Via Moon of Alabama -
Dá-se sempre enorme destaque ao ponto de vista ‘ocidental’
sobre a Operação Overlord[1] da 2ª. Guerra Mundial. De fato, a invasão do
‘Dia-D’ e o mês subsequente de combates no Front Ocidental, foram
estrategicamente muito menos importantes que as operações dos soviéticos no
Front Oriental.
Sem a operação soviética paralela – Operação Bragation[2] –,
a invasão da fortaleza Europa no oeste teria falhado. Se se consideram os
números das forças envolvidas e de forças alemãs destruídas, pode-se dizer,
sim, que a Operação Overlord não passou de movimento para manter ocupadas as
divisões alemãs, enquanto o ataque soviético no leste destruía todos os
exércitos nazistas.
Na Conferência de Teerã,[3] no inverno de 1943, Churchill,
Roosevelt e Stalin [nomes listados em ordem alfabética (NTs)] alinharam as suas
estratégias. A declaração distribuída pelos três líderes, na conclusão da
conferência, dia 1/12/1943, registrava as seguintes conclusões militares:
A invasão da França pelo canal (“Operação Overlord”) seria
lançada durante maio de 1944, em conjunto com uma operação contra o sul da
França. Essa operação seria lançada com a força máxima possível com os
equipamentos de desembarque existentes. Adiante, a conferência registrou a
declaração de Joseph Stálin, de que as forças soviéticas lançariam
uma ofensiva mais ou menos no mesmo momento, com o objetivo de impedir que as
forças alemãs se transferissem do Front Oriental para o Front Ocidental”.
Stálin fez muito mais que cumprir o que prometera:[4]
As brigadas do Exército Vermelho e combatentes da
Resistência, entre os quais muitos judeus e foragidos de campos de
concentração, plantaram 40 mil cargas de demolição. Devastaram as estradas de
ferro, vitais para a conexão entre o Centro do Exército Alemão e suas bases na
Polônia e no leste da Prússia.
Três dias depois, dia 22/6/1944, no terceiro aniversário da
invasão de Hitler contra a União Soviética, o marechal Zhukov deu a ordem para
o assalto principal contra as linhas alemãs. 26 mil armas pesadas pulverizaram
as posições avançadas dos alemães. Os gritos dos foguetes Katyusha foram
seguidos pelo rugido de 4 mil tanques e pelos gritos de combate (em mais de 40
línguas) dos 1,6 milhão de soldados soviéticos. Assim começou a Operação
Bagration, assalto contra um front alemão de mais de 600 quilômetros.
A ofensiva soviética do verão foi várias vezes maior que a
Invasão da Normandia, tanto na escala das forças envolvidas quando no preço
direto que custou aos alemães.
No final do verão, o Exército Vermelho chegara já às portas
de Varsóvia e às trilhas entre os Cárpatos que levam à Europa Central. Tanques
soviéticos já haviam tomado em movimento de pinça o Centro do Exército Alemão e
o destruíram. Só na Bielorrússia, os alemães perderiam mais de 300 mil homens.
Outro gigantesco exército alemão fora cercado e seria aniquilado ao longo da
costa do Báltico. E estava aberta a estrada para Berlim”.
No total, cerca de 70-80% das baixas alemãs aconteceram no
Leste. Em junho, julho de agosto de 1944 os soviéticos, só eles, destruíram
cerca de 28 divisões alemãs, força alemã maior que a que havia no Front
Ocidental no Dia-D.
Dá vergonha ver a quantidade de propaganda que se consome
sobre o Desembarque da Normandia, se comparada à ausência de qualquer
reconhecimento e homenagem aos imensíssimos esforços dos soviéticos no Front
Oriental.
[2] Ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Bagration [3] Ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Teer%C3%A3
[4] 11/6/2004, The Guardian, “O resgate do soldado Ivan”
http://www.theguardian.com/world/2004/jun/11/russia.secondworldwar



