O gari símbolo da categoria, Renato Sorriso, passista que ficou conhecido trabalhando na limpeza da Sapucaí, aderiu à greve e esteve presente no ato que aconteceu ontem na cidade.
Quando foi perguntado se era a favor da greve, Sorriso respondeu rapidamente: "EU SOU GARI TAMBÉM, uma coisa sou eu sambando, outra coisa sou eu gari", enquanto colegas discursavam contra a prefeitura dizendo que Renato Sorriso apoia a greve dos garis no Rio.
Conhecido no Brasil e no exterior por estar sempre alegre e mostrando samba no pé, passista nato, um verdadeiro craque, ele esteve presente na manifestação em frente à sede da Comlurb, na Tijuca, Zona Norte do Rio.
Lugar de Lixo é no lixo
É hora do carioca recolher toda essa sujeira de anos acumulada. E se a população se juntasse e recolhesse o lixo das ruas? E se esse lixo fosse depositado na porta das casas legislativas e nos palácios do executivo e judiciário? E também depositado na porta das residências dos políticos?
Isso não seria inédito. Há menos de um ano isso foi feito em Portugal. Lá os garis entraram em greve e todo o lixo foi levado para as casas legislativas, prédios do governo, bancos (sim, lá eles entendem que é o capital que manda na política, e na nossa “República dos banqueiros” é diferente?) e porta das casas dos políticos.
Seria uma boa resposta para os donos do lixo, ou o próprio. De qualquer maneira, já está previsto uma grande manifestação em apoio aos Garis, 11 de Março às 17h, na Candelária.
Quanto custa driblar uma greve?
Ontem, a Guarda Municipal e o Batalhão de Choque da Polícia Militar acompanharam o trabalho de equipes da Comlurb nas ruas da Zona Sul e do Centro. Grupos privados de vigilância e segurança começaram a acompanhar a coleta de lixo. A medida foi criada para intimidar e impedir que os trabalhadores deixem seus postos de trabalho e se juntem a greve.
A Assessoria de Comunicação da COMLURB (Cia de Limpeza Urbana) não quis comentar qual seria o valor despendido para contratar os serviços privados. A empresa CTS, no entanto, informou que o valor médio de contratação de um segurança em escolta é de R$110,00 por hora, sem contar os adicionais por fatores de risco.
Um segurança que escolte a coleta de um caminhão de lixo por 8 horas - tempo médio de duração de um turno - custaria pelo menos R$880,00. O valor equivale ao salário de um mês inteiro de trabalho de um gari convencional. DESADMINISTRAÇÃO É ISSO.
Na Comlurb desde 1989, um dos garis que limpava a Sapucaí na manhã de ontem, sob escolta da guarda municipal, fez questão de mostrar o contracheque em que se lia como salário referência R$ 847,44. “O gari quer dignidade. Estou trabalhando porque fui coagido. Dizem que a greve acabou, mas é só você olhar como está à cidade”, afirmou.
“Gostaria de afirmar que a greve não acabou. Estamos trabalhando obrigados, pois seremos demitidos se pararmos. Nos mandaram para Botafogo, já que tinha muito lixo acumulado. Assim que a Guarda Municipal for embora, também iremos”, disse o gari. O contracheque da foto é de outro gari. R$ 602,47, com os descontos. Inaceitável.
PRA QUEM ACHAVA QUE ERA POR 25 CENTAVOS...
“Aliados” em fuga
Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, ameaça convocar uma convenção extraordinária do PMDB nacional para tirar o apoio à reeleição de Dona Dilma Rousseff. Com quem rompeu, politicamente, há muito tempo:
“A cada dia que passa me convenço mais que temos de repensar esta aliança, porque não somos respeitados pelo PT”.
A bronca de Cunha ficou ainda maior porque o presidente do PT, Rui Falcão, no sambódromo do Rio de Janeiro, andou falando mal de Jorge Picciani, presidente regional do PMDB, que ameaça apoiar a candidatura presidencial do tucano Aécio Neves. Essa briga vai render, e pode mudar todo o quadro da sucessão.
Caju, fora da torcida
Paulo Cesar Caju, veterano e polêmico craque, avisa que não vai torcer pela Seleção da CBF na Copa da Fifa de 2014:
“Gosto só de artista. Quem quiser que torça para este futebol que só tem pegadores, marcadores desleais, bola parada e atleta com mais de 1,80m... Tenho horror desta seleção, não quero ver, prefiro Alemanha, Barcelona, Argentina. Não vou torcer para Felipão e Parreira. Com o pragmatismo de 94 somado à escola gaúcha do Felipão, a gente vai ficar nisso aí: oitenta faltas e passes errados por jogo”.
PC Caju faz uma previsão se o Brasil perder a competição: “Violência nunca, mas se o Brasil não ganhar, eu acho que haverá uma revolução, e deve haver mesmo, porque o povo está de saco cheio, principalmente quem ganha salário mínimo”.
Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro
O Fundo Brasil de Direitos Humanos encerrou seu processo de seleção de projetos na forma do edital “Megaeventos esportivos e Direitos Humanos”. O projeto (“Violação dos Direitos Humanos na Cidade Olímpica: Mobilização popular e a luta pelo direito à cidade”), apresentado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, foi selecionado para ser apoiado por essa fundação.
