Por MARCIO
SALES SARAIVA - Via blog do autor -
O senador
Lindbergh (PT)[1] abriu
dissidência dentro do seu partido para apoiar Marcelo Freixo (PSOL) para
prefeito do Rio de Janeiro. Bem, é melhor ver petistas votando em Freixo do que
no PMDB, ainda que o partido de Lula e Dilma vá marchar majoritariamente com a
escória de Cabral, Pezão, Paes e companhia. Além disso, até que ponto o
apoio de Lindbergh, neste momento, ajuda o candidato do PSOL? Lembremos de
Dilma e Lula na campanha de Edmilson Rodrigues em Belém do Pará, em 2012. Em
contexto distinto, o PT acabou atrapalhando o PSOL que ficou identificado como
fachada “radical-chic” do governismo lulo-dilmista. A ver.
O PCdoB deve
aderir ao PMDB também, em nome da “governabilidade nacional”, mas tem muita
gente envergonhada dentro deste partido e que torce pela candidatura de Jandira
Feghali. Na prática, o eleitor carioca que tem identidade com PT/PCdoB deve
votar mesmo em Alessandro Molon (REDE)[2] ou
Freixo (PSOL), mas poucos terão “peito” para apoiar o nome indicado pelo
Eduardo Paes (PMDB), ainda que parcela significativa da direção do PT/PCdoB
tenha vivido dentro do governo dele. Essa é a “ex-querda” que qualquer direita
ama, pois colabora com o sistema vigente e empresta “verniz social” aos
candidatos das oligarquias financeiras-empresariais.
Eduardo Paes
teve pouco mais de 2 milhões de votos em 2012 e, com o apoio do PT e do PCdoB,
levou a eleição já no primeiro turno, com 64% dos votos. Mas Freixo (PSOL)
surpreendeu com quase 1 milhão de votos (28%). Uma prova empírica que o
eleitorado de esquerda está vivíssimo na cidade, o que falta é unidade na
esquerda. Além disso, Paes está desgastado, enfrentará muitos protestos em 2016
(saúde, transportes e obras superfaturadas são temas explosivos!) e ainda não
tem um bom nome para representá-lo no processo eleitoral. O seu querido Rodrigo
Bethlem, ex-xerife do Rio, renunciou ao mandato de deputado federal para não
ser cassado e está encalacrado na Justiça. Era o homem forte de Eduardo Paes.
Depois da queda de Bethlem, entrou Pedro Paulo que está sendo chamado de
“espancador de mulheres”. O violento machista está com dificuldades para
emplacar seu nome, até no PMDB.
Já o PCB e o
PSTU ainda não fecharam nada (até onde sei), mas seria interessante se os
mesmos formassem uma frente contra a máfia do PMDB. Ao invés de insistir com
candidatos abaixo de 1%[3],
esses partidos poderiam construir uma frente democrática-popular para derrotar
a direita com um programa ambientalmente sustentável, progressista no campo
socioeconômico e radicalmente democrático/horizontal. De qualquer forma, o nome
do prof. Mauro Iasi (PCB) é muito digno.
Clarissa
Garotinho (PR) tem força no eleitorado mais empobrecido e localizado nos
grotões da cidade, mas cometeu um erro grave. Apoiou o direitista DEM na última
eleição, colocando-se servilmente como vice de Rodrigo Maia, filho do
ex-prefeito Cesar Maia. Ela é bem maior que ele. O seu resultado eleitoral foi
lastimável. Obteve apenas 3% dos votos (95 mil eleitores embarcaram nessa
chapa). Seus eleitores – e os eleitores de seu pai – não aceitaram essa aliança
com o DEM e podem “punir” Clarissa retirando votos agora. Penso que, no quadro
atual, a filha de Garotinho não chegaria a 10%. Se Romário (pelo PSB ou pelo
PSDB?) sair como candidato também, ele, que teve 4,7 milhões de votos para
senador em 2014, “abocanha” eleitores da mesma faixa socioeconômica de Clarissa[4] e
de Marcelo Crivella (PTB, ex-PRB, o sobrinho de Macedo teve 1,6 milhão de votos
na última eleição para governador).
Outros nomes
aparecem aqui e ali, mas são figurantes, segundo time. Esses nomes citados
acima são os verdadeiros “jogadores” dessa eleição de 2016 na cidade do Rio de
Janeiro, pelo menos, até aqui (janeiro de 2016) são os nomes mais
significativos.
