6.3.15

SE CID GOMES NÃO FOR, SERÁ PRESO

CARLOS CHAGAS -
No meio da confusão a Câmara lançou sobre o governo Dilma um míssil mais letal do que a primeira votação em favor dos 75 anos para aposentadorias no Judiciário. Menos por faltar uma segunda votação, mais porque dos 513 deputados, só 108 votaram contra a convocação do ministro da Educação para explicar porque declarou que 400 ou 300 deputados são achacadores.

O ex-governador Cid Gomes pode entender pouco sobre educação, mas parece mestre em trapalhadas. No fim de semana que passou, reunido com professores e reitores de diversas universidades, em Belém do Pará, declarou que “400 ou 300 deputados optam pelo quanto pior, melhor, querem que o governo esteja frágil, forma de achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais, aprovando as emendas impositivas”.

Agressão igual a essa só a do Lula, antes de assumir a presidência da República, quando afirmou que na Câmara existiam 300 picaretas. Na época, não houve reação. Agora, a ampla maioria dos deputados votou pela convocação do ministro, entre candentes pronunciamentos onde o mínimo que sustentaram foi a sua demissão imediata. Junto com a bancada da oposição estavam governistas aos montes, até do PT. A convocação, ao contrário do convite, equivale a uma intimação, onde o convocado é obrigado a comparecer como a uma delegacia de polícia, para ser interrogado. Com dia e hora a ser marcados para a semana que vem, estando os deputados dispostos a exigir explicações.

Pelo seu temperamento, há dúvidas se Cid Gomes comparecerá, pois já tinha fixado o dia 19 para, como convidado, dialogar com a Câmara. Isso foi antes dos desastrados comentários de Belém. Ignora-se agora se pedirá desculpas, mesmo diante da impossibilidade de comprovar sua assertiva.

A decisão dos deputados, na noite de quarta-feira, dá bem a medida do clima de beligerância entre o Congresso e o governo. Boa parte dos deputados pretendeu atingir a presidente Dilma, mais do que o ministro da Educação. Não será o deputado Eduardo Cunha, como presidente da Câmara, a botar panos quentes na questão. Muito pelo contrário. Ele está disposto, no caso da recusa de Cid Gomes comparecer, a mobilizar estruturas policiais para conduzi-lo debaixo de vara, conforme o jargão jurídico.

UMA GRANDE CPI

Na madrugada do dia de sua renúncia o então presidente Jânio Quadros recebeu a informação de que a Câmara dos Deputados decidira transformar o seu plenário numa grande Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar denúncias de Carlos Lacerda sobre estar um golpe em marcha. A hipótese teria sido um dos motivos para Jânio abandonar o poder.

Alguns deputados oposicionistas mais radicais andam sugerindo o alargamento da CPI da Petrobras, imaginando que como está constituída dificilmente ela chegará a algum resultado. Já com todo o plenário da Câmara funcionando como CPI, poderia ser diferente. O diabo são os deputados incluídos na lista do procurador Rodrigo Janot: poderiam participar como inquisidores ou como réus?