Após oito
dias de paralisação, a greve dos garis chegou ao fim. A Prefeitura aceitou a
contraproposta dos trabalhadores de R$ 1.100 e com todos os devidos adicionais, incluindo hora extra, e o sonhado ticket alimentação de R$ 20 que os trabalhadores exigiam na pauta de reivindicações. Coube aos garis do Rio uma vitória histórica que
aponta novos caminhos e muda o rumo da luta dos trabalhadores, e do povo pobre
do Brasil.
Não foram poucos os obstáculos que os grevistas
enfrentaram para chegar a este acordo. Primeiro, o seu próprio sindicato, que
vinha pelegando e fechando acordos ilegítimos com a Prefeitura, no intuito de
encerrar a greve de maneira arbitrária. Houve também a tentativa de
desqualificar a greve, dizendo que eram apenas 300 em paralisação, apesar das
montanhas de lixo acumulado pela cidade provando o contrário.
Os
guerreiros que não se renderam ao sindicato pelego, muito menos ao prefeito Pinóquio-autoritário-carreirista, à manipulação dos “principais” veículos de comunicação, ao abuso policialesco, nem a chantagem
alguma, conquistaram um novo acordo salarial que elevou o piso da categoria.
A
organização e a resistência de um dos setores mais explorados do serviço
público do país pode ser um divisor de águas, e abre um novo capítulo na luta por direitos, iniciada nas jornadas de junho. Vem aí o tempo de vitórias públicas que impactem na vida dos brasileiros,
que nos garantam ampliar direitos e viver com Democracia real e
justiça social.
Só podemos agradecer e aprender com os valorosos e
indispensáveis Garis, assim mesmo com letra maiúscula. Vocês estão contribuindo
com a luta de classes, fazendo o povão enxergar que precisa voltar, ou ir, para
as ruas. Estão colaborando com a tarefa de abrir o caminho das lutas vitoriosas de 2014, nos lembrando o quanto
é importante à organização popular. Clareando e limpando nossas esperanças.
"Liberdade
de empresa"
O
jornalismo de mercado, em especial as Organizações Globo, durante toda a semana
omitiu informações, fez o que de pior se pode fazer em matéria de jornalismo. A
cobertura da TV Globo minimizou a importante luta e as manifestações,
criminalizou o movimento grevista, esteve sempre ao lado da Prefeitura e de um
sindicado pelego que não responde ao conjunto das reivindicações dos
trabalhadores. Chegou a dizer que haviam partidos políticos por trás da greve,
assim como no caso das manifestações populares e na morte do cinegrafista da
Band.
As
jornadas de junho evidenciaram para as camadas mais pobres da sociedade que precisamos
de outra imprensa, de jornalismo crítico, que possa expor e debater todas as
mazelas do sistema. A cobertura da greve feita pela mídia corporativa reforçou
a evidência e o caráter venal do TV Globo e similares. O Blog Tribuna da
Imprensa online e a imprensa alternativa, cumpriram um papel relevante,
reportar e informar os fatos reais. O descrédito, cada vez maior, é a marca do
jornalismo de mercado que só pensa na “liberdade de empresa”.
Formação
politica de rua e mídias-redes! A mídia de mobilização nas redes impulsionou
a onda laranja para além das ruas e dos guetos. Depois de uma semana de
desqualificação, suspeitas e dissuasão do movimento dos garis, pela mídia
corporativa, o Jornal Nacional deu "uma linha" seca e rápida sobre o
fim vitorioso da greve, sem qualquer imagem de celebração!
Nas redes sociais,
as imagens dos garis postadas pelos midialivristas ou mídiativistas inundaram
as timelines. A transmissão ao vivo pela Midia Ninja mostrou o movimento
desde o primeiro ato e fez circular fotos lindíssimas. Imagens que produzem comoção. O "ao vivo" nas redes traz
a experiência de “estar na rua” e é hoje uma ferramenta decisiva para os
movimentos populares.
Muitos garis compartilharam suas imagens pelos
celulares. A linguagem usada nas ruas de um carnaval-politico, com marchinhas
criticas, a linguagem do humor e dos memes nas redes, e a própria estratégia dos
garis de deixar o lixo acumular, apodrecer, feder e incomodar até o limite, são
formas complementares e táticas de pressão e visibilidade.
Essa greve foi uma aula de ativismo e de comunicação com a cidade. Essa vitória foi mais que especial, apesar de parcial,
ainda não atende as necessidades básicas para a subsistência, mas vermos os
garis nas ruas, não varrendo, mas lutando e conquistando seus objetivos foi uma
imensa satisfação.
Reunião
carnavalesca-reeleitoral
O principal dado comemorado na reunião carnavalesca
do meio da semana, entre Dona Dilma Rousseff, Lula, postes, agregados e
seus principais estrategistas de campanha, sem nenhum escrúpulo, no Palácio da
Alvorada (oficialmente não é sede de campanha). O PT já começa a corrida reeleitoral
com pelo menos 25 milhões de votos garantidos e consolidados para a largada de
Dilma, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Também ficou definida a principal ofensiva da
campanha petista. O ataque será comandado pelo coordenador da área de
Comunicação Digital da campanha, Franklin Martins, como já havia escrito. Os alvos serão aqueles sites
e blogs que fazem oposição sistemática ao PT. A chamada “Militância em
Ambientes Virtuais” promoverá os ataques nas áreas de comentários, com críticas
e tentativas de desmoralização, usando pseudônimos. Ao mesmo tempo, vão inundar
as redes sociais com propaganda pró-ações de governo.
Coma já adiantei, o projeto reeleitoral já dispõe
de pelo menos R$ 2 bilhões. Assim, vai sobrar dinheiro para o investimento em
marketagem política e propaganda muito bem remunerada. O partido promete um
espetáculo de “guerra eletrônica” contra os adversários (que eles preferem
classificar de “inimigos”). Dona Dilma Rousseff, Lula, postes e
pelegos agregados vêm com tudo para continuar no poder.
Com essa
falsa oposição que está aí, com muita grana sobrando e o risco de fraude
eleitoral, ficam mais quatro anos no comando do “condomínio” facilmente (como
eles se referem ao poder, nas conversas reservadas). A não ser que Joaquim
Barbosa queira se aventurar nessa corrida pelo Poder, seria a única forma de tumultuar
a vida dos petistas.
*Com
informações do Coletivo Mídia Informal e Mídia Ninja.





