7.3.14

CARNAVAL MARAVILHA E MARAVILHOSO, RESSURGEM SALGUEIRO, PORTELA E MANGUEIRA, MAS UNIDOS DA TIJUCA GANHA POR UM DÉCIMO, TODAS LINDAS. JOAQUIM BARBOSA O QUE FARÁ A PARTIR DOS DIAS 12 E 13? E O PREFEITO PORCALHÃO, NÃO VAI PAGAR OS GARIS E LIMPAR A CIDADE MARAVILHOSA?

HELIO FERNANDES –

Ainda falta muito para terminar a maior alegria e satisfação do Brasil, junto com o futebol, as grandes festas populares. Não posso deixar de exaltar os organizadores, participantes e construtores do que já foi considerado e será sempre, o grande espetáculo da terra.

Veio 50 ou 60 anos depois do desfile das Grandes sociedades na Avenida Rio Branco. Com muitas mudanças se fixou na Rua Marquês de Sapucaí, eternizando o nome do preceptor, (era assim, obrigatoriamente que se falava) no homem, aristocrata sem arrogância que ensinou tudo a Don Pedro II. História, várias línguas, geografia, e principalmente humanidades no sentido de respeito à comunidade. (Imperador, não combatia a República, Deodoro e Floriano, vassalos dele, trocaram tudo pela ambição).

O Sambódromo

Depois da rua, veio essa construção majestosa, simples, funcional, criada por Oscar Niemeyer. Como o carnaval só acontece uma vez por ano, o genial arquiteto preencheu o tempo e os espaços, localizando atividades indispensáveis, e que não aconteciam na rua propriamente dita.

Apoteose, concentração, dispersão, desfile para o povo

Não esqueço a perplexidade do já governador da Guanabara, (deixara o do Rio grande do Sul em 31 de janeiro de 1963) e se fixara aqui, Leonel Brizola. Com dois objetivos. 1 – Se eleger governador, o que conseguiu, vencendo espantosa batalha contra a Pro-Consult, criada para impedi-lo de tomar posse depois de vencer a eleição.

A presidência que não houve

2 – Por motivos estranhos, equívocos, de lado a lado, medo antecipado dos adversários, e o surrealismo do sistema político e eleitoral do Brasil, Brizola não foi presidente. Mas teve a honra de inaugurar o Sambódromo. Ainda não refeito da surpresa, me disse: “Helio, passei uma parte da vida desterrado, asilado, ameaçado, volto para inaugurar o Sambódromo”.

Só quero, como Brizola, mostrar o apogeu do povo

Logo se integrou, veio o Sambódromo de São Paulo. Vi o desfile pela televisão. Depois de atropelado por uma bicicleta na Lagoa, estou praticamente em prisão domiciliar. Não é ironia nem lamento, pura realidade. Mas pude refletir e constatar melhor a grandeza desse povo.

Desfiles luxuosos, belíssimos, caríssimos, sem nenhum dinheiro do governo. E que criatividade. No Rio, motivação espantosa, com uma profundidade que os banqueiros e aristocratas de dinheiro nem imaginam. (Em São Paulo no igualmente fantástico Sambódromo, uma Escola contava e cantava a história dos heróis gregos, com respeito enorme pela autenticidade).

360 dias de sacrifício, pela glória de um desfile

Como os grandes atletas que treinam 10 anos para se consagrarem em 10 segundos, esses personagens, já na próxima semana, terminando o carnaval de 2014 começam a se preparar para o do ano seguinte, 2015. A mesma devoção, disposição, determinação. Trabalhando incessantemente. Além de pouco dinheiro, pois são inexoravelmente explorados pelos senhores aristocratas que assistem a tudo de camarotes riquíssimos e devassados.

Esse povo no “Poder”, ou podendo “deseleger”

Hoje, aqui e agora, nada de sociologia, apenas elucubrações, que palavra, divagações ou reflexões. E imaginação sobre o que poderia acontecer com este país se não fosse propriedade particular, pessoal e intransferível de alguns. Sempre e cada vez mais ricos. Repetindo, alguns que ficam com noventa por cento (90%) de toda a Riqueza. Esses 10 por cento é o que “sobra”, para os trabalhadores.

O mundo de mais de 7 bilhões de pessoas

Reconheçamos, não apenas no Brasil. A exploração é geral, universal e total. Só que aqui temos esse povo trabalhador, criador, realizador. E se pudessem, ELEGER e DESELEGER os que invadem os governos, nacional, estadual, municipal? Apenas pelo prazer do enriquecimento, do domínio sem volta e sem constrangimento.

