MARCELO MÁRIO DE MELO -
TEMPO FECHADO
Barco furado
sem caneco e sem remo
carruagem sem cavalo
e fonte sem gota d’água.
Porta fechada
para entrar e sair
caminho de caco de vidro
sem sapato pra calçar
O sol ausente
preso em nuvem escura
coveiro em sala de parto
e palhaço de mortalha.
Fundo de poço
com areia movediça
grade no final do túnel
lama com mel de carniça.
Tempo fechado
todos os mapas rasgados
a desvida ocupando
os campos da sobrevida.
***
FESTA DA POESIA
Vou pra festa da poesia
festa de entrada franca
ninguém é dono nem manda
ninguém promove ou banca.
Nela os portões são abertos
por nuvens de passarinho
e o recepcionista
é um cavalo marinho.
Para iluminar o espaço
as estrelas se abaixaram
e as cores do arco-íris
se soltaram pra pintá-lo.
Um gigante cata-vento
faz dupla com a espiral
na ciranda linha aberta
envolvimento geral.
Todos brincam nessa festa
falas gritos gestos risos
os mil brinquedos da vida
atraindo os indecisos.
Belas musas e arlequins
ensinam a sua dança
cantam sussurram encantam
com leveza e fala mansa.
É a dança das palavras
o que eles nos ensinam
as palavras da poesia
que por toda parte minam.
É dança que dá poemas
em fios enfeitiçados
nas colheitas de beleza
que se faz por todos lados.
No fim da festa se ergue
brinde à vida à alegria
com votos pra se ter mais
poesia no dia a dia.
Todos voltam para casa
com um poema na mão
frutos da dança com as musas
e sua fecundação.
***
AMOR MAIOR
Raios de esperança
raias de mudança
rios de nova dança
cio
flor
estrada nua
sol e lua
sendas
sedas
pés e mãos
dó re mi fa sol
laço e nó
batendo o pó
água
que arrasta
ilha a ilha
continente
amaravilha.



