HELIO FERNANDES -
Profissionalmente, Dona Graça Foster foi extraordinária,
mostrando que não perdeu tempo nos 33 anos desde que entrou na empresa.
Aprendeu tudo, não desconhece coisa alguma. E fala com desembaraço e
conhecimento a respeito da Petrobras.
Quase tudo de improviso, tinha documentos e “slides” à
disposição, não consultava nada, nem mesmo números, que citava de memória ou de
cabeça.
Como em matéria de dignidade, honra, comportamento moral e
ético, está acima de qualquer dúvida ou suspeita, foi tratada por todos com
respeito e a confiança que merece. Não fizeram favor a ela ou a Petrobras.
E todos os que se inscreveram para debater (inicialmente 26
senadores), não se arriscaram a ficar contra a empresa. Queriam comprometer o
governo, sem atingir a empresa, muito difícil de conseguir.
Cada senador tinha cinco minutos para perguntas, impossível
manter esse tempo. O primeiro a interrogar foi o senador Rollemberg, que com a
herança genética e o brilho pessoal, colocou problemas graves. Depois de perda
de tempo com outros, chegou a vez de Álvaro Dias.
Um dos mais ferrenhos defensores da CPI (um mérito) depois
do depoimento da presidente, confessou: “As questões que temos levantado não
podem ser resolvidas aqui, e tornam mais indispensável a CPI”. Recuo visível, a
favor de Graça Foster.
“Respondeu pela
tangente”
Foi o senador Flexa Ribeiro (PSDB) que fez essa frase
duvidosa e sem sentido. Dona Graça explicou tudo, com dados e números, não
ficou nunca na “tangente”.
Cabia a ele, destruir o que ela mostrou, não tinha e não tem
o mínimo de condições. Advertido de que “seu tempo se esgotara”, continuou
falando por falar.
Graça contesta as
primeiras cinco perguntas
Respondeu tudo. Sobre Pasadena, já havia reconhecido que o
que parecia um “bom negócio” em 2005 e 2006, 1 ano depois já não era mais.
Culpou a crise que atingiu o mundo, mas essa só começou em 2008.
Mas ficou de pé, diante das explicações, a realidade de que
a Petrobras, com excesso de óleo pesado, precisava de mais refinarias. Quanto
ao preço pago, contestado, não pode ser eliminado ou explicado num simples
depoimento. (Por isso defendo a CPI, que não atingirá a Petrobras como
empresa).
Graça textual
A Petrobras aprovou a compra da refinaria de Pasadena, sem
maiores informações. Na época ainda estava longe da presidência da empresa.
Deixou em má ou péssima situação: Dona Dilma, o Conselho (presidido por Dona
Dilma), o presidente Gabrielli, e o assessor internacional Diretor Cerveró (sem
citar seu nome), que não completou as informações. E mais os 18 conselheiros da
Petrobras, que apoiaram a compra assim mesmo.
“Comprem Petrobras,
ou mantenham as ações”
Fez essa afirmação, baseada em relatórios de 15 bancos. 10
recomendam: “não vendam ações da Petrobras”. 5 vão mais longe. “Comprem ações
da Petrobras”. É a posição pública deste repórter, sem conhecer o relatório
desses bancos.
Randolfe Rodrigues,
decepção
Candidato a presidente da República e de um partido
tradicionalmente de oposição, uma pena. Botou a mão no peito, “quero falar
sobre o meu orgulho de brasileiro, com a Petrobras”. Depois patinou, patinou,
desperdiçou o tempo, não fez nenhuma pergunta que já não fosse do domínio
público.
Agripino Maia,
pergunta sólida
Foi o primeiro a tocar no assunto, de forma direta: “Por que
a Petrobras era a 12ª empresa do mundo, passou a ser colocada como a de número 120?
“Essa é uma grande questão que precisa ser minuciosamente explicada. Mas
impossível de ser resolvida num depoimento de horas, reforça a necessidade da
CPI exclusiva.
Aloysio Nunes
Ferreira fala sobre “apadrinhamento”
Estava faltando isso, não é segredo que cargos de direção na
Petrobras, são os mais requisitados no encontro de contas entre partidos e o
Planalto. A própria Dona Dilma já disse publicamente: “A presidência da
Transpetro vale mais do que muitos ministérios”.
O senador de São Paulo tocou no assunto, importantíssimo. Só
não pode dizer quem “apadrinha” o homem da Transpetro, é um senador como ele.
Já revelei várias vezes: “Sérgio Machado, depois que não se reelegeu senador,
foi indicado para esse altíssimo cargo por Renan Calheiros”. Não podem citar o
nome do presidente do Senado?
Aníbal Diniz-Delcídio
Amaral
Os dois primeiros do PT, foram também os primeiros a
defenderem a política de administração da Petrobras. Embora sem brilho ou sem
contribuir para elucidar coisa alguma, tentaram mostrar que o partido irá longe
na defesa, por ordem do Planalto.
