HELIO
FERNANDES –
Ainda falta muito para terminar a maior alegria e
satisfação do Brasil, junto com o futebol, as grandes festas populares. Não
posso deixar de exaltar os organizadores, participantes e construtores do que
já foi considerado e será sempre, o grande espetáculo da terra.
Veio 50 ou 60 anos depois do desfile das Grandes
sociedades na Avenida Rio Branco. Com muitas mudanças se fixou na Rua Marquês
de Sapucaí, eternizando o nome do preceptor, (era assim, obrigatoriamente que
se falava) no homem, aristocrata sem arrogância que ensinou tudo a Don Pedro
II. História, várias línguas, geografia, e principalmente humanidades no
sentido de respeito à comunidade. (Imperador, não combatia a República, Deodoro
e Floriano, vassalos dele, trocaram tudo pela ambição).
O
Sambódromo
Depois da rua, veio essa construção majestosa, simples,
funcional, criada por Oscar Niemeyer. Como o carnaval só acontece uma vez por
ano, o genial arquiteto preencheu o tempo e os espaços, localizando atividades
indispensáveis, e que não aconteciam na rua propriamente dita.
Apoteose,
concentração, dispersão, desfile para o povo
Não esqueço a perplexidade do já governador da
Guanabara, (deixara o do Rio grande do Sul em 31 de janeiro de 1963) e se fixara
aqui, Leonel Brizola. Com dois objetivos. 1 – Se eleger governador, o que
conseguiu, vencendo espantosa batalha contra a Pro-Consult, criada para
impedi-lo de tomar posse depois de vencer a eleição.
A
presidência que não houve
2 – Por motivos estranhos, equívocos, de lado a lado,
medo antecipado dos adversários, e o surrealismo do sistema político e
eleitoral do Brasil, Brizola não foi presidente. Mas teve a honra de inaugurar
o Sambódromo. Ainda não refeito da surpresa, me disse: “Helio, passei uma parte
da vida desterrado, asilado, ameaçado, volto para inaugurar o Sambódromo”.
Só
quero, como Brizola, mostrar o apogeu do povo
Logo se integrou, veio o Sambódromo de São Paulo. Vi o
desfile pela televisão. Depois de atropelado por uma bicicleta na Lagoa, estou
praticamente em prisão domiciliar. Não é ironia nem lamento, pura realidade.
Mas pude refletir e constatar melhor a grandeza desse povo.
Desfiles luxuosos, belíssimos, caríssimos, sem nenhum
dinheiro do governo. E que criatividade. No Rio, motivação espantosa, com uma
profundidade que os banqueiros e aristocratas de dinheiro nem imaginam. (Em São
Paulo no igualmente fantástico Sambódromo, uma Escola contava e cantava a
história dos heróis gregos, com respeito enorme pela autenticidade).
360
dias de sacrifício, pela glória de um desfile
Como os grandes atletas que treinam 10 anos para se
consagrarem em 10 segundos, esses personagens, já na próxima semana, terminando
o carnaval de 2014 começam a se preparar para o do ano seguinte, 2015. A mesma
devoção, disposição, determinação. Trabalhando incessantemente. Além de pouco
dinheiro, pois são inexoravelmente explorados pelos senhores aristocratas que
assistem a tudo de camarotes riquíssimos e devassados.
Esse
povo no “Poder”, ou podendo “deseleger”
Hoje, aqui e agora, nada de sociologia, apenas elucubrações,
que palavra, divagações ou reflexões. E imaginação sobre o que poderia
acontecer com este país se não fosse propriedade particular, pessoal e
intransferível de alguns. Sempre e cada vez mais ricos. Repetindo, alguns que
ficam com noventa por cento (90%) de toda a Riqueza. Esses 10 por cento é o que
“sobra”, para os trabalhadores.
O
mundo de mais de 7 bilhões de pessoas
Reconheçamos, não apenas no Brasil. A exploração é
geral, universal e total. Só que aqui temos esse povo trabalhador, criador,
realizador. E se pudessem, ELEGER e DESELEGER os que invadem os governos,
nacional, estadual, municipal? Apenas pelo prazer do enriquecimento, do domínio
sem volta e sem constrangimento.
De qualquer maneira, lutemos. E por enquanto, aplausos
para esse milhões que não são submissos, e não se incomodam com o fato dos
exploradores se divertirem com a criação e o trabalho dos explorados.
