28.8.15

UMA DÉCADA DE MUDANÇAS À CAMINHO

ADRIANO CASTRO DE SÁ* -


A segunda década de nosso século e milênio mal chega à sua metade e já traz em seu âmago a mudança de mentalidade em todas as classes e categorias humanas no que diz respeito a conscientização junto às estruturas de Poder em diversos países. Encontra-se nessa base o cerne no Pós-Guerra Fria onde Governos conservadores e sociais democratas passam a se revezar no Poder em diversos países europeus, forjando-se a formação de uma União Européia (UE) em ditames neoliberais (volta aos clássicos econômicos liberais,neoclassicismo econômico,com nome de neoliberalismo-nada de novo)e na construção de uma moeda única voltada para os bancos e para a economia de mercado: o Euro, usando como parâmetro o padrão de vida da rica Alemanha para países mais pobres como Portugal, Espanha, Grécia e Bulgária (por exemplo) no intuito de se fazer uma Pátria Européia próspera e feliz,que nada mais é que o engodo usando pela burguesia radical na Revolução Burguesa-que era aquela época a expressão econômica mais avançada frente ao feudalismo (ou Revolução Francesa) de 1789,p ara a tomada do poder, que, logo se acomodaria na continuidade da exploração dos povos. Um modelo (neoliberal) e modo de vida contraditórios que tentaram sacralizar no Mundo inteiro, mas, parece parar, onde, em exatos 200 anos, depois da Queda da Bastilha, antiga prisão que representava a realeza, houve a Queda do Muro de Berlim, do mundo de experiência do socialismo científico iniciado por Lênin, de orientação marxista,que vem à sucumbir devido à traição da camarilha de Mikhail Gorbachev, mas,algo que vinha sendo fomentado após a morte de Stálin com o revisionismo de Krushev.

Depois da bipolarização de EUA e URSS na Europa e no Mundo todo, surge o multilateralismo,um Mundo multipolar,onde os países começam a se organizar em blocos para defenderem suas economias nacionais e seus interesses de forma transnacional e internacionalizada na sua composição de capital financeiro e de ações. A União Européia (na Europa com a liderança de Alemanha, Itália,Reino Unido e França):com o nascente Euro e outras moedas nacionais em processo de adesão;A Comunidade de Estados Independentes(CEI)-que tenta a adesão da maioria dos países da ex-União Soviética,e que funciona como uma “união de países” semelhante ao Clube Europeu) liderada pela Rússia e com o Rublo como moeda(moeda da extinta União Soviética e que recentemente foi instituída a União Eurasiática. A criação da União Africana (UA) com a adesão de quase todos os países desse continente. O “planeta” China, sozinha com seu modelo de liberalização do capital estatal para economia de mercado e o desenvolvimento interno,com capital humano de um sexto da humanidade e expansão de capital pelo Mundo: usando a desvalorização de sua moeda,frente o dólar(moeda de referência universal) para tornar suas exportações baratas e de extrema concorrência,penetrando no capital de vários países do Mundo,Igualmente a Índia,que,com o Brasil e República Sul-Africana (além de Rússia e China) vem a formar os BRICS, dentre outros. Houveram também tentativas de desmonte de economias nacionais como a famigerada ALCA (Aliança de Livre Comércio para as Américas) mas que infelizmente alcançaram o México com o NAFTA, trazendo os piores resultados econômicos e sociais,violência, narcotráfico,desempregos e desregulamentação da economia,onde até a tortilha (prato típico hispânico) é agora fabricada nos  EUA para América Latina,na intenção de fazer uma concorrência,diga-se de passagem de um comércio e indústria que representa cerca de 30% do PIB/PNB Mundial contra as frágeis economias locais latino-americanas (que no Continente corresponde à cerca de 80% contra 20% dos demais países) para estrangulá-las e venderem soberanamente seus produtos praticamente sem concorrência depois de quebrar as empresas nacionais ou comprá-las,principalmente as estatais;além de guerras como a do Iraque pela posse de hidrocarbonetos e diversas ingerências em países estrangeiros por parte das potências militares remanescentes,principalmente contra a política e economia dos países emergentes,durante os anos 90,2000 e 10 dessa nova era,como o covarde assassinato de Muamar Khadaffi e Saddam Hussein,que,em contrapartida,foram ceifadas também muitas vidas norte-americanas em combates por terra,incluindo aí o Afeganistão. Para evitar a morte de aliados, usa-se a fomentação de Golpes de Estado como: Honduras,Paraguai, Ucrânia e tentativas: Armênia, Brasil, Equador, Quirguistão e  Venezuela.

