Via Congresso em Foco -
Vice-presidente dos EUA forneceu documentos
hoje e disse que mais dados do regime militar serão repassados aos
brasileiros. Após espionarem Dilma, americanos dizem que agora dão “novo
enfoque” à política de segurança.
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| Biden disse que mais informações serão fornecidas, mas não se sabe quando e qual o ineditismo dos dados. |
O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta
terça-feira (17) que seu país irá dar ao Brasil parte dos documentos que
eles possuem sobre a ditadura militar brasileira (1964-1985). A medida é
uma resposta à revelação de que os EUA fizeram espionagem contra a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras.
Biden disse que hoje já entregou alguns destes documentos a Dilma, em
uma reunião pela manhã no Palácio do Planalto. Biden considerou essas
informações um “conjunto inicial” de dados, sem explicara quantas mais
serão fornecidas e qual o prazo para isso. Não se sabe se se tratam de
informações inéditas ou já arquivadas em bibliotecas e sites americanos,
à espera da consulta de qualquer pessoa.
De toda forma, os documentos devem ser remetidos à Comissão Nacional da Verdade.
Biden disse ter tido uma conversa “franca” com Dilma e garantiu que
os EUA hoje dão “um novo enfoque” a sua política de segurança e
interceptação de dados pessoais após o incidente com o Brasil. “Disse a
ela que o presidente Obama, quando ficou sabendo das revelações,
resolveu fazer um exame completo e nós mudamos nossos procedimentos e
estamos dando novo enfoque a estas questões”, afirmou o vice-presidente
norte-americano, segundo o portal G1.
A intenção do encontro hoje era aparar as arestas depois do mal estar
causado pelas revelações de que a Agência Nacional de Segurança (NSA)
dos EUA monitoraram conversas da presidenta. As informações e
documentos, prestados pelo ex-agente Edward Snowden, mostraram ainda que
a Petrobras foi espionada meses antes do leilão de Libra, o maior campo
de petróleo do pré-sal.
O conflito fez Dilma cancelar uma viagem de Estado aos EUA no ano
passado por considerar que o presidente Barack Obama não fez um
compromisso convincente de desculpas e de suspensão de futuras
espionagens contra o Brasil. Na ocasião, a Presidência da República
divulgou nota informando que a decisão de adiar o encontro foi tomada
pelos dois presidentes – Dilma e Obama.
Importância
Biden disse que a questão da espionagem é importante. “Discutimos
hoje as escutas americanas e como essa questão é muito importante, muito
importante não só aqui no Brasil, mas muito importante também para os
Estados Unidos e para o seu povo”, afirmou ele, em entrevista coletiva
no início da tarde, na Embaixada norte-americana.
O vice-presidente dos EUA disse que seu país não faz mais
diferenciação entre estrangeiros e norte-americanos quando o assunto é
proteger a privacidade das pessoas. A mudança aconteceu em janeiro, de
acordo com Biden. As regras de privacidade, previstas na Constituição
dos EUA, valem para todos agora.
Mais cedo, Biden disse estar “confiante” de que as relações entre
Brasil e EUA seriam restabelecidas. Ele classificou como “ótimo” o
encontro com Dilma.
Em entrevista publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo, o
vice-presidente dos EUA disse que seu governo faz “um esforço
concentrado para melhorar nosso relacionamento com os governos da região
além do âmbito ideológico”. Ele disse que espera ter Dilma no jantar de
estado a ser promovido por Obama apesar da viagem cancelada no ano
passado.
Trabalhar juntos
Em maio do ano passado, Joe Biden esteve no Brasil e se reuniu com a
presidenta Dilma. Na ocasião, declarou que o Brasil superou a fase dos
“países em desenvolvimento” e já alcançou o nível das nações
desenvolvidas e que os dois países têm de “trabalhar juntos”.
Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro econômico do
Brasil, atrás apenas da China. A expectativa é que, até o fim do ano, o
país tenha recebido mais de 26 mil estudantes brasileiros em
universidades norte-americanas.



