HELIO FERNANDES -
Parte I
Bretton Woods 70, Bretton Woods 44
Inacreditável que supostas, presumidas ou assumidas sumidades
do setor econômico, confundam as duas datas. E muitos desses personagens não
apenas influenciam o setor econômico, mas são também economistas. Nenhum país,
a não ser os Estados Unidos pode fazer festa para comemorar esses 70 anos.
Eu não estive em Bretton Woods em 1944, embora já fosse
Secretário-Adjunto da revista “O Cruzeiro”. E a revista ainda caminhava
discreta e lentamente para ser a mais importante e de maior tiragem de todos os
tempos.
Só em 1947 a revista chegou a espantosos 750 mil exemplares
semanais, tiragem não alcançada nem mesmo por jornais e revistas de hoje.
Nessa época, o Brasil tinha a metade da população, e ainda
não existiam as assinaturas. Quem quisesse ler a revista tinha que comprar nas
bancas. Esses 750 mil exemplares de 1947, (há 67 anos), hoje corresponderiam a
mais de 2 milhões e 500 mil exemplares semanais. Isso se a revista mantivesse a
qualidade profissional, editorial e jornalística de 1947.
Em julho de 1944, (mês e ano do encontro de Bretton Woods), o
Millôr com 22 anos, revolucionou a revista e o próprio jornalismo lançando, o
que chamou de “Pif-Paf”. Eram duas páginas centrais, com texto e desenho
inacreditáveis, maravilhosos, usem as palavras que quiserem, pois todos se
entusiasmaram, o “Cruzeiro” foi atingido números elevadíssimos, cada vez
maiores.
Logo vieram outros jornalistas praticamente desconhecidos,
que se destacaram, obtiveram enorme sucesso. Só que o sucesso jornalístico é
quase a véspera do fracasso, o contrário também é rigorosamente verdadeiro.
Isso durou 20 anos, o próprio Millôr foi demitido
sumariamente. Escreveu matéria normal sobre religião, o Cardeal se revoltou,
pediu a Assis Chateaubriand, dono da revista, para demiti-lo. Foi atendido
imediatamente.
Da mesma forma como subiu, a revista desceu, foi caindo,
caindo, até chegar ao chão em matéria de tiragem, e logo desapareceu. Quase
todos foram para outros lugares. Este repórter já estava no “Diário de
Notícias”, comecei a fazer coluna e artigo diários, coisa que jamais alguém
tentou em qualquer parte do mundo.
Isso durou 50 anos, o Millôr me identificava assim: “Não posso
passar sem ler diariamente tuas colunas e artigos, mas só um jornalista maluco,
faz sem interrupção, um trabalho como esse”.
E na revista, a “liberdade de imprensa”, era a “liberdade do
proprietário” e não da
coletividade. Mas li e estudei o assunto a fundo.
*Em 22/07/14.



