DANIEL
MAZOLA –
A noite de ontem foi terrível para o governo. O chamado “blocão” conquistou o apoio de partidos da base na Câmara, e aprovou o requerimento de
criação de comissão externa para investigar denúncias contra a Petrobras na
Holanda. Através de manobras regimentais, os petistas tentaram de todas as
formas impedir a votação do requerimento, mas não conseguiram.
Dona Dilma Rousseff, Lula, postes e agregados agora
tem esse novíssimo fantasma reeleitoral para assombrar e atrapalhar a sonhada conquista.
Eduardo Cunha, que comandou a rebelião dos
aliados do blocão contra o governo, comemorou. A
comissão irá acompanhar a apuração sobre a suspeita de que a SBM Offshore,
empresa holandesa, teria pago propina à estatal brasileira.
E a pressão não vai parar por aí! Agora o foco será a
derrubada do Marco Civil da Internet, o convite para a presidente da Petrobras,
Graça Foster, falar sobre as denúncias envolvendo a empresa, e a convocação do
ministro da Saúde, Arthur Chioro, para prestar esclarecimentos sobre o programa
Mais Médicos.
A
votação deste e de outros requerimentos de convocação de ministros para prestar
esclarecimentos sobre denúncias ou problemas em relação a políticas públicas do
governo acontecerá em comissões permanentes da Câmara. O tempo realmente pode
começar a fechar para o projeto reeleitoral, o que parecia simples pode se
tornar uma tarefa árdua, e nem chegamos ao período das grandes manifestações
contra as gastanças para a Copa do Mundo.
Endividar
para facilitar venda de ações da União
Endividar a Petrobras para, mais adiante (em futuro
próximo), quando não se puder quitar o elevado débito, ter uma “justificativa
política” para vender aos credores uma boa parte das ações ordinárias em poder
da União. Desconfio e passo a acreditar nessa hipótese, é isso que o desgoverno
deve estar tramando. É com esse plano entreguista na manga que o HSBC, o
JPMorgan, o Citi e Bank of China, junto com o BB Investimentos e o Bradesco
BBI, cuidam da operação que venderá uns US$ 12 bilhões em títulos da dívida da
estatal. Tudo dividido em seis lotes com vencimentos de três a 30 anos.
Tudo indica que essa nova operação de
endividamento, sob alegação de “ajudar a financiar o plano de negócios da
companhia de 2014 a 2018, com investimentos previstos de US$ 220,6 bilhões”, é
pessoalmente gerenciada pelo diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, homem
de confiança do todo poderoso Lula. Tudo gerenciado fora do Brasil, através da
subsidiária Petrobras Global Finance B. V. – uma caixa preta sediada em
Rotterdam, na Holanda. Em 2013, quando foi classificada pelo Bank os America Merrill
Lynch como “a empresa mais endividada do mundo”, a Petrobras já tinha feito uma
captação em bônus de US$ 11 bilhões no mercado internacional.
Parece que aprenderam a formula com os entreguistas
tucanos, que cometeram o maior crime de lesa pátria da História do Brasil, a “venda”
da Cia Vale do Rio Doce. O PT organiza a nova privataria, gradual, da
Petrobras, processo que começou com FHC. Sofrendo com alto endividamento e
defasagem dos preços dos combustíveis no mercado interno, além das dificuldades
para aumentar sua produção, apesar dos gastos elevadíssimos com contratação e
aluguel de plataformas de exploração, a Petrobras tem uma necessidade de
captação bruta de US$ 12,1 bilhões por ano – principalmente para financiar suas
dívidas em crescimento. O mercado já percebeu que a dívida deve crescer, até
que seja possível adotar a “solução mágica” de a União abrir mão de seu
controle como acionista majoritário.
Essa criminosa operação de endividamento é
totalmente feita fora do Brasil, sob controle da “subsidiária” Petrobras Global
Finance B. V. – que opera desde 2012. Curiosamente, nem no site da Bloomberg,
alguém consegue saber quem são os dirigentes da empresa que cuida das finanças
da endividada Petrobras. Só se sabe que no mesmo endereço holandês, no segundo
e terceiro andares da (Wenna 722, Weenapoint Tower A, 3014DA, em Rotterdam),
funcionam a Petrobras Nederlands (PNBV), a Petrobras Global Trading (PGT) e a
Petrobras International Braspetro BV (PIB).
