CARLOS CHAGAS -
Voltam-se as atenções para terça-feira, depois de amanhã. O PMDB realizará convenção para decidir se continua aliado ao PT, formalizando a indicação de Michel Temer para vice de Dilma Rousseff. A presidente estará presente com o Lula a tiracolo, numa demonstração de que as cúpulas se entendem. Nas bases, nem tanto. Os dois partidos ainda batem de frente na escolha de candidatos a governador em pelo menos quinze estados. Na hipótese de desentendimento na maioria deles, cada um apresentará seu indicado, complicando-se o quadro quando forem buscar aliados em outras legendas. Nessa hora, ou até antes, diretórios estaduais do PMDB aceitarão aderir a candidatos presidenciais que não Dilma, em troca do apoio do PSDB ou do PSB a seus candidatos a governador.
Assim vai-se definindo a dissidência peemedebista, que daqui a dois
dias mostrará a unhas. Dos 740 votos dos convencionais, menos de 100
votarão contra a aliança com o PT, ou seja, contra Dilma e até contra
Michel Temer. As seções onde há mais dissidentes são Pernambuco, Rio
Grande do Sul e Rio de Janeiro. Entre os fluminenses, já houve até
festa para publicamente apoiarem Aécio Neves.
O ex-presidente Lula dedica-se, neste fim de semana, a convencer
possíveis dissidentes a permanecerem fiéis ao acordo com o PT. Tem
telefonado para muitos e exaltado a aliança.
No fundo, não apenas a questão das sucessões estaduais atrapalha a
unanimidade do PMDB. Muitos de seus parlamentares queixam-se do
tratamento recebido de Dilma Rousseff. Gostariam não apenas de mais
ministérios, apesar de possuírem cinco. Ressentem-se de atenções e de
considerações. Além, é claro, de mais nomeações para o segundo escalão
do governo.
UM PRESIDENTE EXPLODE MAS NÃO CORRE
Vai um episódio do passado que talvez possa servir de exemplo para a presidente Dilma.
Costa e Silva era presidente da República, o avião presidencial era
um BAC-One Eleven, pilotado por um de seus ajudantes de ordem.
Preparavam-se para aterrissar no aeroporto Santos Dumont quando um vento
de cauda fez das suas e levou o trem de pouso a raspar nas pedras da
cabeceira da pista. Nada que o competente major Ariel não contornasse,
mas quando os motores foram desligados, o chefe do serviço de Segurança,
major Hilton Vale, apressou-se a pedir que a comitiva abandonasse
rápido a aeronave, até correndo. Como se Costa e Silva mantivesse o
passo normal, o militar ousou aconselhar: “presidente, vamos correr. O
avião pode explodir!”
Resposta do velho marechal: “Um presidente explode mas não corre.”
Diante da continuada queda em seus índices de preferência nas
pesquisas, há entre os auxiliares de Dilma quem a aconselhe a redobrar o
ímpeto de viagens e pronunciamentos pelo país, para evitar a explosão
de sua candidatura à reeleição. Bem que ela poderia retrucar que uma
presidente e candidata pode explodir, mas correr, jamais…



