EMANUEL CANCELLA -
A Polícia Federal faz busca na
residência do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT. Pela
segunda vez, a PF parece errar de endereço e vai fazer busca no lugar
errado.
Seria lógico e previsível que a PF
fizesse “buscas” na casa do senador e ex-governador de Minas Aécio Neves
e do seu sucessor no Palácio da Liberdade, Antonio Anastasia, ambos do
PSDB. Enquanto o primeiro teria construído um aeroporto em terras da
própria família, com dinheiro público; Anastasia foi citado em delação
premiada, na operação Lava Jato, pelo policial federal Jayme de Oliveira
Filho, conhecido como “careca”, por ter recebido propina.
Essas são apenas algumas das graves
suspeições que pesam sobre os ex-governadores tucanos, no entanto não
têm sido objeto de tanta preocupação nem de investigação.
Estranhamente é na casa do governador do
PT, Fernando Pimentel, que a PF “põe o pé na porta”, a pretexto de
investigar financiamento de campanha. Se sobre o governador do PT em
Minas pairam dúvidas, sobre Aécio Neves e Anastasia restam certezas.
Não
é a primeira vez que a “justiça” age de forma seletiva. A Operação Lava
Jato mandou prender o tesoureiro do PT, por ter sido citado em delação
premiada. O surpreendente é que não tenham sido presos os tesoureiros de
outros partidos, igualmente citados. É o caso do PMDB, do PP e do PSDB.
Marcio Fortes, do PSDB, foi tesoureiro
dos candidatos à presidência da República Fernando Henrique Cardoso e
José Serra, campanhas que também foram alvo de denúncias. Acumula o
título de principal doador individual das duas campanhas. Seu nome
aparece na lista do HSBC, na Suíça, em contas para lavagem de dinheiro.
Mas só o tesoureiro do PT foi preso.
Omissões como essas levam a justiça ao
descrédito. Fazem com que a sociedade já comece a suspeitar das
autoridades envolvidas na Operação Lava Jato. Há quem diga que as ações
da Lava Jato são direcionadas e visam a desgastar o governo Dilma, o PT e
a Petrobrás.
As suspeitas tendem a aumentar quando se
constata que o chefe da operação, juiz Sérgio Moro, é casado com uma
senhora que trabalha para o vice-governador do Paraná, coincidentemente
do PSDB, além de advogar para empresas de petróleo estrangeiras,
concorrentes da Petrobrás. Aliás, o juiz Moro, quando assistente da
ministra Rosa Weber na AP 470 ( mensalão) foi autor da célebre frase,
muito discutida nos meios jurídicos: “Não tenho prova cabal contra
Dirceu – mas vou condená-lo, porque a literatura jurídica me permite”.
Como se não bastasse corre nas redes
sociais que o juiz Sergio Moro é da família de Joel Malucelli, dono da
repetidora da TV Globo, no Paraná. Malucelli é suplente do Senador
Álvaro Dias, do PSDB, além de informante do juiz Moro na Lava Jato.
É muita coincidência para ser só
coincidência! O representante da Globo, ligado ao PSDB, informante de
uma operação que investiga a Petrobrás, ataca o governo Dilma, prende o
tesoureiro do PT e livra cara do PSDB!
Aliás, o juiz Sérgio Moro recebeu da TV
Globo o título de personalidade do ano. A mesma emissora que levou ao
ar, no Jornal Nacional, na véspera da eleição de 2014, a denúncia
falaciosa de que Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobrás.
Mas, tratando-se da Globo, nenhuma
surpresa. Na campanha de 1989, a edição do último debate, entre Lula e
Collor, virou tema de estudo nas faculdades de Comunicação, como um
exemplo de manipulação da informação que teria mudado os rumos da
História do Brasil, influindo no resultado das eleições e facilitando a
ascensão das políticas neoliberais. Nos anos de 1990 – período
Collor/FHC - a emissora fez uma campanha sórdida pela privatização da
Petrobrás. Na época, comparava a Petrobrás a um paquiderme e chamava os
petroleiros de marajás.
Há evidências de que a Lava Jato
pretende paralisar a Petrobrás. Toda a sociedade apoia o combate à
corrupção. Estamos assistindo à prisão dos executivos das principais
empresas que prestam serviços à Petrobrás: que prendam os dirigentes
corruptos dessas empresas, mas permitam que as obras tenham
continuidade!
Não podemos assistir impassíveis que
milhares de trabalhadores percam seus empregos. O pedido de acordo de
leniência na justiça, previsto na lei, é justamente para manter as obras
e evitar o desemprego em massa. Como se explica que os juízes da Lava
Jato sejam contra esses acordos?
Mais grave é chamar os EUA para ajudar
na investigação de corrupção na Petrobrás, como faz Moro. Isso é botar a
raposa para tomar conta do galinheiro. Os americanos estão de olho no
pré-sal. Em 2009, o Wikiliks interceptou telegrama onde o então
candidato à presidência José Serra, do PSDB, prometia à petroleira
americana Chevron mudar a lei do pré-sal, para favorecê-la, caso eleito.
A Folha de São Paulo divulgou a denúncia.
Serra perdeu as eleições, mas não
desistiu dos seus propósitos. Em sua saga entreguista, o agora senador
José Serra apresenta ao Congresso Nacional emenda à lei do petróleo com o
mesmo conteúdo prometido à Chevron. É preciso, ainda, levar em conta
que os EUA não reconhecem o mar territorial brasileiro (200 milhas),
onde se situa grande parte do nosso pré-sal.
Estamos diante de erros grosseiros das
nossas autoridades judiciais ou tudo faz parte de um plano criminoso
para destruir o PT, desestabilizar o governo Dilma, destruir a Petrobrás
e entregar o pré-sal às petrolíferas estrangeiras?
*Emanuel Cancella é coordenador do
Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e
da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).



