JOSÉ CARLOS WERNECK -
Todos os observadores políticos, jornalistas e demais interessados na
sucessão presidencial estão com os olhos voltados para a reunião deste domingo
entre a presidente Dilma Rousseff, membros do Governo e políticos do PT e do PMDB,
que discutirão as divergências entre os dois partidos e procurarão encontrar
uma saída para a solução da crise que nos últimos dias surgiu entre o Planalto
e representantes da principal sigla de sustentação da chamada Base Aliada, no
Congresso Nacional. Entre os participantes, estarão o vice-presidente Michel
Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves.
Depois de avistar-se, ontem, como ministro-chefe da Casa Civil, Aluízio Mercadante,
o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp garantiu que divergências
vão passar e aposta nas alianças regionais para solucionar crise com o governo
Dilma que serão discutidas na reunião de amanhã.
A conversa foi difícil, houve troca
de acusações entre PT e PMDB, mas Raupp se mostrou confiante de que as
divergências de seu partido com o governo serão superadas se tudo voltará ao
normal.
Para ele, o desentendimento é um fato isolado. "Foi no calor do
carnaval do Rio de Janeiro que saíram essas trocas de acusações. O carnaval já
passou e isso aí deve passar também", enfatizou o senador, que perguntado
sobre o risco de o problema, que começou na Câmara, chegar ao Senado, respondeu
que sempre houve insatisfação nos peemedebistas da Casa. "Um partido do
tamanho do PMDB vocês sabem que sempre teve divergências em alguns setores da
bancada do Senado, mas não tão forte como pode de repente ocorrer. É isso que a
gente tem que evitar".
Na quinta-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou em resposta ao
líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, defensor do fim da aliança com o PT. Que
o PMDB precisa definir se é oposição ou situação e avisou que não aceitará
"ultimatos".
Para Raupp as alianças regionais são um ponto chave na discussão.
"Se avançarmos um pouco mais nas alianças regionais, começaremos a
distensionar a crise" e a definição, destas alianças em alguns Estados,
certamente evitará a antecipação de uma convenção partidária que avaliaria o
rompimento da aliança com o Governo.
Para acabar de vez com a crise, Raupp disse que conversou quinta-feira,
com o ex-presidente Lula e que vai continuar participando de reuniões com o
Governo.
O encontro, de amanhã, promete ser difícil, pois segundo, "O Estado
de São Paulo", pelo menos um a cada três deputados do PMDB quer romper com
o PT e acabar a aliança com o Governo petista.
Os peemedebistas rebelados prometem dar trabalho nas votações previstas
para o retorno do recesso de carnaval. O primeiro item da pauta é o pedido de
criação de uma comissão externa para acompanhar as investigações sobre as
denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás.
São estas as arestas, que Valdir Raupp terá de aparar para convencer os
deputados do partido a baixarem o tom para que ele e o vice-presidente, Michel
Temer, consigam viabilizar um melhor tratamento ao PMDB no encontro de amanhã,
no Palácio da Alvorada. Ontem, Raupp conversou com o ex-presidente Lula sobre a
crise entre os partidos. "Ficou combinado que o Lula segura de lá (o PT) e
eu seguro de cá (o PMDB)", afirmou.



