Por JUCA KFOURI - Via UOL Esporte -
O pênalti que a Justiça e a Receita Federal
acabam de marcar contra o Corinthians é apenas mais um entre tantos que
acontecem contra quase todos os cartolas brasileiros.
Gente que se
acostumou há décadas com a impunidade e que sempre contou com a ajuda,
na hora agá, do Estado, a quem engana e para quem deve.
“Porque você acha que eu vou fechar o Flamengo?”, um dia perguntou o então presidente Lula.
A
prática tem sido essa em sucessivos governos: não só não fecha, como
ameaça, não cobra e acaba por dar um Refis 1, 2 e 3, uma Timemania,
quase um Proforte, não fosse a gritaria, ou, quem sabe, uma Lei de
Responsabilidade Fiscal aparentemente dura, mas repleta de espertezas,
para virar moleza, que também ficou no quase por que houve quem gritasse
e houve que ouvisse, ainda mais depois do 7 a 1.
Não adianta o departamento jurídico do Corinthians explicar que ninguém desviou dinheiro para o próprio bolso.
Acredita nisso quem quer, os de extrema boa vontade, que nem levam em conta o que há de apropriação indébita nisso tudo.
O que a torcida vê são clubes falidos e cartolas e federações ricos.
Rebaixe
um clube por má gestão, confisque o patrimônio pessoal do cartola e
veja se tantos absurdos continuarão a acontecer no Brasil.
Andrés Sanchez diz que foi “uma opção administrativa”.
Maurício Assumpção confessa que parou de pagar esperando o Proforte.
Edmundo Santos Silva admitiu que “não sou um criminoso comum”.
“Ah, mas todos fazem a mesma coisa, como o caixa 2 dos partidos políticos”, sempre alguém justificará.
Enquanto o modelo não mudar, enquanto a estrutura não for implodida, assim continuará.
E ninguém vai preso.



