31.8.15

O VÔO DA DILMA

CARLOS CHAGAS -


Voltaire surpreendeu amigos e admiradores ao declarar que invejava duas coisas, nos pássaros: a ignorância diante dos acontecimentos futuros e daquilo  que se dizia  a respeito deles.

Com todo o respeito, mas ao mandar anunciar a  nova CPMF, a presidente Dilma não conseguiu prever a avalancha de rejeições por parte dos políticos, empresários, trabalhadores e até ministros de seu governo?  Em paralelo, ignora o que o país inteiro anda falando dela, depois de mais essa proposta absurda  e  deletéria?

Em meio à crise que leva o Brasil para as profundezas, Madame imaginou que conseguiria sensibilizar a opinião pública para aceitar mais  um imposto sobre  cheques expedidos para pagamento de outros esbulhos? Por acaso deixou de considerar que contra a sua proposta seria formada uma frente ampla de protestos?

A  gente fica pensando até onde voará essa ave  perdida nos céus do Brasil. Provenham dela ou do ministro  Joaquim Levy, cada proposta para conter a crise assemelha-se a nova ascensão nas  nuvens da  insensatez.  Da redução de direitos trabalhistas ao corte nos salários como forma de evitar o desemprego, do aumento de encargos financeiros para as empresas à elevação dos juros, só falta mesmo revogar a Lei Áurea.  A cada semana multiplica-se o número  de desempregados.  Já são oito milhões e meio, conforme números maquiados pelo próprio governo.

O déficit de moradias populares  só não é maior do que a falta de atendimento na saúde pública. A inflação encosta nos dois dígitos, a produção cai enquanto cresce a importação de supérfluos.

Não se debitará exclusivamente a Dilma o conjunto de dificuldades que nos assolam, mas se ela continuar voando corre o risco de desaparecer na estratosfera.

GOVERNADORES EM PÂNICO

Apesar de partidária e regionalmente dispersos, os governadores parecem próximos de uma articulação capaz de poupar-lhes os mandatos. Porque do  jeito que  as coisas vão não sobrará nenhum, dos candidatos à reeleição aos já  reeleitos, agora imaginando uma cadeira de senador. As eleições de 2018 constituem preocupação nem tão  longínqua assim. Realizadas hoje, por hipótese, não poupariam nenhum. Como recuperar-se?  Ficando longe de Brasília...