Pela esquerda,
teríamos então Alessandro Molon (Rede)[5],
Marcelo Freixo (PSOL) e alguém do campo PCB-PSTU-PCO (caso esses últimos
insistam em sair com candidaturas isoladas).
Na direita
teremos um nome do PMDB (Pedro Paulo, Osório ou Rafael Picciani?) com apoio de
Pezão, Cabral, Lula, Dilma, mais “80 partidos” e toda a oligarquia financeira,
industrial, comercial e oligopólios midiáticos. Satanás virá com toda a sua
falange.
Disputando o
eleitorado mais empobrecido, com perfil de centro e apelos mais populistas,
teríamos as candidaturas de Clarissa Garotinho (PR), Romário (será que vem
mesmo?) e do bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (agora no PTB). Há quem
fale em Índio da Costa (PSD), mas este fala somente para um setor da sociedade,
o eleitorado “emergente” de classe média-alta. Índio teve quase 92 mil votos em
2014 e é a cara e a voz dos emergentes da Barra.
O nome mais
forte do “centro populista” seria o de Romário, sem dúvidas. Depois dele, o
bispo Crivella pode surpreender, pois o eleitorado conservador-evangélico lhe
dá uma base importante. Só para lembrar, no Rio de Janeiro, os católicos não
são maioria da população.
O meu palpite é
que teremos um segundo turno entre o candidato da máquina (PMDB) e um nome da
esquerda (Molon ou Freixo?). Dessa vez, a esquerda carioca poderá levar a melhor
se conseguir superar suas neuróticas divergências internas e falar ao coração
dos eleitores, mobilizar sonhos. Há no eleitorado carioca certo enjoo diante
das mesmas promessas de sempre, do velho jogo das oligarquias políticas.
Crivella e
Romário ameaçam sim, são dois nomes fortes, mas o eleitor parece buscar algo
mais radical. É aí que Molon e Freixo levam vantagem. Ambos não têm rabo preso
com as oligarquias da cidade e estão mais bem preparados para enfrentar a
máquina do PMDB com obras, truques publicitários e muito dinheiro.
NOTAS:
[1] Lindbergh teve 800 mil votos no
estado em 2014, ficando em quarto lugar para o governo do Rio (com a chapa
PT/PV/PSB/PCdoB) com 10% dos votos. Tarcísio (PSOL) surpreendeu com pouco mais
de 700 mil votos (9%) e apenas ¼ do tempo de rádio e TV de Lindbergh.
[2] Que
recentemente deixou a esquerda do PT e filiou-se a Rede Sustentabilidade, sendo
atualmente líder da REDE na Câmara Federal. Obteve 87 mil votos (1%) para
deputado federal em 2014. Com todas as dificuldades enfrentadas pela “marca
PT”, Molon, ainda assim, foi o mais votado da lista.
[3] Na última eleição municipal, em 2012, o candidato do PCO (Antônio Carlos)
não teve 1.000 votos e o do PSTU (Cyro Garcia) teve mais de 12 mil votos
(0,4%). Na eleição de 2014, o PCB lançou Ney Nunes para governador e este
obteve 9 mil votos (0,1%) enquanto Dayse Oliveira, do PSTU, teve um pouco mais
de 33 mil votos (0,4%). Se somarmos PCB, PSTU e PCO, os três não chegam a 1% do
eleitorado. Claro que isso não é critério de verdade e, em geral, as minorias é
que fazem a mudança histórica, mas, convenhamos, esses números pífios exigem
alguma reflexão e autocrítica dos camaradas. No mínimo, esses partidos não
conseguem dialogar com o povo carioca.
[4] Clarissa teve 335 mil votos (4%) para deputada estadual em 2014.
[4] Clarissa teve 335 mil votos (4%) para deputada estadual em 2014.
[5] A Rede Sustentabilidade ainda não decidiu, mas Molon é o nome mais forte e
que, até onde apuramos, une o partido na cidade. No Rio, a REDE tem outros
nomes importantes como o vereador Jefferson Moura, o deputado Miro Teixeira, a
advogada e ambientalista Sonia Rabello, o sindicalista Célio Gari, o vereador
Marcio Garcia e a jornalista e ex-vereadora Andrea Gouveia Vieira. Os
porta-vozes estaduais da REDE são dois professores: Ana Paula Moura (UFRJ) e
Luiz Eduardo Soares (UERJ).