Devido ainda existir outro projeto em andamento, o Comitê será apoiado novamente somente após o encerramento do projeto em curso e, o novo apoio está condicionado a aprovação dos relatórios finais, que precisam ser avaliados, para dar início aos procedimentos para concessão da doação.
É o reconhecimento de um grupo militante, que luta por uma Cidade de todos, com espaços públicos e dignidade para se viver. Que venham outros apoios e conquistas. Parabéns aos bravos lutadores desse coletivo, muito necessário em se tratando de megaeventos.
Propostas para o maior espetáculo da terra
Este ano não tivemos mais o genial, Fernando Pamplona no Carnaval do Rio. Nosso querido artista partiu no fim do ano passado. Figura inesquecível, para sempre viverá através de suas inestimáveis contribuições para a nossa cultura popular.
Muito preocupado com os rumos da maior festa popular do Brasil, ao lado de outros “militantes do samba”, conseguiu em 2012, contribuir com ideias entre as quais, propostas para o maior espetáculo da terra, e que vai muito além do carnaval.
Segue o resumo das propostas:
Retorno do projeto original do Sambódromo – O fim das frisas (ou, pelo menos, de um lado delas), transformando-as, como no projeto original, em uma grande “geral”, com preços populares. A ideia é combater a frieza dos desfiles e reaproximar o carioca do espetáculo.
Criação da Subsecretaria de Cultura Especial do Carnaval – A Subsecretaria vai assumir a organização do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, considerado o grande espetáculo do planeta. Serão privilegiados os valores culturais, o julgamento coerente e a correta gestão dos recursos públicos destinados às agremiações.
Subvenção condicionada à relevância cultural dos enredos – Caso uma agremiação opte por retratar uma marca, não deverá receber verba pública. Esta proposta não se trata, de forma alguma, de uma tentativa de dirigismo temático. É apenas a busca pela gestão criteriosa de recursos para que as escolas não se tornem canais de propaganda.
Apoio às agremiações dos grupos de acesso – Mais recursos e estrutura para a realização dos desfiles dos grupos de acesso, que acontecem na Estrada Intendente Magalhães, no bairro do Campinho.
Apoio a todas as instituições carnavalescas – Política que vise ao fomento e à distribuição geográfica de blocos, cordões e quaisquer instituições carnavalescas por toda a cidade, possibilitando a ocupação democrática do espaço público. Importante salientar: escolas de samba não podem ser rebaixadas à condição de blocos, e estes não podem se tornar escolas de samba, por ação de órgãos controladores. Suas naturezas são distintas e possíveis mudanças estruturais devem ser frutos de decisões internas ou comunitárias.
Preservação das entidades foliãs e seus espaços comunitários – O poder público precisa garantir a preservação de grandes agremiações, responsáveis por históricos desfiles e sambas, mas que perderam a força com o passar dos anos. Também é necessário pesquisar, identificar e preservar os perímetros culturais no entorno dos berços das escolas, a fim de que seja a face material, geográfica e sentimental do samba como Patrimônio Imaterial do Rio do Janeiro.
TV Educativa e carnaval – Em caso de quebra do monopólio televisivo, em um novo contrato discutido pelo poder público, que haja uma cláusula que permita às Tevês Educativas a transmissão sem a necessidade de pagar pelos direitos.
Concorrência da transmissão televisiva – O fim da exclusividade na transmissão televisiva condicionaria diferentes formas de narração, aumentando as possibilidades de apresentação do espetáculo para o público de casa. Como resultado, o aumento do conteúdo jornalístico disponível aos espectadores e uma saudável disputa pelo melhor “olhar” sobre a festa.
Mudanças necessárias e importantes! Tarefa árdua, colossal, dificílima na “República dos banqueiros”. Talvez seja mais fácil ver o prefeito porcalhão com a mão na vasoura, varrendo a sujeira para baixo do tapete, assim como faz em sua desadministração. Mas nada deve parecer impossível de mudar!
Domingo ainda tem BlocAto – Copa que pariu!
O Ocupa Carnaval, o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, o Bloco Nada Deve Parecer Impossível de Mudar e o Bloco Comuna Que Pariu convidam todas e todos para um lindo cortejo de encerramento do Carnaval, começando na Praça Saens Peña e terminando no Maracanã!
Os foliões-manifestantes devem ir de laranja (seja uma camisa, uma fitinha, uma capa, um uniforme, ou qualquer outra ideia carnavalesca) e levarem vassouras em apoio aos Garis. "O Gari é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo!".
CONCENTRAÇÃO ÀS 15h
SAÍDA ÀS 16h DA PRAÇA SAENS PEÑA
Vamos aproveitar a energia derradeira do Carnaval para fortalecer nossa luta por uma cidade de direitos! A ideia é reunir todas e todos que se opõem a esse modelo de desenvolvimento que está transformando o Rio de Janeiro em um verdadeiro balcão de negócios.
O BlocAto terá ala de percussão e uma ala de sopro, tocando um repertório de marchinhas parodiadas, funks clássicos e MPB.
Levem seus cartazes, purpurina, faixas, confete, vinagre e junte-se ao BlocAto!
Faça chuva ou faça sol!
#CopaPraQuem?
#NãoVaiTerCopaSemLuta
#OcupaCarnaval





