CARLOS CHAGAS -
Naquela mesa não estava faltando apenas um. Faltaram montes de líderes e dirigentes do PMDB que poderiam contribuir, senão para a pacificação do partido com o PT e o governo, ao menos forneceriam material para entendimentos futuros.
Fala-se da reunião verificada no palácio da Alvorada, na quarta-feira de cinzas, quando apenas compareceram, além da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, figuras de destaque no comando de campanha do segundo mandato. Tudo bem, tinham o direito de reunir-se, não fosse a informação por eles mesmo difundida, de que tratariam do relacionamento entre o PMDB e o PT, ou seja, o governo.
Não houve coragem para convocar os supostos adversários agastados com o tratamento recebido. A começar pelo vice-presidente Michel Temer, através da desculpa de encontrar-se na Disneyword. Com certeza que o sacrificado patrono do PMDB abandonaria o Pateta, o Mickey, o Pato Donald e até os Irmãos Metralha, para participar do esforço que acabou não havendo.
Tempo perdido naquele fim de tarde dedicado a curtir o óbvio, isto é, a divisão de tarefas na campanha de Dilma. Além da presidente e do antecessor, compareceram Aloísio Mercadante, Franklin Martins, Rui Falcão, Giles Azevedo, Edinho Silva e João Santana.Uma claque para ninguém botar defeito, com direito até mesmo a singular foto, onde aparecem como pano fundo para Dilma e Lula dar-se as mãos, um de cada lado da mesa, entre prematuros sorrisos de vitória.Vale repetir, não há nada contra esse tipo de congraçamento. Apenas, não andou um milímetro sequer o entrevero com o PMDB, capaz de perturbar as expectativas de sucesso no primeiro turno da reeleição.
Do chefe da Casa Civil ao ex-ministro da Comunicação Social, do chefe de Gabinete da presidência da República ao presidente nacional do PT e ao presidente do PT paulista, até o marqueteiro-chefe do governo, só risos, aplausos e talvez alguma sobra de confetes e serpentinas para homenagear Dilma e Lula.
Ficou no ar a questão não resolvida e talvez debatida com rancor: o que fazer diante da rebelião no PMDB e penduricalhos? No que depender do Lula, Dilma deveria ceder e oferecer pelo menos um ministério de amplo peso orçamentário aos seus aliados. Ela resiste, não quer dar a impressão de joguete dos fisiológicos, mesmo sabendo que terá problemas.
Um passarinho que entrou na biblioteca do Alvorada durante a reunião conta que o nome mais referido e mais enxovalhado por todos foi o do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, organizador da rebelião. Ficou no ar a indagação: por que não o convocaram para saber de suas razões? Política não se faz com o fígado, em especial em se tratando as eleições presidenciais.
O SILÊNCIO DA CUT
A Força Sindical, já engajada na campanha de Aécio Neves, promete manifestações variadas nas praças e avenidas de São Paulo, sob o pretexto de cobrar do governo iniciativas em prol de reformas sociais e aumento dos direitos do trabalhador. Paulinho Pereira da Silva é um bom organizador. O que fica sem resposta é o imobilismo da CUT, que dispõe de mais trabalhadores filiados do que seus competidores. Estarão seus dirigentes satisfeitos com a performance do governo diante dos reclamos sociais?



