Por LUIS NASSIF - Via Jornal GGN -
El Universal é um
jornal de oposição na Venezuela que cobriu a visita dos senadores
brasileiros a Caracas. Entrevistou a ex-deputada Maria Corina Machado -
que acompanhava a comitiva - que explicou que a viagem foi frustrada
devido a um congestionamento provocado pela manutenção de um túnel e
protestos de um grupo de funcionários da empresa de manutenção (http://www.eluniversal.com/ nacional-y-politica/150618/ senadores-brasilenos- retornaron-a-maiquetia-por- mantenimiento-en-tunel).
Diz ela que "en menos de 3 horas los
Senadores brasileros ya saben lo que significa vivir en dictadura hoy en
Venezuela", luego de publicar "totalmente trancada la autopista Caracas
- La Guaira porque están limpiando los túneles y por protesta carretera
vieja".
O que ocorreu com a comitiva é simples de entender.
A van que a conduzia foi acompanhada
por batedores da polícia venezuelana. A comitiva parou no
congestionamento. A presença de batedores despertou a curiosidade de
populares. Alguns cercaram o ônibus e deram murros na lataria. Em nenhum
momento houve ameaças à sua integridade física, porque os batedores
estavam lá garantindo a comitiva.
É um episódio da mesma dimensão dos
ataques de populares na Paulista a pessoas que vestiam camisas
vermelhas. E menos grave do que os tais Revoltados Online atiçando a
malta contra repórteres de uma revista tida como de esquerda. Onde
existe malta ocorrem problemas típicos de ajuntamento de malta. Simples
assim.
Esta é a história real.
A tentativa de transformar um episódio
banal em incidente diplomático é indigna para o parlamento brasileiro.
Que o governo da Venezuela pague o desgaste da prisão de oposicionistas.
Pretender responsabilizá-lo por problemas de trânsito em Caracas é
desmoralizante para o parlamento brasileiro.
Valeram-se do mesmo estratagema de
José Serra no episódio da bolinha de papel. Seleciona-se uma região
claramente hostil ao candidato, já que agrupando ex-funcionários da
Funasa demitidos por ele quando Ministro. A comitiva entra provocando e a
reação serve de pretexto para a farsa da bolinha.
Desde o início os parlamentares
pretenderam "causar". A começar do fato de terem sido acompanhados por
repórteres da Globo, prontos a registrar qualquer incidente e da
denúncia canhestra de que o voo tinha sido proibido pelas autoridades
venezuelanas. Só faltava! Depois de um estadista de dimensão
internacional, como Felipe Gonzales, ter visitado os prisioneiros
políticos, a troco de quê proibir uma comitiva liderada por um
ex-candidato à presidência do Brasil que tem uma imagem internacional de
playboy, acompanhado de um conjunto de brucutus que, pela idade e
aspecto vociferante, mais se assemelham a um bando de Hell´s Angels que
acabaram de chegar de Woodstock.
Admitia-se esse jogo de "causar" na mídia.
Mas nessa manipulação, foi-se longe
demais. Valendo-se da perda de dimensão do Congresso - como as eleições
do inacreditável Eduardo Cunha e do repaginado Renan Calheiros - levaram
esse factoide ridículo para a casa, provocaram o Itamarati e até
exigiram rompimento de relações diplomáticas com a Venezuela.
Onde se pretende chegar com essa fabricação irresponsável de factoides?



