23.4.14

NA CAMPANHA LULA FALARÁ AOS POBRES. OUVIRÁ OS RICOS. VIVERÁ COMO UM PRÍNCIPE. COM DILMA, NOS PALANQUES, DIRA DE FORMA INVERSA A FRASE DE NAPOLEÃO: “MEU CAVALO POR UM REINO”. COPA SERÁ O TIRO NO PÉ DE DILMA/LULA/PT

ROBERTO MONTEIRO PINHO - 
Para quem sabe ler “um pingo é letra”, para quem analisa pesquisas, a rejeição é fator de risco para qualquer candidatura, até porque reverter o voto do eleitor que rejeita o candidato depende enormemente do conjunto de êxito da administração, ou dos seus pronunciamentos. Dilma Rousseff na corrida pela reeleição erra assiduamente, administra tagarelando palavras de ordem, quando pronuncia em público, e nos discursos é constantemente vaiada. Para completar repete o mesmo tom da campanha de 2010, quando o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, trazia na bagagem 86% de aprovação do seu governo. Agora, tem mensalão, Petrobrás/Passa dina/BNDES e a Copa do Mundo, esta será com certeza, o divisor eleitoral, é tudo ou nada PAR Dilma e o projeto de poder do PT.

Os números começam perturbar a turma da boquinha petista, é que segundo a pesquisa Ibope, divulgada na quinta-feira (17) o porcentual de pessoas que não votariam em Eduardo Campos de jeito nenhum está em 21%, ante 33% de Dilma e 25% de Aécio Neves. Dilma com 33%, não reverte, nem com Lula montado no cavalo branco de Napoleão. No palanque falará aos pobres, depois ouvira nos ambientes fechados e nos porões das articulações pelo poder os ricos. No entanto existe a probabilidade do “sapo barbudo”, que se referia Brizola, se transfigurar num performático príncipe, e com sua magia, transformará tudo que é de ruim em preciosidade, dádivas que só um tupiniquim, poderá admitir, e isso aqui infelizmente não faltará.

Ocorre que para os petistas, a Copa é a campanha, e para os concorrentes a campanha é a Copa, inverso, mas politicamente correto, os dois apostam numa só “sorte grande”. Nas postagens da rede social facebook, os petistas amargam números absurdos de rejeição, são deletados, excluídos e massacrados pelos internautas. Os infiltrados petistas, são atrevidos, insistem, colam, entram por todos os lados, mas são deletados, uma vergonha, coisa que eles ignoram ou não possuem.

Suponhamos que tudo corra bem com a Copa, a oposição, na avaliação do cientista político Sérgio Praça, pode "perder tempo" tentando explorar escândalos menores na tentativa de atingir a imagem da presidente Dilma Rousseff (PT), que lidera a disputa pela reeleição com 37% das intenções de voto no cenário mais provável, que inclui pré-candidatos de partidos pequenos. "Esses escândalos não vão colar, a não ser que tenham uma ligação muito direta com Dilma ou com um ministro forte dela, como o Mantega", afirmou. "A mídia tem uma tendência de enfatizar os escândalos, o que pode levar a superestimar o impacto eleitoral dessas notícias. Precisa ver o quanto o escândalo é inteligível pelo eleitorado". 

BLINDAGEM, GOVERNISMO E MENSALÃO

No arquivo do “Estadão”, estão anotados os registros do inicio do mensalão. Em março de 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrentou seu primeiro revés na Câmara, num claro e insofismável sinal de que algo não ia bem. Quem combinou e pagava a base aliada para dar sustentação ao governo federal na Câmara, falhou  isso, levou o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson a denuncia de que existia uma caixa registradora funcionando via PT/governo Lula, para que os projetos do governo fossem aprovados.  Na síntese do “estadão, Lula (...) sofreu a sua maior perda de apoio na Câmara dos Deputados. As dificuldades do governo em votações como a reforma da Previdência, em março de 2005, eram um sinal de que já havia uma crise na base governista, que precedeu a crise política explicitada a partir da denúncia de Jefferson.

Se Dilma tem hoje a rejeição de 33%, lincando a taxa de governismo na Câmara (isso mesmo apelidado de “Basômetro”), no governo Lula, só no bimestre março/abril de 2005 caiu 11 pontos percentuais, quando no período anterior era de 76%, descendo então para 65%. O índice oscilou até sofrer a queda brusca às vésperas da denúncia do mensalão, feita em junho de 2005, informou o “Estadão”. Mas o fato é que hoje, sem mensalão aparente, a presidente Dilma Roussef, tem dificuldades para aprovar as propostas do governo.

Em março de 2014, ou seja: nove anos após a denúncia, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, o julgamento dos 64 envolvidos, 24 dos quais acusados de envolvimento no esquema de compra de apoio político na Câmara pelo PT nos dois primeiros anos do governo Lula, 13 dos quais condenados. Tão logo saiu a sentença, Lula ligou para seus colegas do PT e disse "Estamos juntos”. Ao sabor de uma blindagem, que faz inveja aos mais inescrupulosos gangsters do planeta.  A palavra do príncipe Lula, para não respingar neles e Dilma, é a de manter a lei do silêncio sobre os desdobramentos do mensalão, direito que detém por força do instituto de que ninguém é obrigado fazer prova contra si mesmo.

Os ânimos estão acirrados em Brasília, e a crise política entre PT e PMDB na Câmara dos Deputados é latente. O líder do PMDB Eduardo Cunha, ainda defende abertamente o fim da aliança com o PT. Para tentar aplacar a crise, a presidente da República, Dilma Rousseff, convocou em março uma reunião para negociar, mas foi péssima articuladora, e Lula veio de bombeiro, aplacar a ira peemedebista. Agora vão negociar parte dos palanques regionais para as próximas eleições de outubro, e com isso tentar, conter o crescente grupo de peemedebistas insatisfeitos com seu governo.

Mesmo assim em São Paulo a situação é muito difícil para o PT, não tem clima político e não tem mais o voto de outrora, e no nordeste, a situação está na penumbra, ninguém sabe, ninguém viu, ninguém decide, ao menos no PMDB, afinal ninguém quer perder mandato, todos pensam em se eleger ou se reeleger.

Uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) mostra em março que o apoio do PMDB a Dilma tem diminuído de forma constante desde a eleição da presidente. Em 2011, 90% dos deputados do PMDB apoiavam projetos do governo na Câmara, mas esta porcentagem caiu para 71% e 61% nos dois anos seguintes.

O problema hoje é que os Integrantes do PMDB reclamam, e muito, do estilo autocrático da presidente, da falta de participação nas decisões do governo e de sua remodelação governamental, que têm beneficiado apenas os membros do PT. Muitos defendem que a maior legenda aliada da presidente mereceria mias cargos que os atuais cinco ministérios. Eles também pressionam para que mais dinheiro público seja destinado as suas bases eleitorais. Além disso, os partidos mantêm divergências sobre palanques regionais em estados importantes, como Rio de Janeiro, Bahia e, em menor medida, Ceará. 

Cresce também a expectativa do pós Copa do Mundo, tudo depende da Copa, se o Brasil perder ou ganhar, não importa, não poderão acontecer às manifestações populares, mas isso, Dilma pressente, o PT pressente e Lula já sabe, vai ter olé, olá! Parodiando Lula na campanha.