ADRIANO CASTRO DE SÁ* -
A segunda década de nosso século e milênio mal chega à sua metade e já
traz em seu âmago a mudança de mentalidade em todas as classes e categorias
humanas no que diz respeito a conscientização junto às estruturas de Poder em
diversos países. Encontra-se nessa base o cerne no Pós-Guerra Fria onde
Governos conservadores e sociais democratas passam a se revezar no Poder em
diversos países europeus, forjando-se a formação de uma União Européia (UE) em
ditames neoliberais (volta aos clássicos econômicos liberais,neoclassicismo
econômico,com nome de neoliberalismo-nada de novo)e na construção de uma moeda
única voltada para os bancos e para a economia de mercado: o Euro, usando como
parâmetro o padrão de vida da rica Alemanha para países mais pobres como
Portugal, Espanha, Grécia e Bulgária (por exemplo) no intuito de se fazer uma
Pátria Européia próspera e feliz,que nada mais é que o engodo usando pela
burguesia radical na Revolução Burguesa-que era aquela época a expressão
econômica mais avançada frente ao feudalismo (ou Revolução Francesa) de
1789,p ara a tomada do poder, que, logo se acomodaria na continuidade da
exploração dos povos. Um modelo (neoliberal) e modo de vida contraditórios que
tentaram sacralizar no Mundo inteiro, mas, parece parar, onde, em exatos 200
anos, depois da Queda da Bastilha, antiga prisão que representava a realeza, houve
a Queda do Muro de Berlim, do mundo de experiência do socialismo científico
iniciado por Lênin, de orientação marxista,que vem à sucumbir devido à traição
da camarilha de Mikhail Gorbachev, mas,algo que vinha sendo fomentado após a
morte de Stálin com o revisionismo de Krushev.
Depois da bipolarização de EUA e URSS na Europa e no Mundo
todo, surge o multilateralismo,um Mundo multipolar,onde os países começam a se
organizar em blocos para defenderem suas economias nacionais e seus interesses
de forma transnacional e internacionalizada na sua composição de capital
financeiro e de ações. A União Européia (na Europa com a liderança de Alemanha,
Itália,Reino Unido e França):com o nascente Euro e outras moedas nacionais em
processo de adesão;A Comunidade de Estados Independentes(CEI)-que tenta a
adesão da maioria dos países da ex-União Soviética,e que funciona como uma
“união de países” semelhante ao Clube Europeu) liderada pela Rússia e com o
Rublo como moeda(moeda da extinta União Soviética e que recentemente foi
instituída a União Eurasiática. A criação da União Africana (UA) com a adesão de
quase todos os países desse continente. O “planeta” China, sozinha com seu
modelo de liberalização do capital estatal para economia de mercado e o
desenvolvimento interno,com capital humano de um sexto da humanidade e expansão
de capital pelo Mundo: usando a desvalorização de sua moeda,frente o dólar(moeda
de referência universal) para tornar suas exportações baratas e de extrema
concorrência,penetrando no capital de vários países do Mundo,Igualmente a
Índia,que,com o Brasil e República Sul-Africana (além de Rússia e China) vem a
formar os BRICS, dentre outros. Houveram também tentativas de desmonte de
economias nacionais como a famigerada ALCA (Aliança de Livre Comércio para as
Américas) mas que infelizmente alcançaram o México com o NAFTA, trazendo os
piores resultados econômicos e sociais,violência, narcotráfico,desempregos e
desregulamentação da economia,onde até a tortilha (prato típico hispânico) é
agora fabricada nos EUA para América Latina,na intenção de fazer uma
concorrência,diga-se de passagem de um comércio e indústria que representa
cerca de 30% do PIB/PNB Mundial contra as frágeis economias locais
latino-americanas (que no Continente corresponde à cerca de 80% contra 20% dos
demais países) para estrangulá-las e venderem soberanamente seus produtos
praticamente sem concorrência depois de quebrar as empresas nacionais ou
comprá-las,principalmente as estatais;além de guerras como a do Iraque pela
posse de hidrocarbonetos e diversas ingerências em países estrangeiros por
parte das potências militares remanescentes,principalmente contra a política e
economia dos países emergentes,durante os anos 90,2000 e 10 dessa nova era,como
o covarde assassinato de Muamar Khadaffi e Saddam Hussein,que,em
contrapartida,foram ceifadas também muitas vidas norte-americanas em combates
por terra,incluindo aí o Afeganistão. Para evitar a morte de aliados, usa-se a
fomentação de Golpes de Estado como: Honduras,Paraguai, Ucrânia e tentativas: Armênia, Brasil, Equador, Quirguistão
e Venezuela.