A apuração emocionante, entusiasmo e empolgação,
nenhuma hostilidade. Sem polícia, apenas os participantes, “torcendo” e
“pedindo a Deus” pela vitória.
Que veio mais uma vez para a Unidos, campeã três vezes
em cinco anos. Não discordaram nem discutiram, apesar do título ter sido
conquistado com a diferença de “um décimo” para o segundo, o tradicional
Salgueiro. E “três décimos” para a terceira, a também tradicionalíssima
Portela. E Mangueira, como as outras, lindíssimas.
Recado
ao prefeito porcalhão
Como carioca que nasceu e sempre viveu no Rio,
constrangido e envergonhado com a sujeira da cidade. Vergonha e constrangimento
que Paes não tem.
Como cidadão, estou revoltado com o que fazem e pagam a
esses garis, simpaticíssimos, eles e os “bombeiros do fogo”, sempre aplaudidos.
Mas depois de somar tudo, com os 40% de insalubridade,
chegam a um mil, 124 reais. Comparem essa miséria com os supersalários da
Câmara, Senado, Justiça e até do ínclito Tribunal de Contas, e concluam.
Parabéns à Justiça, que está multando diariamente os
“sindicatos governistas”, que condenam a greve. É preciso uma solução imediata,
mesmo que não fique isolada sob o comando desse prefeito do “Engenhão”.
URGENTÍSSIMO.
Novo
aumento de juro
Em pleno carnaval maravilhoso, Dona Dilma, perdão, o
Banco Central Independente, elevou novamente a taxa Selic. Foi a oitava vez
seguida. A primeira, 0,25%. Depois, seis de 0,50%, também seguidas. E agora,
para “arredondar”, a última de 0,25%, igual à primeira da série.
Mais
3,50%, com todos os efeitos diretos e indiretos
Agora a taxa ficou em 10,75%, banqueiros e empresários
com muito capital de reserva, satisfeitíssimos. Como os repiques colaterais,
são muitos, fiquemos apenas (?) na influencia sobre a dívida interna. Como essa
dívida já ultrapassou os DOIS TRILHÕES, façamos o calculo de forma mais simples
e não tão impiedosa, mas sabendo que será devastador.
99
BILHÕES, desinformação ou incompetência?
Como presidente que usa o Poder para tudo, e sem o
menor compromisso com a realidade ou com a verdade, pode falar nesse número
quase cabalístico. Mas irreal. Precisa neste 2014, para AMORTIZAR em vez de
PAGAR, no mínimo, no mínimo, 160 BILHÕES.
Se refugia nesses 99 BILHÕES, e assim mesmo sabe que
não chega lá. Mas como adora o Cirque du Soleil, vai fazendo malabarismo
econômico e financeiro. Já que para o malabarismo físico, o corpo não ajuda. No
momento, e daqui pra frente, então, desequilíbrio total, mesmo com reeleição.
Que ficará devendo aos “adversários”.
Marcos
Valério e Joaquim Barbosa
Sua pena é de 37 anos e 10 meses, em regime fechado. Calculo
para requerer a “progressão da pena”, e tentar passar ao semiaberto só com os
dados de hoje, muitas coisas podem mudar, incluindo trabalho interno e bom
comportamento. E fatos inavaliaveis.
Transformando em tempo para a base da análise, são 510
meses. Um sexto da pena representaria, agora, 85 meses, ou 7 anos e 1 mês. Isso
para tentar essa “progressão”, que não é obrigatória.
Depois da espantosa “confissão” de Joaquim Barbosa
sobre o aumento das penas para evitar a “prescrição”, é muito, é exagero, até
irresponsável. Ou mesmo cruel, pela idade de hoje e de amanhã.
É o próprio Joaquim Barbosa, quem diz, como o Papa
Francisco: “Quem sou eu para julgar?”.
Fim
melancólico do abuso de Poder
Pedido de aposentadoria do presidente do Supremo, mesmo
que não seja para disputar a presidência, é uma espécie de “prescrição”. A não
ser que desminta a “confissão”, Barbosa não suportará o clima do Supremo.
Terá que usar “ar-condicionado” ou ligar uma
circunstancial (a palavra é dele) “lareira”. Irá depender dos outros e não dele?
De qualquer maneira como eu disse na semana passada,
Barbosa tem que escolher a permanência ou a desistência. As duas com
ostracismo. A segunda junto com a “expulsória”, longe do sinônimo de
aposentadoria.
