17.6.15

DEVE-SE A DILMA A ANTECIPAÇÃO DO PROCESSO SUCESSÓRIO DE 2018

CARLOS CHAGAS - 

O que é, o que é? Anda feito pato, nada feito pato e faz “quem-quem” feito pato? Só pode ser um pato.

Eduardo Cunha coloca na ordem do dia da Câmara numerosos projetos prejudiciais ao governo. Ameaça o PT de rompimento da aliança com o PMDB, caso Michel Temer seja afastado da coordenação política, como deseja Aloízio Mercadante. Se não for esse pretexto, encontrará outros. Foi violentamente atacado pelos companheiros no V Congresso Nacional do partido aliado e reagiu dizendo que não haverá entendimento para a sucessão de 2018, estando os peemedebistas decididos a apresentar candidato próprio.

Acaba de receber representantes de trinta associações da sociedade civil defensores do impeachment da presidente Dilma, tendo prometido examinar técnica e politicamente o pedido de afastamento dela. Além disso, percorre os estados quase todos os fins de semana fazendo proselitismo de seu trabalho na Câmara e formou, entre os deputados, um bloco majoritário que controla a casa.

O que é, o que é? Só pode ser um candidato a presidente da República.

CUNHA EM CAMPANHA

São grandes os obstáculos à pretensão, mas é óbvio que o presidente da Câmara está em campanha. Precisará enfrentar os rumores de seu envolvimento nos escândalos da Petrobras, correndo risco de ser processado no Supremo Tribunal Federal. Deverá resolver o conflito com o presidente do Senado, Renan Calheiros, empenhado em derrotar boa parte das propostas de reforma política aprovadas na Câmara. Junto às bases do PMDB, terá que superar Michel Temer, outra hipótese de candidato presidencial. Por último, haverá que conquistar popularidade junto ao povão, que não tem, apesar de caracterizar sua liderança junto aos políticos.

Por isso Eduardo Cunha começou cedo, dentro da lição do velho provérbio árabe que não nos cansamos de repetir: “bebe água limpa quem chega primeiro na fonte”. Em especial por conta da demolição do governo Dilma, desde que começou o segundo mandato.

ALCKMIN DE VOLTA

Não há como negar que a sucessão de 2018 está antecipada e transcende do PT, com o Lula pontificando, ou do PMDB, hoje dividido entre Eduardo Cunha e Michel Temer. Porque no ninho dos tucanos, a disputa começou bem antes. Mas acirrou-se há uma semana, quando Geraldo Alckmin foi apresentado pela seção paulista do PSDB, despertando imediata resposta de Aécio Neves, para quem é cedo para tratar do assunto. Só que não é.

Quem quiser prospectar um pouco mais incluirá Ronaldo Caiado, do DEM, e Marina Silva, da Rede ainda não lançada no mar, mas bem perto. Fora os arrivistas de sempre, identificando-se até uma facção nova, interessada em propor o Tiririca.

Em suma, é a natureza das coisas que segue seu curso. Um governo fraco, como o atual, não poderia deixar de despertar seus contrários.