A desilusão com o modelo neoliberal,carcomido e decadente,mas escondido no seio dos Estados Nacionais através de pactos e contratos com os Entes Públicos,de forma sorrateira e corrupta, sempre em detrimento do trabalhador e dos próprios Estados Nacionais continuam ainda à todo vapor até a exaustão do capital e das relações de trabalho,quase sempre sob o silêncio da mídia tentando encobrir a verdadeira dimensão do descontentamento popular pelo Mundo afora,gerando tantas contradições que não conseguem conter a resposta desse descontentamento nas urnas,em uma guinada no Mundo que se faz por necessidade a virada do nacionalismo de direita para o nacionalismo de esquerda,até mesmo para preservação das próprias elites nacionais em detrimento das elites do exterior e de interesses nacionais e populares,à citar: Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, mais recentemente o Peru, etc. Até o MERCOSUL,que faz parte do ditame neoliberal dos anos 90,na Era FHC agora é combatido,assim como a Constituição Federal de 1988,com o povo desassistido e pauperizado clamando por mudanças em suas vidas,que minimamente foram garantidos através de muito suor,sangue e lágrimas depois da ditadura.

A mais clara mudança de paradigmas,tão contraditório quanto países pobres tentarem o socialismo ou uma vida melhor(diferente do que Marx dizia:“que países ricos e industrializados é que buscariam o socialismo (...)como sucessor natural do capitalismo(..)senão seria oportunismo”) começa a acontecer na própria Europa,no seio da União Européia,onde a onda de privatizações e a estagnação econômica substitui a estabilidade econômica e Estado de Bem Estar Social trazendo espoliação e pobreza da mão de obra trabalhadora dentro desses mesmos países que prometeram tal prosperidade e felicidade aos seus cidadãos europeus,onde todo esse ideário parece ruir como um “castelo de cartas”.Além do revezamento no Poder de Governos de Direita(Centro-Direita) e da Social Democracia (Centro-esquerda)-[ambos liberais] como: Espanha, Finlândia, Portugal, Reino Unido e Suécia (indo para direita) e Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, França (indo para esquerda)por exemplo; em todos eles temos o crescimento da extrema esquerda e da extrema direita [nacionalistas] e, na falida Grécia poderão fazer pela primeira vez na recente história da União Européia um Governo de Esquerda nacionalista(dito de extrema esquerda), que terá pela representação popular o aval para mudanças de caminhos nesse país e em todo o ” Velho Continente ” de velhos ditames dos clássicos econômicos liberais (da liberdade econômica à todo custo para favorecer somente o empresariado) que injustamente chamam de neoliberal.Pela composição parlamentar deve se aliar aos sociais democratas ou até aos nacionalistas de direita,para a defesa dos seus interesses nacionais e de conter a exploração e a miserabilização do trabalhador grego e europeu. A Grécia deve continuar na União Européia e na Eurozona,até por vontade do povo grego e da União Européia,pois se for expulsa ou desejar sair vai ocasionar o pior dos “efeitos-dominó” econômicos da história humana com outros também saindo devido as crises econômicas locais e também das dívidas externas galopantes com os bancos,moratórias por falta de condições de pagamento e insurgências internas e externas para combater o desemprego e expropriação de toda a riqueza das pessoas e famílias que terão de se ver às voltas com as piores mazelas e lutas que o Mundo Moderno e Contemporâneo.

Para manter essa estabilidade alguém sairá perdendo e já está perdendo,que são os trabalhadores e empresários nacionais,todos podem perder menos os bancos, até empreiteiros envolvidos em  escândalos de corrupção, o arrocho salarial, a flexibilização das normas trabalhistas,a quebra dos gastos públicos e dos investimentos do Estado,uma obrigação dos mesmos, o uso de políticas paliativas e não reparatórias, servem para a evasão de mais de 250 bilhões de dólares dos lucros dos bancos, que financiam as campanhas eleitorais e devem ser banidos ou pelo menos restringidos..E como dizia a música-Atual Realidade: ”Desmatar florestas, fazer queimadas, é burrice não ta com nada,deixar uma criança ser maltratada, é burrice, não ta com nada(...) Não tá com nada saber que vai pro fundo e ver nossa riqueza espalhada pelo mundo,não tá com nada esse projeto imundo,não ganha quem trabalha mas ganha o vagabundo”. Assim caminha a  Humanidade à passos de formiga e sem vontade.

* Adriano Castro Carneiro de Sá é graduado em Ciências Econômicas pela UFMT e jornalista colaborador da TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE, além de militante político e ativista das redes sociais.