ADERSON BUSSINGER -
Rio de Janeiro - O incêndio do Museu Nacional do Rio é criminoso, sim, e por este motivo, deveriam ser indiciados por crime de
lesa-pátria e lesa-humanidade, todos, sem exceção, os integrantes deste governo
golpista e espúrio, a começar pelo Presidente ilegítimo Michael Temer, que, com
a sabida cumplicidade da maioria do Congresso Nacional, impôs ao país o
congelamento dos gastos públicos por 20 anos, sacrificando assim os recursos
que deveriam ser carreados para educação, saúde, moradia popular e também a
conservação de nossos museus, dentre estes o mais importante: o Museu Nacional.
Criado por D. João VI em 1808, enquanto Museu Real,
vinculado Museu Nacional à Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, a
irresponsabilidade de Temer acaba de queimar, converter em cinzas, cerca de 20
milhões de itens componentes do acervo histórico da memória nacional e também
da civilização humana, da própria história natural da humanidade.
Segundo lê-se no site da instituição, estavam lá,
(supondo-se que protegidos), o acervo da Casa dos Pássaros, antiga Casa de
História Natural criada, em 1784, pelo Vice-Rei D. Luiz de Vasconcellos e
Sousa; da coleção do mineralogista alemão Abraham Gottlob Werner (1749-1817);
dos diamantes do Distrito Diamantino enviados pelo intendente Ferreira da Câmara
à Academia Real Militar; de espécimes geológicos, mineralógicos e zoológicos
coletados pelos naturalistas estrangeiros no Brasil como Langsdorff, Natterer e
Saint-Hilaire; de peças etnográficas vindas das Ilhas Sandwich para o Imperador
Pedro I, que as doou ao Museu; da coleção de objetos mineralógicos doadas pelo
Príncipe da Dinamarca; de produtos mineralógicos e geognósticos do vulcão
Vesúvio; da coleção ornitológica doada pelo Museu de Berlim. Como visto,
estamos diante de mais um crime deste governo, insisto-, pelo qual deveria ser
mais ainda execrado, nacional e internacionalmente pelos males que este
incêndio causou a memória nacional e mundial, sendo este, dentre outras mazelas
na saúde e educação, o terrível preço que estamos pagando pela política
anti-cultural do governo federal, que deixou o ministério da educação à míngua
de verbas públicas, a UFRJ sucateada, como ha duas semanas atrás foi
denunciando por seu Magnífico Reitor Roberto Leher, enfim, uma tragédia
anunciada, prevista pela lógica e consequências esperadas desta
anti-administracão absolutamente destruidora da cultura e memória de nosso
país.
Trata-se do mais importante museu, nesta categoria, da
América Latina, sendo, além de toda importância para pesquisa científica,
história e arqueologia, um espaço de visitação pública espetacular, bonito de
ver, saudável, parte de nossa memória de adolescentes, quando, como eu, visitei
a instituição peja primeira vez, em excursão de meu saudoso Colégio Anchieta,
de Nova Friburgo, assim como centenas de estudantes ao longo da história.
Quero, por fim, me solidarizar com todos servidores,
técnicos, professores, pesquisadores, trabalhadores terceirizados, enfim todos
aqueles que dedicam suas vidas a conservação do Museu Nacional, neste momento
tão difícil, destacando que precisamos, mais ainda, prosseguir lutando pela
defesa de nossa memória, do serviço público e da universidade igualmente pública,
gratuita e voltada para os interesses do povo brasileiro e não do mercado.
* Aderson Bussinger, Advogado Sindical, Conselheiro da OAB-RJ. Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais/UFF, Colaborador do site TRIBUNA DA IMPRENSA SINDICAL, Diretor do Centro de Documentação e Pesquisa da OAB-RJ, membro Efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ. Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros-IAB.
* Aderson Bussinger, Advogado Sindical, Conselheiro da OAB-RJ. Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais/UFF, Colaborador do site TRIBUNA DA IMPRENSA SINDICAL, Diretor do Centro de Documentação e Pesquisa da OAB-RJ, membro Efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ. Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros-IAB.