A Petrobras Global Finance B. V. opera a todo
vapor, “captando”. No início de janeiro deste ano, a Petrobras captou cerca de
US$ 5,1 bilhões. A operação foi feita em euros e libras esterlinas, com
vencimentos entre 2018 e 2034. A Petrobras informou que as captações em euros
foram divididas em três partes. A primeira delas, com vencimento em 2018, foi
de € 1,5 bilhão, com taxa de juros de 2,75%. A segunda tem vencimento em 2021 e
somou € 750 milhões, com cupom de 3,75%. E a terceira, com vencimento em 2021,
foi de € 800 milhões, e taxa de 4,75%. Ao todo, a captação em euros foi de €
3,050 bilhões.
As taxas de juros oferecidas aos investidores foram
superiores às de setembro de 2012, quando ocorreu a última emissão em euros da companhia,
correspondente a US$ 3,3 bilhões. Na época, os títulos com vencimento em 11
anos pagaram 4,25%, abaixo dos 4,75% de agora. Já a captação em libras
esterlinas somou 600 milhões e tem vencimento em 2034, com taxa de 6,625%. Os
investimentos da empresa estimados para o período de cinco anos foram reduzidos
em quase 7% em relação ao plano anterior. Mesmo assim, o valor soma US$ 220,6
bilhões. No plano anterior, referente ao período de 2013 a 2017, o volume era
de US$ 236,7 bilhões. Agora, vem a nova captação de US$ 12 bilhões. DURMA-SE COM UM BARULHO DESTES!
Autos de infração por dívidas e barganhas políticas
Um “grande” jornal paulista informou que a
Petrobras recebeu cinco autos de infração da Receita Federal desde outubro, no
valor de R$ 8,768 bilhões.
O volume equivalente a 37,2% de seu lucro em 2013,
de R$ 23,6 bilhões. A empresa recorre de todos e, por isso, decidiu não
provisionar (lançar no balanço como perda provável) nenhum dos pagamentos.
Essas informações constam em prospecto preliminar
entregue pela empresa à SEC (Security and Exchange Comission, instituição que
regula o mercado de capitais nos EUA) hoje, por ocasião da emissão de títulos
para captação de US$ 8,5 bilhões.
A divulgação dos casos é realizada como forma de
alertar os investidores que compram os títulos sobre riscos de impactos
potenciais no resultado da empresa.
A direção da petrolífera informa, no documento que
está recorrendo de todos os casos. Nos quatro primeiros, a Petrobras considera
que a chance de perda é possível, mas não provável, porém, no último prevê
chance de perda remota.
Contra-rebeldia
O poderoso chefão José Sarney é o padrinho direto
da indicação de Sinval Zaidan para a diretoria de Distribuição da Eletrobras, estatal
que é presidida por José da Costa, outro indicado de Sarney.
Zaidan é parceiro do atual diretor de Transmissão da
Eletrobras, José Antônio Muniz, também afilhado de Sarney. Assim, o PMDB vai
contar com mais membros na diretoria da estatal do que o PT, que só tem Valter
Cardeal, diretor de Geração.
Garis de
cidades de SP e MG paralisam as atividades
Após a bem sucedida paralisação dos garis do Rio de Janeiro, foi a vez
dos profissionais de Santa Bárbara d’Oeste (SP) e Pouso Alegre (MG)
interromperem as atividades por condições mais dignas de trabalho. No caso da
cidade mineira, os garis estavam há dois meses
sem pagamentos. No Oeste Paulista, os profissionais exigiram reajuste
salarial.
Em ambos os casos, as exigências trabalhistas foram
atendidas. Em Santa Bárbara, inclusive, o reajuste foi de 40%.
Protesto dos desabrigados
O grupo era formado por pessoas que não tinham onde morar. Eles ocuparam um galpão que estava abandonado na Avenida Francisco Bicalho, perto da Rodoviária Novo Rio para se abrigar
Segundo os moradores, não houve nenhum tipo de notificação por parte da Prefeitura do Rio. ''Eles já chegaram ao local derrubando tudo! São aproximadamente 251 famílias desabrigadas'', disse um morador.
>> VÍDEO COM DEPOIMENTO DE ALGUNS MORADORES:
http://www.youtube.com/watch?v=mWoZQKu9lms



