JOSÉ CARLOS WERNECK -
Já não bastassem os diversos problemas, que a presidente Dilma Rousseff
vem enfrentando, o líder do PPS na Câmara, deputado federal pelo Paraná, Rubens
Bueno, ingressou, nesta quinta-feira, com representação na Comissão de Ética
Pública da Presidência da República solicitando a demissão do ministro do
Trabalho, Manoel Dias do PDT, que servia como motorista de Leonel Brizola, em
suas visitas a Brasília, que era chamado, pelo ex-governador de “Maneco”.
Bueno
destacou que as denúncias e o fato da Polícia Federal pedir judicialmente uma
investigação contra Dias são suficientes para o ministro seja imediatamente afastado.
Para Bueno, há claro conflito de interesses entre as atividades de ministro e
de dirigente partidário. O deputado criticou ainda a presidente Dilma Rousseff
pela “frouxidão” ao insistir na manutenção de Dias no cargo.
Para Rubens Bueno, as apurações feitas pela Polícia Federal indicam
fortes indícios da participação do ministro em esquema para empregar militantes
do PDT como funcionários fantasmas na Agência de Desenvolvimento Regional do
Vale do Rio Tijucas e Itajaí Mirim (ADRVale), que possuía convênios com o
ministério. O deputado disse da importância do trabalho judicial e policial em
relação ao caso, enfatizando que o processo, por sua complexidade, pode demorar
anos para ser concluído “e o mais prudente é afastar imediatamente o ministro
do cargo”.
Em sua denúncia ao Conselho de Ética, o parlamentar sustenta que
“conforme conclusão de inquérito da Polícia Federal sobre desvio de recursos do
Ministério do Trabalho, há indícios da participação do ministro em colaboração
para colocar militantes do PDT na folha de pagamento de entidade que prestava
serviços ao Ministério, restando evidente o conflito de interesses entre a
atividade partidária do denunciado e as atribuições de Ministro do Trabalho”.
O líder do PPS afirma, que as informações foram reveladas por um
ex-dirigente do PDT, que, a mando do ministro, recebia pagamentos mensais, sem
jamais ter trabalhado para a ADRVale. Lembra também que, com base em
depoimentos e relatórios da Controladoria-Geral da União, a Polícia Federal
concluiu que houve irregularidades como desvio de recursos, subcontratações
ilegais e não comprovação de que os cursos pactuados foram feitos. “Inclusive,
cinco ex-dirigentes da ADRVale foram indiciados por formação de quadrilha,
peculato e dispensa indevida de licitação”.
Na representação, o parlamentar disse que, apesar de todos os indícios
de irregularidades, a gestão de Manoel Dias no Ministério do Trabalho sonegou
dados do convênio, além de não ter enviado dados sobre a análise da prestação
de contas.
“Entende-se, portanto, que os fatos de sonegar informações e ser
indiciado pela Polícia Federal como corresponsável pelos delitos já se
enquadram em hipóteses de incompatibilidade de conduta ética, configurando
claramente conflito de interesses entre a atividade de ministro e a de
dirigente partidário”, concluiu citando o artigo 3º do Código de Conduta da
Alta Administração Federal.



