CARLOS CHAGAS -
Anos atrás havia um pouco mais de pudor, se quiserem, menos
matreirice, quando no segundo semestre de anos eleitorais o Congresso
funcionava pela metade, dando às folgas para as campanhas o nome de
recesso remunerado. Agora chama-se esforço concentrado, exatamente a
mesma coisa.
Pois no esforço concentrado desta semana o que produziram deputados e
senadores, já de volta hoje a seus estados, para só retornarem a
Brasília por uma semana, em setembro?
Dizer que nada será exagero, mas não erra quem acrescentar “muito
pouca coisa”. O Senado perdeu-se na discussão interminável de ter havido
ou não maracutaia na CPI da Petrobras. Longas tertúlias entre as
bancadas do governo e da oposição para acusação e defesa de ter o
palácio do Planalto instruído seus parlamentares e seus depoentes para
perguntas e respostas adredemente preparadas.
E mais a votação do projeto que cria 200 novos municípios. Não serão
os 400 antes intentados, que Dilma Rousseff vetou, mas fizeram pela
metade, agora de acordo com a presidente. Mais despesas, câmaras de
vereadores, prefeitos, secretários, rombo no Fundo de Participação dos
Municípios e gastos de toda ordem. Tudo com sentido político-eleitoral e
com mínimas vantagens para o interior do país, porque nem a proposta de
adequação das dívidas dos estados entrou em pauta.
DEU EMPATE…
Só que na Câmara, se não foi pior, deu empate. Os deputados
empurraram com a barriga e não votaram a emenda constitucional que
viabiliza os direitos trabalhistas das empregadas domésticas. Também não
votaram o decreto legislativo que anula o decreto executivo das
consultas populares, antes objeto da sagrada ira parlamentar diante do
governo. Jogaram para o futuro a aprovação da PEC 170 que beneficiaria
os aposentados por invalidez. Não houve acordo, da mesma forma, para o
projeto que flexibiliza o horário da Voz do Brasil. Deixaram de apreciar
a emenda que extingue o fator previdenciário. Nada de modificar a
jornada de trabalho dos motoristas profissionais. Para as calendas
também ficou a discussão da responsabilidade fiscal dos clubes de
futebol, apesar dessas e outras iniciativas estarem na ordem do dia.
Em suma, não houve esforço, apesar de a concentração ter excedido as
expectativas, pois Câmara e Senado funcionaram apenas na terça e na
quarta-feira. Ontem, vale repetir, escafederam-se todos para seus
estados, visando empenhar-se nas campanhas pela própria reeleição e nas
disputas pelos governos estaduais e a presidência da República.
Encenou-se mais um capítulo desse longo recesso remunerado, porque
deixar de receber seus proventos, Suas Excelências não cogitaram…



