28.6.15

ATÉ QUANDO VAMOS ACEITAR CALADOS AS OMISSÕES DO JUDICIÁRIO?

EMANUEL CANCELLA -

A Polícia Federal faz busca na residência do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT. Pela segunda vez, a PF parece errar de endereço e vai fazer busca no lugar errado.

Seria lógico e previsível que a PF fizesse “buscas” na casa do senador e ex-governador de Minas Aécio Neves e do seu sucessor no Palácio da Liberdade, Antonio Anastasia, ambos do PSDB. Enquanto o primeiro teria construído um aeroporto em terras da própria família, com dinheiro público; Anastasia foi citado em delação premiada, na operação Lava Jato, pelo policial federal Jayme de Oliveira Filho, conhecido como “careca”, por ter recebido propina.


Essas são apenas algumas das graves suspeições que pesam sobre os ex-governadores tucanos, no entanto não têm sido objeto de tanta preocupação nem de investigação.

Estranhamente é na casa do governador do PT, Fernando Pimentel, que a PF “põe o pé na porta”, a pretexto de investigar financiamento de campanha. Se sobre o governador do PT em Minas pairam dúvidas, sobre Aécio Neves e Anastasia restam certezas.

Não é a primeira vez que a “justiça” age de forma seletiva. A Operação Lava Jato mandou prender o tesoureiro do PT, por ter sido citado em delação premiada. O surpreendente é que não tenham sido presos os tesoureiros de outros partidos, igualmente citados. É o caso do PMDB, do PP e do PSDB.

Marcio Fortes, do PSDB, foi tesoureiro dos candidatos à presidência da República Fernando Henrique Cardoso e José Serra, campanhas que também foram alvo de denúncias. Acumula o título de principal doador individual das duas campanhas. Seu nome aparece na lista do HSBC, na Suíça, em contas para lavagem de dinheiro. Mas só o tesoureiro do PT foi preso.

Omissões como essas levam a justiça ao descrédito. Fazem com que a sociedade já comece a suspeitar das autoridades envolvidas na Operação Lava Jato. Há quem diga que as ações da Lava Jato são direcionadas e visam a desgastar o governo Dilma, o PT e a Petrobrás.

As suspeitas tendem a aumentar quando se constata que o chefe da operação, juiz Sérgio Moro, é casado com uma senhora que trabalha para o vice-governador do Paraná, coincidentemente do PSDB, além de advogar para empresas de petróleo estrangeiras, concorrentes da Petrobrás. Aliás, o juiz Moro, quando assistente da ministra Rosa Weber na AP 470 ( mensalão) foi autor da célebre frase, muito discutida nos meios jurídicos: “Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo, porque a literatura jurídica me permite”.

Como se não bastasse corre nas redes sociais que o juiz Sergio Moro é da família de Joel Malucelli, dono da repetidora da TV Globo, no Paraná. Malucelli é suplente do Senador Álvaro Dias, do PSDB, além de informante do juiz Moro na Lava Jato.

É muita coincidência para ser só coincidência! O representante da Globo, ligado ao PSDB, informante de uma operação que investiga a Petrobrás, ataca o governo Dilma, prende o tesoureiro do PT e livra cara do PSDB!

Aliás, o juiz Sérgio Moro recebeu da TV Globo o título de personalidade do ano. A mesma emissora que levou ao ar, no Jornal Nacional, na véspera da eleição de 2014, a denúncia falaciosa de que Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobrás.

Mas, tratando-se da Globo, nenhuma surpresa. Na campanha de 1989, a edição do último debate, entre Lula e Collor, virou tema de estudo nas faculdades de Comunicação, como um exemplo de manipulação da informação que teria mudado os rumos da História do Brasil, influindo no resultado das eleições e facilitando a ascensão das políticas neoliberais. Nos anos de 1990 – período Collor/FHC - a emissora fez uma campanha sórdida pela privatização da Petrobrás. Na época, comparava a Petrobrás a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás.

Há evidências de que a Lava Jato pretende paralisar a Petrobrás. Toda a sociedade apoia o combate à corrupção. Estamos assistindo à prisão dos executivos das principais empresas que prestam serviços à Petrobrás: que prendam os dirigentes corruptos dessas empresas, mas permitam que as obras tenham continuidade!

Não podemos assistir impassíveis que milhares de trabalhadores percam seus empregos. O pedido de acordo de leniência na justiça, previsto na lei, é justamente para manter as obras e evitar o desemprego em massa. Como se explica que os juízes da Lava Jato sejam contra esses acordos?

Mais grave é chamar os EUA para ajudar na investigação de corrupção na Petrobrás, como faz Moro. Isso é botar a raposa para tomar conta do galinheiro. Os americanos estão de olho no pré-sal. Em 2009, o Wikiliks interceptou telegrama onde o então candidato à presidência José Serra, do PSDB, prometia à petroleira americana Chevron mudar a lei do pré-sal, para favorecê-la, caso eleito. A Folha de São Paulo divulgou a denúncia.

Serra perdeu as eleições, mas não desistiu dos seus propósitos. Em sua saga entreguista, o agora senador José Serra apresenta ao Congresso Nacional emenda à lei do petróleo com o mesmo conteúdo prometido à Chevron. É preciso, ainda, levar em conta que os EUA não reconhecem o mar territorial brasileiro (200 milhas), onde se situa grande parte do nosso pré-sal.

Estamos diante de erros grosseiros das nossas autoridades judiciais ou tudo faz parte de um plano criminoso para destruir o PT, desestabilizar o governo Dilma, destruir a Petrobrás e entregar o pré-sal às petrolíferas estrangeiras?

*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).