10.6.14

É APROVADO OS 10% DO PIB PARA EDUCAÇÃO. CONQUISTA HISTÓRICA OU MAIS UMA MANOBRA PRIVATISTA?

DANIELA ABREU -
A aprovação na Câmara dos Deputados Federais dos 10% do Produto Interno Bruto para educação é uma inegável conquista, mas esta medida é insuficiente para os anseios dos setores que vislumbram uma Educação Pública, Gratuita, Laica e de Qualidade. Foram muitos anos de luta da sociedade civil organizada pela ampliação dos investimentos para a educação pública, e o que de fato aprovou-se foi um gradativo aumento do percentual do PIB, e garantia que parte dessa verba será direcionada as parcerias com as iniciativas privadas.

Atualmente, o Brasil investe 5,3% do PIB no setor, até o quinto ano de vigência da lei deverão aplicar no mínimo 7%, e até 2020 a meta é de 10%. Essa é uma das 20 metas a serem cumpridas a partir da aprovação do texto final do PNE, Plano Nacional de Educação, que ocorreu na última terça-feira, após três anos e meio de tramitação no Congresso. As duas últimas emendas votadas carregavam a responsabilidade do perfil da política orçamentária para os próximos 10 anos. Trabalhos concluídos no Legislativo segue agora para sanção da Presidente Dilma Rousseff.

A espinha dorsal do PNE foi afetada colocando em risco a ampliação do investimento da verba pública para a Educação pública. Hoje Escolas e Universidades Públicas esmorecem em estruturas decadentes, péssimas condições de trabalho, e ausência de salários dignos. Uma fórmula antiga, conhecida de todos tem sido fortemente aplicada, “sucatear para privatizar”. Na década de 90 vivemos a introdução da política neoliberal nas Universidades Públicas, a diminuição de verba para pesquisa e a falta de concurso público eram alguns dos sintomas que explicitavam essa situação. De fato existe uma transformação nos primórdios do Governo Lula, mas nos anos seguintes percebemos o recrudescimento dessa política. Para a década de 90 a privatização ocorreria com a cobrança de mensalidades para os alunos. Já nos anos 2000, a privatização é repaginada pelas parcerias público privado, um método legal para sugar a verba pública para as empresas privadas. A aprovação da versão final do PNE legitima a aplicação da verba pública em programas de isenção de financiamentos para bolsas, Prouni, Fies, Pronatec, entre outros programas com o esse perfil. Mais uma vez o investimento com a Educação Pública fica vulnerável.

A Educação reflete a política hegemônica da, e algumas vezes a contra hegemônica de acordo com o aumento o da correlação de forças. A ditadura militar reduz em 50% o orçamento da educação em dez anos. Com a derrubada da exigência de investimento mínimo de 10% do orçamento total na educação, enquanto o número de alunos aumentava em todo Brasil, o diminuía passando a ser de 5% do orçamento total.

Este ano tornava-se inevitável a finalização da votação do PNE sem que este garantisse a ampliação do percentual do PIB. Além das pressões dos setores combativos da educação, também a UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, divulgou o índice de desenvolvimento da Educação de 128 países, apresentou o Brasil na desconfortável 88ª posição, perto de Honduras (87ª), Equador (81ª) e Bolívia (79ª). Entre os parâmetros adotados para a avaliação a péssima remuneração dos Profissionais de Educação é um deles. Para um país que tem a 7ª Economia do Mundo é inaceitável esse resultado.

O Encontro Nacional de Educação, que ocorrerá entre os dias 8 e 10 de agosto, organizado pelo Fórum da Campanha dos 10% do PIB, composto por muitas entidades como o ANDES, sindicatos dos profissionais do ensino básico e movimento estudantil, tem como eixo vital o financiamento da educação, que nesse momento exige um redirecionamento do debate. Os outros seis eixos são parte irrefutável para esse dimensionar da luta, podendo assim chamá-los de eixos transversais ao financiamento da educação, como democratização da educação, acesso à permanência, contra a privatização e mercantilização da Educação: das creches à pós-graduação, a precarização das atividades dos trabalhadores da Educação e a avaliação meritocrática na educação. Ao que parece há um permanente boicote a qualidade da educação pública pelas classes dominantes, que hoje não medem esforços na implantação da política neoliberal, meritocrática e privatista.