Por GILAD ATZMON - Via Counterpunch -
Vez ou outra, líderes políticos e militares israelenses são derrotados pelas
próprias guerras israelenses. A primeira-ministra Golda Meir e seu comandante
do exército (David “Dado” Elazar)
foram mandados de volta para casa depois dos erros estúpidos de 1973
(Guerra do Yom Kippur). O primeiro-ministro Menachem Begin perdeu a sanidade
depois da primeira guerra no Líbano (1982). O ministro da Defesa Amir Peretz e
seu comandante do exército Dan Halutz’ foram tratados com dureza pela
mídia israelense depois da derrota de Israel no Líbano, em 2006. O
primeiro-ministro Benjamin Netanyahu paga agora o preço do mais recente
desastre israelense em Gaza e do levante de palestinos que veio imediatamente
depois.
Nações fortes tendem a unir-se em torno dos comandantes em tempos de
crise. Os
israelenses não, são como crianças mimadas. Preferem virar-se contra os
comandantes em tempos
de conflito, mas não porque anseiem por paz. É exatamente o contrário:
querem vitória conclusiva; rios de sangue árabe pelas ruas. Bibi não
lhes deu o que
queriam. Aos olhos de muitos patriotas israelenses, Bibi é mole.
Israel não se saiu bem na mais recente rodada de violência. O exército de
Israel não conquistou um, que fosse, objetivo militar importante. Depois de
poucos dias, o exército israelense teve de retirar-se, humilhado e exaurido. Os
militares israelenses já admitiram que não souberam dar resposta militar à
balística palestina, aos tuneis e a coragem sem fim dos palestinos. Além do
mais, o conflito em Gaza respingou sobre a Cisjordânia e cidades israelenses. Na
verdade, o gabinete de Netanyahu demorou a reagir. Parecia colhido de surpresa
pelos eventos. Agora, muitos israelenses já admitem abertamente que o futuro do
Estado Judeu é mais sombrio a cada dia.
O establishment político israelense
seguiu rapidamente a maré de opinião pública – com total radicalização. Os
falcões querem que o estado admita que é um “lar judeu”, em vez de uma
“democracia judaica” (expressão que, só ela, já é uma contradição entre os
termos). Os centristas e a esquerda israelense insiste que Israel tem de manter a mentira
‘democrática’. Soa bem e os Goyim acreditam,
como argumentaram.
Hoje cedo, o primeiro-ministro Netanyahu anunciou novas eleições, depois de
demitir dois ministros chaves de seu governo – Yair Lapid, líder do partido Yesh
Atid e ministro das Finanças; e Tzipi Livni, líder do Hatnua e ministra da Justiça.
Livni e Lapid opuseram-se à Lei Nacional de Israel e deram a Netanyahu oportunidade
de outro para se reafirmar como devotado judeu nacionalista patriótico. Acho
que Netanyahu sobreviverá a esse round político.
Mas há um ponto, nessa história, pequeno, mas significativo. Há sete meses, era
Netanyahu que pressionava cada vez mais a Autoridade Palestina, o Hamás e a
população palestina, num esforço para quebrar o governo de unidade dos palestinos.
Seis meses de violência depois, uma guerra em Gaza e uma 3ª Intifada em
produção, os palestinos mostram-se mais unidos que nunca. E o governo de Netanyahu
está caindo aos pedaços.