De qualquer maneira, lutemos. E por enquanto, aplausos para esse milhões que não são submissos, e não se incomodam com o fato dos exploradores se divertirem com a criação e o trabalho dos explorados.

A apuração emocionante, entusiasmo e empolgação, nenhuma hostilidade. Sem polícia, apenas os participantes, “torcendo” e “pedindo a Deus” pela vitória.

Que veio mais uma vez para a Unidos, campeã três vezes em cinco anos. Não discordaram nem discutiram, apesar do título ter sido conquistado com a diferença de “um décimo” para o segundo, o tradicional Salgueiro. E “três décimos” para a terceira, a também tradicionalíssima Portela. E Mangueira, como as outras, lindíssimas.

Recado ao prefeito porcalhão

Como carioca que nasceu e sempre viveu no Rio, constrangido e envergonhado com a sujeira da cidade. Vergonha e constrangimento que Paes não tem.

Como cidadão, estou revoltado com o que fazem e pagam a esses garis, simpaticíssimos, eles e os “bombeiros do fogo”, sempre aplaudidos.

Mas depois de somar tudo, com os 40% de insalubridade, chegam a um mil, 124 reais. Comparem essa miséria com os supersalários da Câmara, Senado, Justiça e até do ínclito Tribunal de Contas, e concluam.

Parabéns à Justiça, que está multando diariamente os “sindicatos governistas”, que condenam a greve. É preciso uma solução imediata, mesmo que não fique isolada sob o comando desse prefeito do “Engenhão”. URGENTÍSSIMO.

Novo aumento de juro

Em pleno carnaval maravilhoso, Dona Dilma, perdão, o Banco Central Independente, elevou novamente a taxa Selic. Foi a oitava vez seguida. A primeira, 0,25%. Depois, seis de 0,50%, também seguidas. E agora, para “arredondar”, a última de 0,25%, igual à primeira da série.

Mais 3,50%, com todos os efeitos diretos e indiretos

Agora a taxa ficou em 10,75%, banqueiros e empresários com muito capital de reserva, satisfeitíssimos. Como os repiques colaterais, são muitos, fiquemos apenas (?) na influencia sobre a dívida interna. Como essa dívida já ultrapassou os DOIS TRILHÕES, façamos o calculo de forma mais simples e não tão impiedosa, mas sabendo que será devastador.

99 BILHÕES, desinformação ou incompetência?

Como presidente que usa o Poder para tudo, e sem o menor compromisso com a realidade ou com a verdade, pode falar nesse número quase cabalístico. Mas irreal. Precisa neste 2014, para AMORTIZAR em vez de PAGAR, no mínimo, no mínimo, 160 BILHÕES.

Se refugia nesses 99 BILHÕES, e assim mesmo sabe que não chega lá. Mas como adora o Cirque du Soleil, vai fazendo malabarismo econômico e financeiro. Já que para o malabarismo físico, o corpo não ajuda. No momento, e daqui pra frente, então, desequilíbrio total, mesmo com reeleição. Que ficará devendo aos “adversários”.

Marcos Valério e Joaquim Barbosa

Sua pena é de 37 anos e 10 meses, em regime fechado. Calculo para requerer a “progressão da pena”, e tentar passar ao semiaberto só com os dados de hoje, muitas coisas podem mudar, incluindo trabalho interno e bom comportamento. E fatos inavaliaveis.

Transformando em tempo para a base da análise, são 510 meses. Um sexto da pena representaria, agora, 85 meses, ou 7 anos e 1 mês. Isso para tentar essa “progressão”, que não é obrigatória.

Depois da espantosa “confissão” de Joaquim Barbosa sobre o aumento das penas para evitar a “prescrição”, é muito, é exagero, até irresponsável. Ou mesmo cruel, pela idade de hoje e de amanhã.

É o próprio Joaquim Barbosa, quem diz, como o Papa Francisco: “Quem sou eu para julgar?”.

Fim melancólico do abuso de Poder

Pedido de aposentadoria do presidente do Supremo, mesmo que não seja para disputar a presidência, é uma espécie de “prescrição”. A não ser que desminta a “confissão”, Barbosa não suportará o clima do Supremo.

Terá que usar “ar-condicionado” ou ligar uma circunstancial (a palavra é dele) “lareira”. Irá depender dos outros e não dele?

