JK exilado em Paris pela violência gratuita do golpe de 64, Juscelino saiu uma tarde dirigindo seu carro e curtindo saudades do Brasil, numa conversa com seu velho amigo Olavo Drummond. Chegaram à Place Vendômme, estacionou em um lugar proibido. O guarda logo aparece, alto e posudo, com seu bonezinho à De Gaulle. Pediu a carteira de motorista, conferiu:
- Sou eu.
- O senhor,
o próprio presidente Kubitschek? Por favor, dê-me a chave do carro. Eu mesmo
vou estaciona-lo. Aqui, apesar de exilado, o senhor continua presidente, como
sei que continua lá.
JK entregou
a chave, pôs a mão no ombro de Olavo e chorou.
ALKMIN
José Maria
Alkmin, ministro da Fazenda, e Augusto Frederico Schmidt, assessor de
inteligência de Juscelino, foram jantar com o embaixador do Egito. A conversa
corria sobre as influencias árabes no Brasil. Schmidt provocou:
- Nosso
Alkmin, por exemplo, é um árabe puro, a partir do nome. O que é que significa
mesmo Alkmin?
O
embaixador sorriu, ficou sem jeito, respondeu:
- “Al” é o
artigo “O”. “Kmin” é “mentira”. Alquime é o ouro falso. Alquimia eram
conhecimentos quiméricos da Idade Media.
- O senhor
está dizendo então que eu sou “o mentiroso”?
Despediram-se
às gargalhadas. Schmidt foi contar a JK.
- Alkmin já
esteve aqui. Disse que “Alkmin” é “o valente”.
SANTIAGO
Santiago
Dantas foi à Polônia receber o titulo de doutor Honoris Causa da multisecular
Universidade de Cracóvia (terra de João Paulo II). Na hora da solenidade,
deu-se conta de que esqueceu o texto do discurso de agradecimento que tinha
preparado para ser lido, como manda a tradição.
Mas era
preciso não ser indelicado. Chamou Marcílio Marques Moreira, diplomata e
assessor, pediu algumas folhas em branco, levantou-se com elas nas mãos, e,
fitando-as com firmeza, pronunciou longo discurso em francês, como se estivesse
lendo.
Só Marcílio
sabia.
JOSÉ
BONIFÁCIO
Em maio de
76, na viagem do presidente Geisel a Londres, grupos de brasileiros que moravam
lá levaram faixas e manifestos para a frente da embaixada do Brasil,
protestando contra a visita do “ditador”. Um jornalista encontrou, tranqüilo e
distante, o deputado José Bonifácio, líder da Arena:
- Deputado,
o que o senhor está achando das faixas e manifestos?
- Não estou
achando nada, meu caro. Não sei inglês.
AUGUSTO DE
LIMA
Em 40,
Getúlio nomeou o historiador e brilhante intelectual mineiro Augusto de Lima
Junior, filho do poeta e da avenida do poeta, ministro plenipotenciário do
Brasil durante as solenidades de mais um centenário da independência de
Portugal.
Liminha
chegou lá de discurso no bolso, feliz com a história e com a retórica. Mas no
dia seguinte também chegou o ministro do Exterior João Neves da Fontoura,
orador pomposo, acompanhado de ilustre comitiva, e comunicou que ia falar em
nome do Brasil.
Lima Junior
enlouqueceu. Pouco antes da solenidade, telefonou para o hotel e disse ao
ministro que havia chegado do Brasil um telegrama do Presidente para ele. João
Neves correu para lá, trancou-se para ler o telegrama, não havia telegrama
nenhum.
*Em
27/04/2007.