A desilusão com o modelo neoliberal,carcomido e
decadente,mas escondido no seio dos Estados Nacionais através de pactos e
contratos com os Entes Públicos,de forma sorrateira e corrupta, sempre em
detrimento do trabalhador e dos próprios Estados Nacionais continuam ainda à
todo vapor até a exaustão do capital e das relações de trabalho,quase sempre
sob o silêncio da mídia tentando encobrir a verdadeira dimensão do
descontentamento popular pelo Mundo afora,gerando tantas contradições que não
conseguem conter a resposta desse descontentamento nas urnas,em uma guinada no
Mundo que se faz por necessidade a virada do nacionalismo de direita para o
nacionalismo de esquerda,até mesmo para preservação das próprias elites nacionais
em detrimento das elites do exterior e de interesses nacionais e populares,à
citar: Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, mais recentemente o Peru, etc. Até o
MERCOSUL,que faz parte do ditame neoliberal dos anos 90,na Era FHC agora é
combatido,assim como a Constituição Federal de 1988,com o povo desassistido e
pauperizado clamando por mudanças em suas vidas,que minimamente foram
garantidos através de muito suor,sangue e lágrimas depois da ditadura.
A mais clara mudança de paradigmas,tão contraditório quanto
países pobres tentarem o socialismo ou uma vida melhor(diferente do que Marx
dizia:“que países ricos e industrializados é que buscariam o socialismo
(...)como sucessor natural do capitalismo(..)senão seria oportunismo”) começa a
acontecer na própria Europa,no seio da União Européia,onde a onda de
privatizações e a estagnação econômica substitui a estabilidade econômica e
Estado de Bem Estar Social trazendo espoliação e pobreza da mão de obra
trabalhadora dentro desses mesmos países que prometeram tal prosperidade e
felicidade aos seus cidadãos europeus,onde todo esse ideário parece ruir como
um “castelo de cartas”.Além do revezamento no Poder de Governos de
Direita(Centro-Direita) e da Social Democracia (Centro-esquerda)-[ambos
liberais] como: Espanha, Finlândia, Portugal, Reino Unido e Suécia (indo para
direita) e Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, França (indo para esquerda)por
exemplo; em todos eles temos o crescimento da extrema esquerda e da extrema
direita [nacionalistas] e, na falida Grécia poderão fazer pela primeira vez na
recente história da União Européia um Governo de Esquerda nacionalista(dito de
extrema esquerda), que terá pela representação popular o aval para mudanças de
caminhos nesse país e em todo o ” Velho Continente ” de velhos ditames dos
clássicos econômicos liberais (da liberdade econômica à todo custo para
favorecer somente o empresariado) que injustamente chamam de neoliberal.Pela
composição parlamentar deve se aliar aos sociais democratas ou até aos
nacionalistas de direita,para a defesa dos seus interesses nacionais e de
conter a exploração e a miserabilização do trabalhador grego e europeu. A Grécia
deve continuar na União Européia e na Eurozona,até por vontade do povo grego e
da União Européia,pois se for expulsa ou desejar sair vai ocasionar o pior dos
“efeitos-dominó” econômicos da história humana com outros também saindo devido
as crises econômicas locais e também das dívidas externas galopantes com os
bancos,moratórias por falta de condições de pagamento e insurgências internas e
externas para combater o desemprego e expropriação de toda a riqueza das
pessoas e famílias que terão de se ver às voltas com as piores mazelas e lutas
que o Mundo Moderno e Contemporâneo.
Para manter essa
estabilidade alguém sairá perdendo e já está perdendo,que são os trabalhadores
e empresários nacionais,todos podem perder menos os bancos, até empreiteiros
envolvidos em escândalos de corrupção, o arrocho salarial, a flexibilização
das normas trabalhistas,a quebra dos gastos públicos e dos investimentos do
Estado,uma obrigação dos mesmos, o uso de políticas paliativas e não
reparatórias, servem para a evasão de mais de 250 bilhões de dólares dos lucros
dos bancos, que financiam as campanhas eleitorais e devem ser banidos ou pelo
menos restringidos..E como dizia a música-Atual Realidade: ”Desmatar
florestas, fazer queimadas, é burrice não ta com nada,deixar uma criança ser
maltratada, é burrice, não ta com nada(...) Não tá com nada saber que vai pro
fundo e ver nossa riqueza espalhada pelo mundo,não tá com nada esse
projeto imundo,não ganha quem trabalha mas ganha o vagabundo”. Assim caminha a
Humanidade à passos de formiga e sem vontade.
* Adriano Castro
Carneiro de Sá é graduado em Ciências Econômicas pela UFMT e jornalista
colaborador da TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE, além de militante político e ativista das redes
sociais.



