Por ANTONIO LASSANCE - Via Carta Maior -
O
Senador Aécio Neves (PSDB-MG) terá que engolir a sua afirmação de que
foi derrotado por uma organização criminosa nas eleições deste ano.
O Senador Aécio Neves terá que engolir sua afirmação de que foi derrotado por uma organização criminosa.
Grande
parte dos políticos corruptos que receberam propina do esquema que
saqueou a Petrobrás, citados por um dos delatores, apoiou sua campanha,
desde o primeiro turno.
Ainda conforme os próprios delatores, o
envolvimento de cada um deles com essa organização criminosa data do
governo do presidente Fernando Henrique.
Já basta desse lenga-lenga de Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Roberto Duque.
Os brasileiros querem saber os nomes dos políticos que receberam dinheiro de propina do esquema que assaltou a Petrobrás.
O
que se espera agora é que as informações já vazadas sejam confirmadas
no inquérito da Polícia Federal, se os delegados fizerem o trabalho de
delegados e não de cabos eleitorais de distintivo.
O que se quer é
que todos sejam imediatamente julgados pelo STF ou fujam logo de seus
mandatos para serem processados em primeira instância, como fizeram os
acusados Eduardo Azeredo e Clésio Andrade, mensaleiros amigos de Aécio
Neves.
Quando os nomes ligados a Aécio nas eleições de 2014 e que
constam da delação premiada forem qualificados como parte do esquema,
Aécio terá uma organização criminosa para chamar de sua.
No PP, o
senador Francisco Dornelles (PP-RJ), ao que consta, um dos citados na
delação, organizou o apoio de todo o Diretório do Partido Progressista
do Rio de Janeiro ao presidenciável tucano.
Outro citado, João
Pizzolatti, presidente do PP de Santa Catarina, articulou o apoio desse
diretório a Aécio e ao chapão em aliança com o PSDB no estado, incluindo
o apoio à candidatura do tucano Paulo Bauer, a governador, e de Paulo
Bornhausen ao Senado, pelo PSB - também apoiador de Aécio.
Mesmo
no PMDB, muitos dos nomes citados estiveram oficialmente associados à
oposição, como o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), o senador Romero Jucá, de Roraima, e o deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ).
A recomendação ética de Aécio aos membros prediletos
dessa que acusa de ser uma organização criminosa foi: "suguem mais um
pouquinho e depois venham para o nosso lado".
A consequência da
baixaria do senador e presidente do PSDB é que ele próprio, ao nivelar
por baixo o debate político, ao invés de agir como líder da oposição,
incorporou o discurso e vestiu a camisa de chefe de um bando
desqualificado de extrema direita que pretende levar a disputa política
para as vias de fato.
A partir de agora, Aécio torna-se
responsável direto por qualquer ato que fuja do controle do processo
democrático e revele a face não apenas golpista e autoritária, mas
violenta desse bando.
O que se viu nas galerias do Congresso
(terça, dia 2) é apenas o começo de algo que, na República, sempre teve
um fim triste e personagens obtusos.
Aécio acaba de entrar para a essa galeria de personagens obtusos.