De qualquer maneira como eu disse na semana passada, Barbosa tem que escolher a permanência ou a desistência. As duas com ostracismo. A segunda junto com a “expulsória”, longe do sinônimo de aposentadoria.

Agnelo Queiroz na Papuda

O governador Agnelo Queiroz, equivocadamente identificado por jornais como ILUSTRE, na verdade foi à Papuda sem lustre, na escuridão. Não uma vez, e sim duas. Sem falar com ninguém, sem estar acompanhado, nem mesmo de um simples segurança. Além de irregular, afoito e embaraçadamente, explicou: “Fui ao presídio fazer visita oficial, como governador não preciso comunicar ou pedir autorização a ninguém”.

Além da visita ilegítima, a versão deformada. Ele é governador, a Papuda tem controle judiciário, era obrigatória a autorização. E por que a visita a José Dirceu estaria incluída na rotina de vigilância do presídio? Não são nem amigos. Agnelo, como já se sabe, era do PC do B, entrou no PT a pedido de Lula, na véspera da eleição.

A visita à Papuda, audácia do governador  

Não pelo fato da ilegalidade, a ida ao presídio, estranha pelas acusações que sofre há muito tempo. Até amigos de Agnelo, tiveram duas surpresas. A primeira: ter entrado na Papuda, escondido e sem medo?

A segunda: conseguido sair da Papuda, sem preocupação e sem constrangimento? Duas façanhas.

PS – Rigorosamente verdadeiro, contado ao repórter por íntimos, que pediram sigilo. Agnelo foi à Papuda verificar se Arruda e Roriz, que podem concorrer com ele, estavam lá. Pelo menos um, “devia estar”, garantiram. Decepção para o prefeito Distrital, chamado de governador.

Revista Época, cabralzinho filhinho

Por causa do carnaval prolongado mas maravilhoso, a denúncia não teve maior repercussão. Mas é gravíssima. Se for se juntar à impunidade acumulada do governador, em vez da “voz das ruas” ter consagrado o “fora, Cabral”, teriam que mudar para “dentro, Cabral”. Lógico depois denunciado, indiciado, julgado, condenado.

Resumo da “Época”. 1 – Sócios de Cabral e supostamente ele mesmo, teriam recebido propina da empreiteira Camargo Corrêa. 2 – Segundo a revista, foram 40 milhões, é muito delicado chamar de propina. 3 – É corrupção ativa, vários graus acima ou abaixo da simples propina.

4 – A revista diz, “os 40 milhões teriam sido pagos pela Opportrans”, controladora do metrô, até 2008. 5 – A revista denuncia que os sócios de Cabral (e ele próprio) teriam recebido 5% do valor, 40 milhões.  

6 – Termina a revista: “O pagamento da dívida fez parte do acordo com o Estado para que a concessão do metrô fosse ampliada sem LICITAÇÃO, até 2038”.

7 – Pelos números, serginho acredita muito no Calendário Gregoriano. Faz acordos em 2008 com validade até 30 anos depois. 8 – O carnaval amainou a repercussão. Esse carnaval acaba (mas não prescreve), a denúncia não. E a “Época” tem documentação ainda mais inviolável.

PS – FHC pela primeira vez sendo sincero: “Minha geração já passou, nós já morremos”. Data vênia, apenas uma retificação: o ex-presidente, política e eleitoralmente nasceu morto.

PS2 – Podem até perguntar: “Então por que se elegeu e reelegeu?”. Tudo “acidente de percurso”, favorável a ele. Em 1994, não acreditava na vitória, o mandato era de cinco anos, reduziu para quatro, achava que não ganharia do Lula.

PS3 – Em 1998, comprou o segundo mandato, através do ministro e amigo que morreu logo. A grande inovação até idiomática, de FHC: “Criou o mensalão da reeleição, pagando à vista”.

PS4 – Thomaz Bellucci tinha tudo para ser o sucessor do Guga no tênis brasileiro. Alto, apessoado, joga erecto, saca bem, devolve bem, quase todas as questões, positivas.

PS5 – Mas quando está para vencer, se desequilibra. No ATP 500 do Rio, devia fazer a final com Nadal. Não chegou. Em São Paulo, torneio menor, tinha que ganhar, não foi nem à final. Incrível.

PS6 – Já mudou várias vezes de treinador. Até nisso erra de forma imperdoável. Não precisa de treinador e sim de psicanalista, ainda há tempo? Está ficando tarde.