Via APN - Por Fátima Lacerda -
Desde o dia 22 de maio está valendo a Lei da Copa, sancionada pela presidenta Dilma 5 de junho em 2012 (Lei 12.663). É estarrecedor imaginar como o país pode se submeter ao jugo dessa instituição antipática, intervencionista e ditatorial: a Fifa.
Desde o dia 22 de maio está valendo a Lei da Copa, sancionada pela presidenta Dilma 5 de junho em 2012 (Lei 12.663). É estarrecedor imaginar como o país pode se submeter ao jugo dessa instituição antipática, intervencionista e ditatorial: a Fifa.
Chegou impondo leis e normas que se chocam com a legislação e com os
hábitos culturais do brasileiro, sem disfarçar a postura elitista, desde o
preço exorbitante dos ingressos. O calor humano e a emoção foram expulsos da
arena, junto com as arquibancadas.
Os brasileiros ficaram satisfeitos quando foi anunciado que a Copa do
Mundo seria aqui. Mas ficarão exultantes, como se um Exército invasor finalmente
deixasse o nosso território, quando a Fifa for para os quintos dos infernos:
xô, xô é o que cada brasileiro lá no fundo do coração tem vontade de dizer a
esses interventores.
Grande parte da rejeição ao governo Dilma decorre dessa submissão que nos
envergonha. Mas é certo que tanto Aécio Neves quanto Eduardo Campos fariam
igual ou pior. Pois nunca esconderam a cumplicidade com as corporações
multinacionais que hoje governam o mundo e sempre se submeteram prazerosamente
a seus ditames.
Em favor de Dilma contam pequenas vitórias. Como o crachá concedido a
algumas baianas, depois da “revolta do acarajé”. E a garantia da meio entrada
para estudantes e idosos, a princípio proibida pela Fifa.
É o mínimo, já que a maior parte do financiamento do espetáculo saiu dos
cofres públicos, ou seja, do nosso bolso. Recursos que deixaram de ser aplicados em saúde, educação, moradia,
mobilidade urbana e reforma agrária como vêm denunciando os movimentos sociais
que, por vezes, podem parecer inconvenientes e chatos a quem preferia não tomar
conhecimento de fatos tão desagradáveis.
No entanto, os lucros da Copa serão privatizados.
É conveniente conhecer a Lei da Copa que está em vigor nas 12 cidades
onde haverá jogos. Alguns artigos dão a dimensão do grande negócio que a Copa
do Mundo representa para a Fifa e o mundo empresarial. E do ônus imposto aos
brasileiros.
O que muda com a Lei da Copa
- Os
vendedores ambulantes dos estádios brasileiros não poderão ficar próximos aos
estádios, tendo que trabalhar a uma distância de pelo menos dois
quilômetros dos locais de jogos. Mesmo na Bahia, o famoso acarajé só
poderá ser vendido por pessoas previamente credenciadas.
- A
Guarda Municipal ficará a serviço da Fifa. As prefeituras das
cidades-sedes deixarão parte do contingente à disposição da entidade para
fazer valer as regras da Lei da Copa.
- As
publicidades nas cidades que receberão jogos só poderão conter anunciantes
oficiais da Fifa. Mesmo em paredes e cartazes, a uma distância entre um e
dois quilômetros dos estádios, só serão aceitas propagandas de produtos
licenciados para a Copa do Mundo.
- O
mesmo vale para o comércio, que só poderá fazer promoções para produtos
oficiais do Mundial. Os estabelecimentos que ficam próximos às arenas terão
que seguir à risca esses critérios.
- Publicidades
aéreas e náuticas também ficam proibidas - se não passarem pelo crivo da
Fifa - caso possam ser avistadas nas proximidades dos estádios. A lei
também vale para anúncios veiculados nos meios de transportes que dão
acesso à arena dos jogos.
- Nos
dias de jogos da Copa, os moradores das redondezas dos estádios receberão
credenciais para poderem chegar a suas casas. O restante não poderá entrar
em um raio marcado em torno dos locais a menos que tenham ingresso para a
partida em
questão. Foi-se o direito de ir e vir.
- A
Força Nacional de Segurança, a Polícia Federal e o Exército vão para as
ruas durante a Copa do Mundo. A ideia é aumentar o contingente para evitar
manifestações e o descumprimento da referida lei.
- As
sedes só poderão ter festas e eventos na rua se as organizações conseguirem
aval da prefeitura da cidade. A Fifa pretende tomar conta dessas
atividades durante a Copa.
- A
Fifa é a titular exclusiva de todos os direitos relacionados às imagens,
aos sons e às outras formas de expressão dos Eventos, incluindo os de
explorar, negociar, autorizar e proibir suas transmissões ou
retransmissões.
- Nas
datas das partidas, os Estados que receberão os jogos poderão optar por
estabelecer feriados ou pontos facultativos.
- Os
estudantes terão férias escolares especiais em 2014. Durante o período da
Copa, eles devem folgar, mas cada cidade poderá decidir como fará com suas
instituições.
- Os
bancos terão esquemas especiais para o mês da competição. Além dos
feriados, as casas de câmbio também devem interferir no funcionamento
deles.



