CARLOS CHAGAS -
O que é, o que é? Anda feito pato, nada feito pato e faz “quem-quem” feito pato? Só pode ser um pato.
Eduardo Cunha coloca na ordem do dia da Câmara numerosos projetos
prejudiciais ao governo. Ameaça o PT de rompimento da aliança com o
PMDB, caso Michel Temer seja afastado da coordenação política, como
deseja Aloízio Mercadante. Se não for esse pretexto, encontrará outros.
Foi violentamente atacado pelos companheiros no V Congresso Nacional do
partido aliado e reagiu dizendo que não haverá entendimento para a
sucessão de 2018, estando os peemedebistas decididos a apresentar
candidato próprio.
Acaba de receber representantes de trinta associações da sociedade
civil defensores do impeachment da presidente Dilma, tendo prometido
examinar técnica e politicamente o pedido de afastamento dela. Além
disso, percorre os estados quase todos os fins de semana fazendo
proselitismo de seu trabalho na Câmara e formou, entre os deputados, um
bloco majoritário que controla a casa.
O que é, o que é? Só pode ser um candidato a presidente da República.
CUNHA EM CAMPANHA
São grandes os obstáculos à pretensão, mas é óbvio que o presidente
da Câmara está em campanha. Precisará enfrentar os rumores de seu
envolvimento nos escândalos da Petrobras, correndo risco de ser
processado no Supremo Tribunal Federal. Deverá resolver o conflito com o
presidente do Senado, Renan Calheiros, empenhado em derrotar boa parte
das propostas de reforma política aprovadas na Câmara. Junto às bases do
PMDB, terá que superar Michel Temer, outra hipótese de candidato
presidencial. Por último, haverá que conquistar popularidade junto ao
povão, que não tem, apesar de caracterizar sua liderança junto aos
políticos.
Por isso Eduardo Cunha começou cedo, dentro da lição do velho
provérbio árabe que não nos cansamos de repetir: “bebe água limpa quem
chega primeiro na fonte”. Em especial por conta da demolição do governo
Dilma, desde que começou o segundo mandato.
ALCKMIN DE VOLTA
Não há como negar que a sucessão de 2018 está antecipada e transcende
do PT, com o Lula pontificando, ou do PMDB, hoje dividido entre Eduardo
Cunha e Michel Temer. Porque no ninho dos tucanos, a disputa começou
bem antes. Mas acirrou-se há uma semana, quando Geraldo Alckmin foi
apresentado pela seção paulista do PSDB, despertando imediata resposta
de Aécio Neves, para quem é cedo para tratar do assunto. Só que não é.
Quem quiser prospectar um pouco mais incluirá Ronaldo Caiado, do DEM,
e Marina Silva, da Rede ainda não lançada no mar, mas bem perto. Fora
os arrivistas de sempre, identificando-se até uma facção nova,
interessada em propor o Tiririca.
Em suma, é a natureza das coisas que segue seu curso. Um governo
fraco, como o atual, não poderia deixar de despertar seus contrários.