Agnelo
Queiroz na Papuda
O governador Agnelo Queiroz, equivocadamente
identificado por jornais como ILUSTRE, na verdade foi à Papuda sem lustre, na
escuridão. Não uma vez, e sim duas. Sem falar com ninguém, sem estar
acompanhado, nem mesmo de um simples segurança. Além de irregular, afoito e
embaraçadamente, explicou: “Fui ao presídio fazer visita oficial, como
governador não preciso comunicar ou pedir autorização a ninguém”.
Além da visita ilegítima, a versão deformada. Ele é
governador, a Papuda tem controle judiciário, era obrigatória a autorização. E
por que a visita a José Dirceu estaria incluída na rotina de vigilância do
presídio? Não são nem amigos. Agnelo, como já se sabe, era do PC do B, entrou
no PT a pedido de Lula, na véspera da eleição.
A
visita à Papuda, audácia do governador
Não pelo fato da ilegalidade, a ida ao presídio,
estranha pelas acusações que sofre há muito tempo. Até amigos de Agnelo,
tiveram duas surpresas. A primeira: ter entrado na Papuda, escondido e sem
medo?
A segunda: conseguido sair da Papuda, sem preocupação e
sem constrangimento? Duas façanhas.
PS –
Rigorosamente verdadeiro, contado ao repórter por íntimos, que pediram sigilo.
Agnelo foi à Papuda verificar se Arruda e Roriz, que podem concorrer com ele,
estavam lá. Pelo menos um, “devia estar”, garantiram. Decepção para o prefeito
Distrital, chamado de governador.
Revista
Época, cabralzinho filhinho
Por causa do carnaval prolongado mas maravilhoso, a
denúncia não teve maior repercussão. Mas é gravíssima. Se for se juntar à
impunidade acumulada do governador, em vez da “voz das ruas” ter consagrado o
“fora, Cabral”, teriam que mudar para “dentro, Cabral”. Lógico depois
denunciado, indiciado, julgado, condenado.
Resumo da “Época”. 1 – Sócios de Cabral e supostamente
ele mesmo, teriam recebido propina da empreiteira Camargo Corrêa. 2 – Segundo a
revista, foram 40 milhões, é muito delicado chamar de propina. 3 – É corrupção
ativa, vários graus acima ou abaixo da simples propina.
4 – A revista diz, “os 40 milhões teriam sido pagos
pela Opportrans”, controladora do metrô, até 2008. 5 – A revista denuncia que
os sócios de Cabral (e ele próprio) teriam recebido 5% do valor, 40
milhões.
6 – Termina a revista: “O pagamento da dívida fez parte
do acordo com o Estado para que a concessão do metrô fosse ampliada sem
LICITAÇÃO, até 2038”.
7 – Pelos números, serginho acredita muito no
Calendário Gregoriano. Faz acordos em 2008 com validade até 30 anos depois. 8 –
O carnaval amainou a repercussão. Esse carnaval acaba (mas não prescreve), a
denúncia não. E a “Época” tem documentação ainda mais inviolável.
PS
–
FHC pela primeira vez sendo sincero: “Minha geração já passou, nós já
morremos”. Data vênia, apenas uma retificação: o ex-presidente, política e
eleitoralmente nasceu morto.
PS2 –
Podem até perguntar: “Então por que se elegeu e reelegeu?”. Tudo “acidente de
percurso”, favorável a ele. Em 1994, não acreditava na vitória, o mandato era
de cinco anos, reduziu para quatro, achava que não ganharia do Lula.
PS3 –
Em 1998, comprou o segundo mandato, através do ministro e amigo que morreu
logo. A grande inovação até idiomática, de FHC: “Criou o mensalão da reeleição,
pagando à vista”.
PS4 –
Thomaz Bellucci tinha tudo para ser o sucessor do Guga no tênis brasileiro.
Alto, apessoado, joga erecto, saca bem, devolve bem, quase todas as questões,
positivas.
PS5 –
Mas quando está para vencer, se desequilibra. No ATP 500 do Rio, devia fazer a
final com Nadal. Não chegou. Em São Paulo, torneio menor, tinha que ganhar, não
foi nem à final. Incrível.
PS6 –
Já mudou várias vezes de treinador. Até nisso erra de forma imperdoável. Não
precisa de treinador e sim de psicanalista, ainda há tempo? Está ficando tarde.


