Via Agência Brasil -
No dia da exposição da taça da Copa do Mundo em Brasília,
manifestantes e policiais militares entraram em confronto no centro da
cidade. O Eixo Monumental, uma das principais vias da capital, ficou
interditado no fim da tarde enquanto tropas da Polícia Militar (PM)
dispersavam as milhares de pessoas com bombas de gás lacrimogêneo. Três
manifestantes foram presos e pelo menos duas pessoas foram levadas ao
Hospital Regional da Asa Norte com ferimentos leves. Um policial foi
atingido por uma flecha, mas sem gravidade, de acordo com a PM.
O
protesto teve a participação de povos indígenas, de integrantes do
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do Comitê Popular da Copa.
O tumulto forçou o cancelamento do evento da Fifa, próximo ao Estádio
Nacional de Brasília.
A manifestação começou pacífica, na Rodoviária do Plano Piloto. Os
ativistas fizeram um julgamento popular do que apontam como violações de
direitos humanos ocorridas na realização da Copa do Mundo. “É um
julgamento fictício onde denunciamos o sentido dessa copa, que é
fortalecer cada vez mais um Estado autoritário que não permite a
participação popular e avança cada vez mais na desigualdade social e na
repressão do povo”, disse Chico Carneiro, membro do Comitê Popular da
Copa do Distrito Federal.
Em
seguida, com o reforço dos povos indígenas, que ocuparam hoje (27) a
marquise do Congresso Nacional, o grupo seguiu pelo Eixo Monumental rumo
ao Estádio Nacional de Brasília, onde a taça da Copa estava sendo
exibida. Nas proximidades da Torre de TV, a cerca de 700 metros da
arena, policiais e manifestantes iniciaram o confronto.
A polícia
atirava bombas de gás contra os manifestantes, que respondiam com
pedradas. Índios respondiam às bombas com flechas. Thiago Ávila, também
do Comitê Popular da Copa, reclamou da postura da polícia. “A polícia
combinou com a gente que poderíamos nos aproximar do estádio. Então,
formaram uma barreira com cavalos e impediram a gente de passar”.
Edson
Francisco da Silva, coordenador do MTST, também criticou a reação da
PM. “A atuação da polícia foi lamentável, porque nós nem chegamos perto e
começaram a jogar bomba, a cavalaria foi pra cima.”
De acordo
com o coronel Jaílson, comandante da PM na operação, o ato poderia ter
avançado mais se não tivesse havido agressões contra policiais. “Um
policial nosso foi atingido por uma flechada e outros por pedradas, foi
isso de desencadeou o problema. [se não tivessem agredido a polícia]
Poderiam ter avançado mais, até próximo de onde estava a tropa, sem
problema nenhum”.
O confronto teve início por volta das 17h e
durou cerca de 40 minutos. Com a confusão, a visitação à taça da Copa
do Mundo foi suspensa. “Retiramos a taça por segurança. Jamais
permitiremos que o nosso país seja colocado em xeque junto à imprensa
internacional”, disse o coronel.
Em nota, o governo do Distrito
Federal (GDF) aprovou a atuação da polícia. “A operação foi eficiente,
já que protegeu o grande público, especialmente crianças, estudantes e
idosos que estavam no evento de visitação à taça da Copa do Mundo”. O
GDF explicou ainda que os policiais tiveram que conter a manifestação
“no limite estabelecido para segurança dos visitantes que estavam na
tenda onde estava a taça”.



