Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via blog do autor -
O patrimônio dos 160 brasileiros que a revista americana
Forbes relaciona como bilionários soma 806 bilhões. Equivale a 14,66% do PIB
brasileiro de 2014, toda a riqueza produzida por mais de 200 milhões de
cidadãos. Só os 10 primeiros colocados da lista, divulgada ontem, respondem
sozinhos por cerca de 40% do total, ou quase 6% da riqueza nacional.
Quer dizer que cada um desses super-bilionários tem meio por
cento do PIB nacional no cofre. Os quatro donos das maiores cervejarias do país
têm fortuna de R$ 183 bilhões, ou mais de 20% da dinheirama desses plutocratas.
Eles vivem num universo de dinheiro capaz de dar inveja ao Tio Patinhas, o
símbolo do capitalismo quando ele era à base do self-made-man.
A lista revela que metade dos bilionários brasileiros
conseguiu aumentar seu patrimônio ao longo do ano passado, enquanto a crise
começava a tomar conta da economia brasileira. A fortuna dos três donos da
cervejaria Ambev (e de um fundo de investimento), à frente dos quais está o
brasileiro mais rico, Jorge Lemann (que ocupam o 1º, o 2º e o 4º lugares,
sucessão interrompida pelo banqueiro Joseph Safra), praticamente duplicou desde
o ano passado, graças à alta do dólar, já que grande parte de seus
investimentos foi aplicada fora do país.
Eike Batista, que chegou a ser o sétimo homem mais rico do
mundo em 2012, com fortuna superior a R$ 30 bilhões, sendo apresentado como o
símbolo da prosperidade brasileira, que multiplicou a linhagem dos homens
ricos, neste ano foi excluído da lista. Sua monumental fortuna, inflada com
dinheiro público e megalomania, está negativa em R$ 190 milhões.
Em compensação, Marcelo Odebrecht, o 9º maior bilionário,
comandando os R$ 13,1 bilhões da família, com seus 43 anos, está preso no
cárceres da Polícia Federal, em Curitiba, sob a acusação de inflar seus ganhos
com atos ilícitos através de fraudes nos contratos com a Petrobrás. Em que
posição ele poderá ficar em 2016? É uma resposta que ajudará a entender os
rumos do Brasil.



