MIRANDA SÁ -
De longe, a gente vê o Brasil com uma lupa. A minha experiência é
antiga; sempre que estou fora do País enxergo as coisas com mais
clareza, e agora que estou convivendo com uma realidade semelhante – o
narco-populismo de Cristina K – me convenço de que o cinismo
lulo-petista atingiu o auge…
Comprovei isto, assistindo as respostas dos MAVs às mensagens no
Twitter mostrando fotos do relacionamento íntimo de Lula da Silva e da
sua laranja presidencial, confraternizando com os fantasmas do passado
Sarney, Collor, Renan. As marionetes mantêm os mesmos argumentos: “O
PSDB e FHC tinham as mesmas relações…”
Silenciam, porém, quando aparecem os fantasmas do presente,
mensaleiros corruptos presos na Papuda, o falsário Pizzolato na Itália, e
os sempre sorridentes André Vargas, Padilha e Paulo Roberto Costa –
companheiros de fé. Calam-se porque a companheirada nada tem a ver com o
tucanato.
Vou usar um velho clichê: é um cinismo revoltante. Este cinismo nada
tem a ver com os filósofos Antístenes de Atenas e Diógenes de Sínope,
neo-socráticos, fundadores da Escola Cínica. Àqueles pregavam um retorno
à vida austera dos gregos; os cínicos lulo-petistas, ao contrário,
querem a volta da esbórnia politiqueira que o seu partido antes
condenava.
O PT se igualou ao que havia pior na política brasileira. Emparceirou
com os 300 picaretas denunciados por Lula da Silva quando fingia
combater a corrupção, embora pelego da Volkswagen e, segundo Tuma Jr.,
alcagüete do Dops paulista, sob o codinome “Barba”.
Os iludidos (se os há) representam uma fração por um inteiro. A velha
militância, que se afasta envergonhada, denunciando as descobertas,
algumas tardias, das estripulias do pelego-mor e da pelegada que o
acompanha; os que ficaram são os caranguejos da utopia socialista,
andando para trás na busca de um passado obsoleto com as bandeiras
desbotadas de uma ideologia defunta.
Os novos são arrivistas, carreiristas, mercenários e oportunistas.
Quando não estão pendurados nas tetas da administração federal recebem
algo por fora… São estes que foram recrutados pela hierarquia do partido
interno para “agitar” as redes sociais. Além dos blogueiros
chapas-branca – com o banner de alguma estatal – surgiram os MAVs, com
direito a congressos e seminários para aprender a atuar no mundo da
Internet.
Estão fadados ao fracasso. São bloqueados pela má-educação ou
linguagem inadequada; ou isolados pela ignorância do mundo real na
cegueira da propaganda enganosa do virtual País das Maravilhas.
Os MAVs nem sequer alcançam o cinismo profissional da pelegagem;
ficam no andar de baixo (ou nos porões) formando a rede de imposturas e
de exageros na dissipação do dinheiro público. São aqueles cachorrinhos
da antiga propaganda da RCA Victor ao pé do alto-falante ouvindo a voz
do dono.
Felizmente não teem condições de iludir ninguém, a não ser os que
querem ser iludidos ou tiverem interesse nisto. Nós, que lemos os
pensamentos de Abraham Lincoln, sabemos que: “Você pode enganar uma
pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue
enganar todas por todo o tempo.”
Quando um cínico lhe provocar pergunte-lhe pela inflação. Ele calará
porque a inflação é indisfarçável. Ele não pode usar a estatística
maquiada do PT-governo, porque os números dos preços na feira não mentem
jamais.
O Índice de Preços Gerais do Mercado (IGP-M) sobe mês a mês. No
primeiro trimestre já superou os números do mesmo período do ano
passado. E a maior pressão veio dos gêneros alimentícios. Esse é o
retrato de corpo inteiro do dragão, que havia sido acorrentado nos
subterrâneos da República pelo Plano Real.
A volta da inflação radiografa a incompetência do PT-governo, e de
sobejo o cinismo do ministro Mantega e de Tombini, presidente do Banco
Central. Eles amordaçaram os institutos sérios deste País, o IPEA e o
IBGE sob protestos dos seus pesquisadores e técnicos, mas de nada
adiantou.
O problema está longe de ser apenas a alta dos preços. Ela vem
associada ao crédito, aos gastos públicos, à renda familiar e às leis do
mercado. Está na intervenção política no câmbio e nos juros.
A política econômica de Dilma – o mamulengo de Lula – está fora dos
eixos. Rebaixamentos da nota do Brasil pela Standard & Poor’s
apontam o excesso de gastos do PT-governo, o desperdício e a corrupção.
Lápis, base, cremes, batom e blush da “contabilidade criativa” é uma
maquiagem que já não trapaceia.
E não é só a inflação econômico-financeira. É a inflação do cinismo.



