11.6.14

EDUARDO SUPLICY EM VEZ DE PADILHA?

CARLOS CHAGAS -

Caso o PT (leia-se, o Lula) não decida substituir Alexandre Padilha como candidato ao governo de São Paulo, a maior prejudicada será Dilma Rousseff. Claro que nem de longe a presidente se queixará do candidato, muito menos engrossará o caudal de companheiros empenhados na substituição. Talvez nem em suas conversas reservadas com o Lula ela admita tocar no assunto. Afinal, o ex-ministro da Saúde foi escolha pessoal do ex-presidente da República. Mesmo assim, Dilma precisa reforçar a campanha para o segundo mandato, e um dos maiores obstáculos à sua vitória chama-se Alexandre Padilha. Só por milagre, e dos grandes, ele conseguirá superar os péssimos índices que recebe nas pesquisas. Chegou ao máximo de 9% nas preferências, mas situa-se, mesmo, nos 4%. Não haverá como sua performance negativa diante do palácio dos Bandeirantes deixar de refletir-se no voto dos paulistas para o palácio do Planalto.

Por conta disso… Por conta disso avoluma-se no PT a necessidade de ser colocado um guiso no gato. Traduzindo: os principais líderes do partido, no plano estadual e até no nacional tomam coragem para peitar o Lula. Com toda a cautela, o primeiro-companheiro será procurado esta semana, com Rui Falcão à frente, para examinar a possibilidade da troca.

Em seguida vem o enigma: trocar por quem? Marta Suplicy não pode mais, não se desincompatibilizou do ministério da Cultura. José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha estão na cadeia. Arlindo Chinaglia já tem problemas de sobra em seu relacionamento com o partido. Então, sobra Eduardo Suplicy. Sua votação para o mandato que agora se encerra foi espetacular. Só que há oito anos. Acresce que o senador não joga propriamente no time do Lula. Mas é quem poderia, com todas as ressalvas, evitar a goleada de Geraldo Alckmin.

Sempre haverá a possibilidade de o PT apoiar Skaf no segundo turno, mas as cartas já terão sido distribuídas no primeiro. Abdicar do lançamento de um candidato próprio equivaleria ao enfraquecimento de Dilma no maior colégio eleitoral do país. Sendo assim, será preciso convencer Eduardo Suplicy a não disputar o Senado, mas o governo paulista. Não parece fácil, mas trata-se da única saída visível. 

QUINTA-FEIRA ACABA TUDO? 

A semana começou com o acirramento dos ânimos entre a maioria dos grupos e categorias em estado de beligerância com o governo. Quer dizer, pelo menos a metade do país. Quem não saiu às ruas para protestar ameaça começar. Greves continuam, badernas também, como a ocupação e depredação da reitoria da Universidade de Brasília por estudantes vândalos.

Há otimistas que imaginam um passe de mágica: a partir de quinta-feira todos os contestadores refluiriam, mais por patriotismo do que por medo das forças de segurança. Até o final da copa do mundo se estabeleceria uma trégua entre o Brasil Formal e o Brasil Real. Pode tratar-se de um sonho de noite de verão. Não há nada a fazer senão aguardar.