi contido e o partido deve reafirmar na
terça-feira, durante sua convenção nacional, o pacto com o PT para a
reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Mas a legenda quer repactuar essa aliança após a eleição.
Para conseguir conter o movimento rebelde, com raízes muito fortes na
bancada na Câmara, foi necessário um grande esforço do vice-presidente
da República Michel Temer, presidente licenciado da legenda, do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Dilma e dos caciques do PMDB
no Senado.
Esse esforço político, porém, foi para salvar a aliança eleitoral.
Para que ela prospere nos próximos meses e se consolide após a
possível reeleição de Dilma, porém, o PMDB recebeu a promessa de que o
acordo com o PT será repactuado, permitindo que o maior partido da
aliança da presidente tenha mais espaço num vindouro ministério e uma
maior participação nas políticas públicas, segundo peemedebistas ouvidos
pela Reuters.
Confiante, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse à
Reuters que cerca de 80 por cento dos 738 votos da convenção devem
apoiar a renovação da aliança. Já nas contas dos rebeldes essa vantagem,
se ocorrer, será muito menor.
Raupp admite que as negociações estaduais causaram problemas para a
aliança nacional em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Mato Grosso do
Sul, na Bahia e no Rio Grande do Sul.
Essas tensões locais e o difícil relacionamento de Dilma com o
Congresso desde que assumiu em 2011 são os motores da divisão no seio
peemedebista, como ficou evidenciado numa reunião do diretório nacional
da legenda no mês passado. [ID:nL1N0O02CA]
Raupp disse que o PMDB quer participar mais do governo num eventual
segunda mandato de Dilma. "Não é uma questão de cargos. Eu defendia e
continuo defendendo inclusive uma redução no número de ministérios",
argumentou. Segundo ele, o que PMDB quer é integrar para valer a
condução e a contrução das políticas públicas.
Um outro peemedebista disse à Reuters, sob condição de anonimato, que
esse aceno já foi feito por Dilma e Lula em reuniões recentes com
peemedebistas.
"É uma repactuação da relação (entre o partido e o governo), do
diálogo com o Congresso, da participação da formulação do novo governo,
das implementação das políticas públicas", disse essa fonte.
Para esse peemedebista, mais do que a participação de Lula e Dilma na
reta final, a manutenção da aliança foi garantida pelo esforço de Temer
e dos caciques partidários do Senado.
Na covenção, serão 510 delegados com direito a voto, sendo que alguns
deles tendo mais de um voto, dependendo do cargo que ocupam na
estrutura partidária. Por isso, o total de votos da convenção é de 738.
REBELDES AINDA ESTÃO EM CAMPO
A despeito da cúpula peemedebista divulgar que a aliança será
renovada, nos bastidores o "Movimento PMDB Independente" continua se
esforçando para aprontar uma surpresa e rejeitar a dobradinha com PT na
terça.
Na semana passada, os peemedebistas receberam um manifesto do
movimento que continha duras críticas ao governo e pregava o fim da
aliança. Nem mesmo a área de energia foi poupada, apesar do peemedebista
Edison Lobão comandar o Ministério de Minas e Energia desde o segundo
mandato de Lula.
Um dos líderes desse movimento, o deputado Danilo Forte (CE),
desdenhou desse comprometimento de Dilma com a cúpula do PMDB por uma
aliança com maior participação dos peemedebistas.
"O problema não é a questão pessoal, nem com a Dilma e nem com o
Michel. O problema é o país, o problema é a economia, a inflação, o
desemprego, o retrocesso que o país está vivendo em relação à primeira
década dos anos 2.000", disse Forte à Reuters por telefone, enquanto
procurava os convencionais para pedir votos contra a aliança.
Segundo ele, o PMDB não pode ser responsabilizado por esse quadro
porque sempre foi tratado com desdém no governo e não participou das
decisões tomadas pela presidente.
"O governo nunca nos deu espaço para discutir política pública. Não
adianta vir agora com essa história de que está arrependido pelo que não
fez e dizer que vai ter diálogo", atacou o deputado.



