CARLOS CHAGAS -
Caso
o PT (leia-se, o Lula) não decida substituir Alexandre Padilha como
candidato ao governo de São Paulo, a maior prejudicada será Dilma
Rousseff. Claro que nem de longe a presidente se queixará do candidato,
muito menos engrossará o caudal de companheiros empenhados na
substituição. Talvez nem em suas conversas reservadas com o Lula ela
admita tocar no assunto. Afinal, o ex-ministro da Saúde foi escolha
pessoal do ex-presidente da República. Mesmo assim, Dilma precisa
reforçar a campanha para o segundo mandato, e um dos maiores obstáculos à
sua vitória chama-se Alexandre Padilha. Só por milagre, e dos grandes,
ele conseguirá superar os péssimos índices que recebe nas pesquisas.
Chegou ao máximo de 9% nas preferências, mas situa-se, mesmo, nos 4%.
Não haverá como sua performance negativa diante do palácio dos
Bandeirantes deixar de refletir-se no voto dos paulistas para o palácio
do Planalto.
Por
conta disso… Por conta disso avoluma-se no PT a necessidade de ser
colocado um guiso no gato. Traduzindo: os principais líderes do partido,
no plano estadual e até no nacional tomam coragem para peitar o Lula.
Com toda a cautela, o primeiro-companheiro será procurado esta semana,
com Rui Falcão à frente, para examinar a possibilidade da troca.
Em
seguida vem o enigma: trocar por quem? Marta Suplicy não pode mais, não
se desincompatibilizou do ministério da Cultura. José Dirceu, José
Genoíno e João Paulo Cunha estão na cadeia. Arlindo Chinaglia já tem
problemas de sobra em seu relacionamento com o partido. Então, sobra
Eduardo Suplicy. Sua votação para o mandato que agora se encerra foi
espetacular. Só que há oito anos. Acresce que o senador não joga
propriamente no time do Lula. Mas é quem poderia, com todas as
ressalvas, evitar a goleada de Geraldo Alckmin.
Sempre
haverá a possibilidade de o PT apoiar Skaf no segundo turno, mas as
cartas já terão sido distribuídas no primeiro. Abdicar do lançamento de
um candidato próprio equivaleria ao enfraquecimento de Dilma no maior
colégio eleitoral do país. Sendo assim, será preciso convencer Eduardo
Suplicy a não disputar o Senado, mas o governo paulista. Não parece
fácil, mas trata-se da única saída visível.
QUINTA-FEIRA ACABA TUDO?
A
semana começou com o acirramento dos ânimos entre a maioria dos grupos e
categorias em estado de beligerância com o governo. Quer dizer, pelo
menos a metade do país. Quem não saiu às ruas para protestar ameaça
começar. Greves continuam, badernas também, como a ocupação e depredação
da reitoria da Universidade de Brasília por estudantes vândalos.
Há
otimistas que imaginam um passe de mágica: a partir de quinta-feira
todos os contestadores refluiriam, mais por patriotismo do que por medo
das forças de segurança. Até o final da copa do mundo se estabeleceria
uma trégua entre o Brasil Formal e o Brasil Real. Pode tratar-se de um
sonho de noite de verão. Não há nada a fazer senão aguardar.



