29.5.14

UM SISTEMA DE TRANSPORTES MUITO CARO E POUCO EFICIENTE

ALCYR CAVALCANTI -
 

Um sistema de transportes muito caro e pouco eficiente tem provocado uma serie de protestos deixando as autoridades perplexas que tem usado o aparato repressivo como a única solução, podendo levar a uma escalada da violência em um ciclo interminável. Milhões de trabalhadores são prejudicados, outros milhões de alunos continuam despreparados com um numero reduzido de horas-aula sem que haja um acordo entre as partes, conduzindo toda uma geração para um futuro incerto. A ineficiência dos governantes em face de uma política de transportes leva a crer que existe um grande acordo entre os empresários que exploram a rede de transportes e os responsáveis pelas concessões que deveriam ser fiscalizadas com rigidez pelos órgãos reguladores. Em nossa frágil democracia isso é quase impossível devido á relação de forças, e principalmente ao financiamento de campanha em um ano de eleição. 

O Passe livre 

Os protestos de rua contra um sistema de transportes que não funciona, ou quando funciona é de maneira precária foi o estopim em junho de 2013 para um rosário de manifestações contra o governo federal, estadual e municipal pedindo passe livre. No fundo todos os governantes tem sido responsáveis, seja pela omissão seja pela incompetência, sejam por acordos feitos à plena luz do dia, ou na calada da noite, com intermediários transportando sorrateiramente dólares na cueca, ou em cavidades anatômicas quais “mulas” a serviço do narcotráfico. Os trabalhadores que movimentam a riqueza do país necessitam de um sistema que funcione com rapidez, e conforto para facilitar o deslocamento da casa para o trabalho. Transporte público deveria ser um bem para todos e visto pelos governantes como essencial, com passagens bem mais baratas, ou gratuitas e não como está em todo o país, do Oiapoque ao Chuí onde existe uma regra: “Não existe transporte para a massa, mas sim para beneficiar os barões do transporte”. Uma norma que aparece com mais nitidez principalmente em época da difícil escolha de governantes que dependem dos milhões das empreiteiras para seduzir um povo sofrido e à beira do desespero. 

O metrô poderia ser uma solução, mas somente foi estendido para a Zona Sul, enquanto a Linha2 (Pavuna) funciona precariamente, e a modificação do plano de extensão não deu nenhuma melhoria, a chamada malha viária ficou apenas no papel. O metrô funciona somente em uma direção, ao contrário das outras cidades, onde funciona como uma rede, sistema bem mais eficiente. O sistema hidroviário que poderia resolver o fluxo de passageiros de Niterói para o Rio, além de preços extorsivos é lento e tem apresentado uma serie de problemas. O sistema ferroviário dispensa comentários. Trens caindo aos pedaços. Enquanto isso as melhorias ficam adiadas, quem sabe, para outro milênio. 

Embora alguns teóricos e “especialistas em transportes” mal informados ou interessados em manter o caos atual coloquem a culpa nos manifestantes, fazendo a acusação de que é difícil entender por que protestam rejeitando o diálogo, mostra um total desconhecimento da realidade do dia a dia dos transportes na outrora cidade maravilhosa. Seria aconselhável fazer um tour de Nova Iguaçu ou da Zona Norte até o Recreio dos Bandeirantes às sete da manhã ou de volta às cinco da tarde e talvez mudassem de ideia. E quem sabe, os governantes únicos responsáveis pela crise atual chamassem os manifestantes para o diálogo, em vez de ordenarem a repressão como norma, assumindo o compromisso de melhorar um sistema de transportes muito caro, caótico e ultrapassado, um desserviço para aqueles que no dia a dia dependem de um transporte chamado público.