10.6.14

EM 1944, OS EUA DOMINARAM O MUNDO, PELAS ARMAS E PELO DÓLAR. FRANCISCO TALVEZ POSSA FAZER A PAZ ENTRE ISRAEL E PALESTINA

HELIO FERNANDES -

Francisco reúne Peres e Abbas 

Foi emocionante e altamente positivo, assistir o presidente de Israel e da Autoridade Palestina, se abraçarem e se beijarem carinhosamente em pleno Vaticano. Apertaram as mãos, demoradamente, um perguntou pela saúde do outro.

Francisco firmou e confirmou sua liderança. Nenhum Papa, antes, teve essa ideia simples e ao mesmo tempo profunda, de juntar no Vaticano os dois presidentes. Já escrevi muito, desde a Tribuna da Imprensa, que os dois povos são os mais interessados na paz, que traria vida normal e democrática para todos. Só Francisco pode conseguir. 

“Fala sério” 

“Líderes” do PT, de Lula e de Dona Dilma, não escondem: “Estão pessimistas e desiludidos com a candidatura Padilha a governador de São Paulo”. Já escrevi que o ex-ministro da Saúde é o primeiro poste que o ex-presidente não consegue fazer penetrar nem 5 centímetros na terra. 

O problema: não existe substituto 

Esse é o maior temor. Maior do que esse só mesmo o presidenciável do PT para 2018. Não existe ninguém, nem mesmo que Dona Dilma seja reeleita. Analisando de forma objetiva, a conclusão é a mais negativa possível. Assim como Lula se projetava para 2014, vai se esvair para 2018. 

Clemenceau em 1917, economistas contra a economia, 100 anos depois 

Na equivocadamente chamada de Primeira Guerra Mundial, a França estava vencendo, (surpresa) quase chegava a Berlim. O acordo de 1917 na entrada de Moscou, resultou na paz em separado. Todos, Alemanha, Inglaterra, russos, franceses precisavam das tropas fora dali.

Os russos para vencerem a terrível guerra civil. Os alemães se defenderam. Inglaterra e França reforçaram o ataque a Berlim. O Primeiro Ministro da França, Clemenceau, desesperado, retumbou a frase eterna: “A guerra é importante demais para ser comandada por militares”. 

70 anos da invasão da Europa a inesquecível Segunda Frente 

No dia 6 de junho de 1944, depois do planejamento de mais de 1 ano, os americanos atendiam o apelo desesperado dos aliados da Europa. Incluindo a Rússia já União Soviética, contra Hitler, ainda poderoso, que fora massacrado pelos soviéticos.

Em 1943/1944, da mesma forma que o genial Napoleão Bonaparte em 1809/1810. Ambos não resistiram ao que se chamou de “general inverno”, até 50 e 60 abaixo.

Napoleão dizimado ainda no tempo da cavalaria, Hitler já na era das “panzer divisions”, as mesmas que entraram em Paris em junho de 1940. 

O general Marshall, líder civil e militar 

Chefe geral do Estado Maior das Forças americanas, acima dele só o presidente Roosevelt. Sua competência e liderança desmentiram o julgamento de Clemenceau. Eisenhower, chefe de gabinete é um produto e uma consequência da sua importância.

Marshall coordenou tudo, criou cinco locais onde poderia acontecer a invasão da Europa. Essa precaução, para que os alemães não se defendessem. Marshall sabia que eles se informariam dos planos da Segunda Frente mas não conheceriam o local exato. 

A tragédia do sacrifício de milhões 

Eles salvaram a democracia mesmo esfarrapada. Os “Mil anos do Reich”, prometido por Hitler, naufragaram naquele mar gelado. Os filmes que tratam do assunto, mostram de forma impressionante e até emocionante a luta daqueles bravos. Os alemães corriam de um lado para o outro, acabaram descobrindo o lugar correto. Perderam uma multidão de combatentes. E perderam também a guerra. 

Marshall não quis ser presidente 

Nenhuma ambição. Criou o Plano Marshall que livrou a Europa se “comunizar”. Bilhões de dólares jorraram. Seu nome surgiu naturalmente, Roosevelt morreu pouco antes. Com sua recusa apareceu Eisenhower, que ganhou fácil em 1952. Não fez nada durante 8 anos, mas deixou uma frase perfeita: “Agora eu sei porque o mundo é dominado pelo complexo industrial-militar”.

Apesar da frase e da constatação, nada mudou, tudo igual. Esse complexo cada vez mais poderoso. 

