Via Congresso em Foco -
Por causa das eleições, Casa desiste de
votar em 33 dos 77 dias em que haveria votação até o final do ano. Novo
calendário prevê apenas mais 44 dias de sessões deliberativas.
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| Plenário vazio e poucas votações: cenário no Senado até as eleições de outubro. |
Para o trabalhador brasileiro, o calendário oficial ainda aponta 146
dias úteis até o final do ano. Mas, para os senadores, há somente 44
dias para votações em 2014. Por causa de jogos da Copa e,
principalmente, da campanha eleitoral, o Senado reduziu quase à metade o
número dos dias que restavam para as sessões deliberativas até
dezembro. Dos 77 dias em que poderia haver sessões deliberativas,
considerando-se apenas as terças, quartas e quintas-feiras, 34 foram
riscados do calendário dos senadores. Nesses dias, suas presenças e
ausências não serão contabilizadas, a exemplo do que costuma ocorrer às
segundas e sextas, quando as sessões tradicionalmente são utilizadas
apenas para discursos.
De acordo com a previsão repassada pela Mesa Diretora da Casa aos
senadores, a Copa só afetará os trabalhos três vezes: nos dias 12 e 17,
por causa dos jogos do Brasil contra a Croácia, em São Paulo, e o
México, em Fortaleza; e no dia 26 de junho, quando Portugal e Gana se
enfrentam em Brasília. Ressalvadas essas datas, todas as demais sessões
foram canceladas para que os parlamentares se dediquem à campanha
eleitoral, a deles e a de seus aliados. Os congressistas ainda terão
recesso parlamentar, de 18 a 31 de julho. Este ano, 27 vagas do Senado
estarão em jogo. A maioria dos senadores em fim de mandato disputa a
reeleição ou outros cargos eletivos. Outros senadores, que ainda têm
mais quatro anos de Casa, também entrarão na disputa para governos
estaduais e até a Presidência da República, caso de Aécio Neves
(PSDB-MG) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP).
Embora o primeiro semestre legislativo só termine em 17 de julho,
pelo calendário do Senado, mais da metade do ano se foi. Isso porque os
44 dias reservados a votação são inferiores aos 50 dias com sessões
deliberativas ficaram para trás. Ou seja, a Casa deve chegar ao final do
ano com apenas 94 dias destinados a deliberações. O problema é que
dificilmente haverá decisões importantes nas datas marcadas antes das
eleições.
Esforço concentrado
Na semana passada, fizeram o que chamam de “esforço concentrado”,
prática que consiste na realização de sessões mesmo às segundas e
sextas-feiras para votar uma extensa pauta, a fim de que os
parlamentares possam faltar nos dias posteriores.
Dos 24 itens incluídos na pauta da Casa, 14 foram aprovados e nove ficaram sem deliberação. Um dos itens mais polêmicos aprovados foi a chamada Lei da Palmada, que pune pais e responsáveis que infligirem castigo físico ou humilharem crianças e adolescentes.
Durante as discussões na Comissão de Direitos Humanos, senadores
contrários à proposta, propuseram que o assunto fosse discutido nesta
semana, para que pudessem propor alterações ao texto. O pedido não foi
aceito pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Um dos
argumentos utilizados para a decisão de não se adiar a votação foi de
que dificilmente haveria quórum nesta semana no Senado por causa das
convenções partidárias, que vão definir os candidatos nas eleições
gerais de outubro. Nesta semana, há previsão de sessão deliberativa na
terça e na quarta – as últimas do mês.
Faltas em alta
No ano passado, o Senado realizou 126 sessões convocadas para
votações. Apesar de não haver eleições, os senadores faltaram mais do
que no ano anterior, quando houve disputa eleitoral nos municípios.
Conforme mostrou a Revista Congresso em Foco, os senadores acumularam
1.803 ausências em 2013. Número superior às 1.524 assinaladas em 2012.
Ou seja, nem mesmo os protestos que cercaram e tomaram o prédio do
Congresso Nacional e ruas e avenidas país afora reduziram o índice de
faltas na Casa. As presenças são cobradas apenas nas sessões
deliberativas.
A Câmara informou que ainda não definiu o calendário das sessões
deliberativas dos próximos dias, muito menos dos próximos meses.
Veja abaixo a previsão de dias com sessões destinadas a votação no Senado:
Junho
10 e 11 (2 dias)
10 e 11 (2 dias)
Julho
1, 2, 3, 8, 9, 10, 15, 16 e 17 (9 dias)
1, 2, 3, 8, 9, 10, 15, 16 e 17 (9 dias)
Agosto
5, 6, 7 e 19 (4 dias)
5, 6, 7 e 19 (4 dias)
Setembro
2, 3, 4 e 16 (4 dias)
2, 3, 4 e 16 (4 dias)
Outubro
21, 28, 29 e 30 (4 dias)
21, 28, 29 e 30 (4 dias)
Novembro
4, 5, 6, 11, 12, 13, 18, 19, 20, 25, 26 e 27 (12 dias)
4, 5, 6, 11, 12, 13, 18, 19, 20, 25, 26 e 27 (12 dias)
Dezembro
2, 3, 4, 9, 10, 11, 16, 17 e 18 (9 dias)
2, 3, 4, 9, 10, 11, 16, 17 e 18 (9 dias)
A seguir, dias tradicionalmente reservados a votação no
Senado (terça, quarta e quinta) riscados do calendário dos senadores por
causa da Copa e, sobretudo, das eleições:
Junho
12, 17, 18, 24, 24 e 26 (6 dias)
12, 17, 18, 24, 24 e 26 (6 dias)
Agosto
12, 13, 14, 20, 21, 26, 27 e 28 (8 dias)
12, 13, 14, 20, 21, 26, 27 e 28 (8 dias)
Setembro
9, 10, 11, 17, 18, 23, 24, 25 e 30 (9 dias)
9, 10, 11, 17, 18, 23, 24, 25 e 30 (9 dias)
Outubro
1º, 2, 7, 8, 9, 14, 15, 16, 22 e 23 (10 dias)
1º, 2, 7, 8, 9, 14, 15, 16, 22 e 23 (10 dias)



