ALCYR CAVALCANTI -
Um sistema de
transportes muito caro e pouco eficiente tem provocado uma serie de protestos deixando
as autoridades perplexas que tem usado o aparato repressivo como a única
solução, podendo levar a uma escalada da violência em um ciclo interminável. Milhões
de trabalhadores são prejudicados, outros milhões de alunos continuam
despreparados com um numero reduzido de horas-aula sem que haja um acordo entre
as partes, conduzindo toda uma geração para um futuro incerto. A ineficiência
dos governantes em face de uma política de transportes leva a crer que existe
um grande acordo entre os empresários que exploram a rede de transportes e os
responsáveis pelas concessões que deveriam ser fiscalizadas com rigidez pelos
órgãos reguladores. Em nossa frágil democracia isso é quase impossível devido á
relação de forças, e principalmente ao financiamento de campanha em um ano de
eleição.
O
Passe livre
Os protestos de rua
contra um sistema de transportes que não funciona, ou quando funciona é de
maneira precária foi o estopim em junho de 2013 para um rosário de
manifestações contra o governo federal, estadual e municipal pedindo passe
livre. No fundo todos os governantes tem sido responsáveis, seja pela omissão
seja pela incompetência, sejam por acordos feitos à plena luz do dia, ou na
calada da noite, com intermediários transportando sorrateiramente dólares na
cueca, ou em cavidades anatômicas quais “mulas” a serviço do narcotráfico. Os
trabalhadores que movimentam a riqueza do país necessitam de um sistema que
funcione com rapidez, e conforto para facilitar o deslocamento da casa para o
trabalho. Transporte público deveria ser um bem para todos e visto pelos
governantes como essencial, com passagens bem mais baratas, ou gratuitas e não
como está em todo o país, do Oiapoque ao Chuí onde existe uma regra: “Não
existe transporte para a massa, mas sim para beneficiar os barões do transporte”.
Uma norma que aparece com mais nitidez principalmente em época da difícil escolha
de governantes que dependem dos milhões das empreiteiras para seduzir um povo
sofrido e à beira do desespero.
O metrô poderia ser uma
solução, mas somente foi estendido para a Zona Sul, enquanto a Linha2 (Pavuna)
funciona precariamente, e a modificação do plano de extensão não deu nenhuma
melhoria, a chamada malha viária ficou apenas no papel. O metrô funciona
somente em uma direção, ao contrário das outras cidades, onde funciona como uma
rede, sistema bem mais eficiente. O sistema hidroviário que poderia resolver o
fluxo de passageiros de Niterói para o Rio, além de preços extorsivos é lento e
tem apresentado uma serie de problemas. O sistema ferroviário dispensa
comentários. Trens caindo aos pedaços. Enquanto isso as melhorias ficam
adiadas, quem sabe, para outro milênio.
Embora alguns teóricos e
“especialistas em transportes” mal informados ou interessados em manter o caos
atual coloquem a culpa nos manifestantes, fazendo a acusação de que é difícil entender por que protestam rejeitando o diálogo,
mostra um total desconhecimento da realidade do dia a dia dos transportes na
outrora cidade maravilhosa. Seria aconselhável fazer um tour de Nova Iguaçu ou
da Zona Norte até o Recreio dos Bandeirantes às sete da manhã ou de volta às
cinco da tarde e talvez mudassem de ideia. E quem sabe, os governantes únicos responsáveis
pela crise atual chamassem os manifestantes para o diálogo, em vez de ordenarem
a repressão como norma, assumindo o compromisso de melhorar um sistema de
transportes muito caro, caótico e ultrapassado, um desserviço para aqueles que
no dia a dia dependem de um transporte chamado público.


