8.8.14

ATÉ QUANDO?

Por JUCA KFOURI - Via UOL Esporte -


O pênalti que a Justiça e a Receita Federal acabam de marcar contra o Corinthians é apenas mais um entre tantos que acontecem contra quase todos os cartolas brasileiros.

Gente que se acostumou há décadas com a impunidade e que sempre contou com a ajuda, na hora agá, do Estado, a quem engana e para quem deve.

“Porque você acha que eu vou fechar o Flamengo?”, um dia perguntou o então presidente Lula.

A prática tem sido essa em sucessivos governos: não só não fecha, como ameaça, não cobra e acaba por dar um Refis 1, 2 e 3, uma Timemania, quase um Proforte, não fosse a gritaria, ou, quem sabe, uma Lei de Responsabilidade Fiscal aparentemente dura, mas repleta de espertezas, para virar moleza, que também ficou no quase por que houve quem gritasse e houve que ouvisse, ainda mais depois do 7 a 1.

Não adianta o departamento jurídico do Corinthians explicar que ninguém desviou dinheiro para o próprio bolso.

Acredita nisso quem quer, os de extrema boa vontade, que nem levam em conta o que há de apropriação indébita nisso tudo.

O que a torcida vê são clubes falidos e cartolas e federações ricos.

Rebaixe um clube por má gestão, confisque o patrimônio pessoal do cartola e veja se tantos absurdos continuarão a acontecer no Brasil.

Andrés Sanchez diz que foi “uma opção administrativa”.

Maurício Assumpção confessa que parou de pagar esperando o Proforte.

Edmundo Santos Silva admitiu que “não sou um criminoso comum”.

“Ah, mas todos fazem a mesma coisa, como o caixa 2 dos partidos políticos”, sempre alguém justificará.

Enquanto o modelo não mudar, enquanto a estrutura não for implodida, assim continuará.

E ninguém vai preso.