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Joaquim Barbosa consegue feito inédito para um presidente do Supremo:
está completamente isolado; da Procuradoria Geral da República à Ordem
dos Advogados do Brasil, passando pelo STJ e as maiores associações de
magistrados, ele é visto como elemento de "insegurança jurídica",
"vingativo", "desrespeitoso" e "premeditadamente agressivo"; ministro
violou entendimento do STJ de 2009 para derrubar direito ao trabalho
externo de presos em regime semiaberto; a cinco meses do final de seu
mandato, Barbosa pode, a qualquer momento, sair fazendo barulho; porta
dos fundos da história da Justiça está aberta para ele.
Num feito inédito para um presidente
do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa conseguiu: está
completamente ilhado em relação a seus colegas do Poder Judiciário. Do
Procurador Geral da República ao presidente da Ordem dos Advogados,
passando pelo plenário do Superior Tribunal de Justiça e todas as
principais associações de magistrados, além do Conselho Nacional de
Justiça, não há instância na qual Barbosa consiga angariar admiração.
Quanto mais apoio ou compreensão.
O passo mais recente do ministro
para se distanciar ainda mais do meio jurídico foi a revogação, na
prática, de um entendimento de 2009 do STJ, que garantia o direito a
trabalho externo aos condenados em regime semiaberto. O gesto foi
classificado como elemento de "insegurança jurídica" pelo procurador
geral Rodrigo Janot. O presidente da OAB, Marcus Vinícius Coelho, viu na
decisão uma ação "vingativa" contra os condenados na AP 470, mas que
tem potencial para prejudicar 77 mil presos em todo o País beneficiados
pelo semiaberto.
Antes, quando atacou duramente a
criação de novos tribunais federais nos rincões do País, chamando de
"sorrateiro" o apoio de juízes ao projeto de lei que tramitava no
Congresso, Barbosa foi apontado pela Associação dos Magistrados
Brasileiros, a Associação dos Juízes Federais do Brasil e a Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho como "desrespeitoso,
premeditadamente agressivo, grosseiro e inadequado ao cargo que ocupa".
A exceção de arrimo a Barbosa é o
ministro Marco Aurélio Mello. Apesar de todos os ataques feitos pelo
próprio Barbosa ao plenário de "maioria de circunstância" do STF –
conforme definiu no encerramento do julgamento da AP 470 -, Mello tem
considerado correto o modo como o presidente da corte aplica as penas
sobre os condenados. "A conta-gotas", divertiu-se. Na terça-feira 27,
novamente Mello fechou com Barbosa ao negar os apelos de trabalho
externo para o ex-presidente do PT José Dirceu. Mas é só ele.
Fazendo barulho com decisões que
trombam com pilares da Justiça, como é a questão do trabalho externo,
Barbosa está colocando em prática o que ele mesmo vem anunciado de
maneira cifrada. Antes do final de seu mandato, em novembro, como já
admitiu, deverá deixar o cargo. A dúvida sobre o melhor momento parece
residir no quanto de influência sobre as eleições presidenciais de
outubro ele perderá ao pendurar a toga. Num país em que a instabilidade é
crescente, jogar no aumento da instabilidade é uma aposta fácil de
fazer para quem está cercado pelas garantias de presidente do STF.
Pelas reações do meio jurídico ao
seus posicionamentos, Barbosa é o primeiro a saber que lhe falta clima
para prosseguir no cargo. Mas isso é o menos importante. O mais
relevante é dar um desfecho tão teatral ao seu mandato como tem sido a
sua gestão. Mesmo que a classe jurídica aponte a porta dos fundos para
ele, como tem feito, o que parece fazer a diferença para Barbosa é
apenas entrar para a história pelo ineditismo do isolamento.



