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| Soldado chinês participa das manobras realizadas com os russos. |
A fase ativa das manobras conjuntas da Rússia e da China com o nome de Cooperação Naval 2014
terminou, nesta terça-feira, com exercícios de fogo real de artilharia
contra alvos flutuantes e aviões-alvo não tripulados. A barragem de
artilharia pode ser vista a quilômetros, em uma demonstração inusitada
da cooperação militar entre os dois países-membros do Conselho de
Segurança das Nações Unidas. Em nível estratégico, as manobras deixaram
clara a intenção russa de colaborar com os chineses na segurança da
região, onde os japoneses têm aumentado o poderio bélico em torno de
ilhas em disputa no Pacífico.
Nas próximas horas, a frota inicia o regresso a Xangai, segundo
informe do serviço de imprensa do Ministério da Defesa da Federação
Russa. A força naval russa da Frota do Pacífico saiu de Vladivostok em
14 de maio e, em 18 de maio os navios chegaram à China para participar nos exercícios navais conjuntos. Na quinta-feira da semana passada, teve início a fase ativa das manobras.
“As forças principais de ambas as partes estiveram envolvidas em
busca, detecção e ataque a um submarino do inimigo convencional”,
informa o comunicado.
Depois dos exercícios, os navios de ambos os países prosseguiram para
o ancoradouro, onde se procedeu aos abastecimentos e à preparação para a
passagem até ao porto de Xangai, informa o serviço de imprensa da
marinha russa.
Poder de fogo
Os dirigentes dos dois países, agora, escolhem uma região para
realização de futuras manobras. Os resultados destes exercícios serão
analisados mas, já hoje está claro que a Rússia e a China irão efetuar doravante operações marítimas de grande porte à margem de ações antipirataria e antiterrorismo ordinárias.
Em uma situação imaginária, foi descoberto um alvo aéreo não
identificado que se aproximava de navios de guerra de ambos os países.
Para identificá-lo, levantaram voo um avião russo Su-30MK2 e um chinês
J-10. Como se apurou, o “infrator” era um drone do “adversário”, capaz
de alvejar a esquadra. Mas o sistema antiaéreo russo AK-630, com a
capacidade de 6 mil disparos em um minuto, esburacou-o, fazendo dele uma
“peneira” e impedindo assim a sua intervenção. De repente, se deteta um
sinal de outro perigo, desta vez, de um submersível “alheio”. Este
alvo, também detetado a tempo, ficou aniquilado por meio de cargas de
profundidade.
Todos os cenários foram treinados com êxito. Tais exercícios se realizam pelo terceiro ano consecutivo. E os cenários se tornam cada vez mais complicados.
Antes, era preciso treinar a interação de dois navios. Hoje, para
tanto, foi criado um grupo de navios misto. Para participar de manobras
no mar de China Oriental a foi envido um destacamento de embarcações da
Frota do Oceano Pacífico, incluindo o cruzador lança-mísseis Varyag, um
destroyer, um navio de luta antissubmarina, um navio de desembarque e
navios de apoio e escolta. Ao todo, da parte russa, das manobras
participaram seis navios de superfície e embarcações de apoio, dois
helicópteros e uma unidade de fuzileiros navais. A China destacou seis
vasos de guerra.
Estratégia de interação
A sua atuação conjunta implicou o cumprimento de missões técnicas
complicadas. De notar que os navios chineses se encontravam sob o
comando russo e vice-versa. Até a barreira linguística não impediu que
os marinheiros cumprissem com sucesso todas as missões incumbidas,
constata o comandante do destacamento de navios russos, da Frota do
Oceano Pacífico, Serguei Lipilin:
– A fase de preparativos na costa decorreu muito bem. Na fase
marítima, os navios russos e chineses vieram demonstrar uma boa
interação e os hábitos práticos. Foram executados os tiros sobre alvos
marítimos e aéreos – afirmou o comandante.
As manobras foram inauguradas pelos presidentes Vladimir Putin e Xi
Jinping no decurso de uma visita oficial à China do líder russo. Claro
que ambos os líderes tinham supervisionado a estratégia da interação
russo-chinesa no mar. Mas essa foi a primeira vez em que os chefes dos
dois países inauguraram as manobras conjuntas.
O fato de um ato de abertura solene ter sido incluído na agenda das
negociações significa a existência de uma nova realidade geopolítica
surgida após a crise na Ucrânia. É notório que no espaço aquático do mar
de China Oriental se realizam exercícios militares dos EUA e da Coreia
do Sul, o que deixa apreensiva a China. Por isso, as manobras
russo-chinesas têm sido encaradas como uma resposta adequada às manobras
conduzidas por países próximos da OTAN.
No entanto, tanto a Rússia, como a China não confirmam uma intenção
de criar uma aliança militar na ausência de premissas e condicionantes
reais para isso. Foi salientado o carácter defensivo dos exercícios em
que os militares podem treinar ações conjuntas, atendendo aos desafios
diversos.