Os EUA dominam o mundo. Em 1944 plantam a vitória militar. No mesmo 1944, em Bretton Woods, implantam o dólar, moeda universal 

Agora, 70 anos depois, os EUA mantêm a condição de maior potência mundial. Contrariando os próprios “pais fundadores” (como eles mesmos se denominaram) que pretendiam um país isolado e isolacionista, como está na Constituição (única) do país.

Isso durou 110 anos, até 1898. A Espanha invadiu Cuba, os EUA resolveram defender a ilha. Construíram a Fortaleza de Guantánamo, salvaram Cuba, derrotaram a Espanha. Curiosamente Guantánamo hoje, é prisão onde os EUA torturam de forma bárbara, prisioneiros que não podem torturar no próprio país. 

Em 1941 foram obrigados a quebrar o isolacionismo, para sempre 

Os EUA mandaram apenas 13 mil homens para a Primeira Guerra Mundial. Não quiseram mais do que isso. Tinham um presidente (Woodrow Wilson) muito doente, que se elegeu em 1916, com a mulher assinando tudo por ele. E na Segunda pretendiam ficar bem longe. A guerra começou em 1939, fundaram um “comitê isolacionista”, presidido pelo coronel Lindbergh. 

O espantoso ataque a Pearl Harbor 

Em 7 de dezembro de 1941, inesperadamente, os japoneses, num trajeto tão longo que parecia impossível, destruíram em pleno EUA um terço da frota do país. 

Acaba o “isolacionismo” 

Lindbergh dissolve o Comitê, se apresenta à Aeronáutica, combate até o fim. Os EUA juntam o poder militar com o “dólar papel pintado” (como chamei sempre e desde o início), domina o mundo. E ficam como “sherifes” do mundo, até onde pode se observar. 

Só a China pode ameaçar 

É o único adversário visível, possível e previsível. Mas a longo prazo. Não haverá “guerra fria” EUA-China. Primeiro o pavor de um confronto nuclear. Segundo, que a China tem quase 2 trilhões de dólares investidos nos EUA. Os dois serão personagens principais do mundo, até que a morte os separe. Ou que a vida e o bom senso, os una e reúna. 

Padilha, o primeiro poste de Lula, desenterrado 

Pesquisa não ganha jogo. Só que faltando mais ou menos 4 meses para cidadãos completamente descrentes, desanimados e desconfiados caminharem para as urnas, ficar em quinto lugar entre 5 candidatos, não é nada satisfatório. Essa é a posição do ex-Ministro da Saúde.

Não tem voo próprio, o ex-presidente garantiu que seria um Boeing, não passa de um helicóptero, sem piloto e sem combustível.

Nem adianta mais chamá-lo de poste, compará-lo com Dilma ou Haddad. Ainda mais para enfrentar o favoritíssimo Alckmin desde 1994 no poder. 

PS – Faltam 48 horas para que 32 países tentem conquistar a tão desejada Copa do Mundo. Desses 32 apenas 5 ou 6 têm chance, os outros são apenas coadjuvantes, mas com muito orgulho e satisfação. 

PS2 – Depois de amanhã, o Brasil começa a maratona de 7 jogos. Só pode perder 1 e assim mesmo na chave. Se passar da chave todos os outros 4 jogos serão eliminatórios. Se perder dois nessa classificação, estará eliminado, repetindo 1966 na Inglaterra. 

PS3 – Se chegar à final sem conquistar o título, será outro “maracanaço”, no mesmo espaço, remodelado. Se isso acontecer estará dando razão a García Márquez: “O segundo colocado é o primeiro perdedor”. 

PS4 – Tenho mais receio da egolatria de Felipão-Parreira do que mesmo da seleção, que não é a dos nossos sonhos. O que pensar ou acreditar no Felipão e na sua afirmação depois do fiasco contra a Sérvia: “A seleção melhorou visivelmente”. Sem comentário. 

PS5 – Façanha inédita e sensacional, que precisa ser ressaltada, registrada e ressalvada: Nadal jogou 10 vezes em Roland Garros, foi a 10 finais. Ganhou 9 e perdeu apenas uma, para Federer. 

PS6 – Nadal acabou de fazer 28 anos. Seu aniversário é sempre em Roland Garros. Estreou com 18 anos, ninguém conhecia aquele garoto audacioso. Anteontem, frustrou mais uma vez o sérvio, que tem todos os títulos, menos esse.