Não mostraram convicção, mas pertencem ao PT. O que fazer, a
não ser defender Pasadena, que a própria Graça Foster disse várias vezes, “é um
mau negócio”.
Delcídio Amaral foi diretor da empresa. E de Campo Grande,
capital do Mato Grosso do Sul, um dos meus desterros e seqüestros em 1969.
Devia ter ido mais longe, senador.
Às 13,30, mais de 4
horas depois, Dona Graça responde a mais cinco senadores
Contrariando “todo mundo” e ressalvando que nessa época não
tinha cargo de direção, defendeu textualmente, “o zelo da operação de compra da
refinaria de Pasadena”.
Embora não concorde de maneira alguma, nem a respeito do “zelo”
ou dos “números” mirabolantes desperdiçados na operação, ela justificou: “A Petrobras
precisava com urgência de refinaria. E com as características, localização e
forma de operação, Pasadena era indicadíssima”.
“Pasadena é uma
operação terminada”
E já não dói? Dona Graça não falou, mas deixou o plenário
assombrado, com capacidade de exposição, a clareza da explicação, o torrencial
de dados oferecidos aos senadores, citando a todos pelos nomes nas respostas.
Fala sobre o
ex-diretor preso
Ninguém perguntou sobre Paulo Roberto Costa, na época
diretor internacional da Petrobras. Disse que na época não tinha nada a ver com
ele. Mas não tentou se refugiar, disse, textual: “Não era do meu âmbito, mas eu
devia ter tomado conhecimento dos fatos”. Lamento não culposo, mais do que
sincero.
Dona Graça terminou às 13,55, usou vinte e cinco minutos nas
respostas. O presidente, às 14 horas levantou os trabalhos por cinco minutos.
Senadores os mais oposicionistas e veementes, foram cumprimentar Dona Graça.
Haja o que houver até o final do depoimento, Dona Graça é a grande personagem
do dia.
A interrupção durou
mesmo cinco minutos
Recomeçou com Pedro Taques. Pegou a afirmação dela, “Pasadena
não foi um bom negócio”, e foi por aí, uma estrada pedregosa, não ajudava a
caminhada.
Ex-promotor, conhece o assunto. Mas não ajudou quando
resolveu “decodificar” os números da compra, realmente estranhos. Mas o senador
não teve sucesso, o que ele afirmou já foi afirmado por todos. Taques tinha 5
minutos, desperdiçou 11. E queria mais.
Eduardo Braga,
inacreditável
Líder do governo, quis fazer média, jogando fora o tempo de
quem estava lá ou do público interessado. Não disse nada a não ser criar uma
frase nova, e que na certa vai pegar: “Precisamos separar o joio do triigo”.
Bestial, senador, o amazonas, orgulhoso.
Graça Foster, às
14,45: “A Petrobras não é uma quitanda”
Foi a primeira vez que elevou a voz. Respondendo a bobagem
do senador Taques, que perguntou se a “Petrobras é uma quitanda”, respondeu enérgica
mas educadamente: “A Petrobras não é uma quitanda”. E deu as razões.
O senador Taques, irritado, quebrou o estabelecido para o
depoimento: perguntas e respostas, sem interrupção. Mas o senador tentou
interromper deseducadamente. O presidente Lindberg Farias, disse que não era
possível. Aliás, o senador que pode se transformar em governador, foi excelente
presidente. Sério, compenetrado, até de bom humor.
Todos, principalmente
oposicionistas, elogiam Dona Graça e seu depoimento
Pedro Simon, que começou às 15 horas e seis minutos, do alto
do pedestal conquistado, elogiou abertamente Graça Foster. O que outros não
quiseram fazer, Simon fez tranquilamente. Citou nominalmente os “apadrinhadores”
para altos cargos.
E o que outros senadores tentaram manter em silêncio, ele
nominou: “Sérgio Machado, da importantíssima Transpetro foi indicado por Renan
Calheiros”. E ainda gozou: “Ele tem estabilidade no cargo. É que está há muito
tempo na Transpetro”.
Dona Gleisi Hoffmann,
a última, desperdício de tempo
Usou o que podia para defender a “CPI ampla”, mas com
afirmação falsa: “Como existem tantas coisas a investigar, por que não
investigar tudo numa CPI única?”. Primeiro porque é inconstitucional. E segundo
que não se pode concentrar tudo.
O famoso Arquiteto americano Frank Lloyd Wright, quando
percebeu que a tendência de Nova Iorque era a da “urbanização vertical”, fez um
projeto gozação, concentrando toda a cidade em apenas um local. Ficou famosa a sátira,
Dona Gleisi não passará de Curitiba..
O pessimismo de
Cristóvão Buarque
Dona Graça respondeu
aos sete últimos senadores. Caminhando para 6 horas e meia de depoimento, Dona
Graça fala às 16,20
Impressionante. Começando às 10 da manhã, há essa hora, com
uma interrupção de apenas cinco minutos, começa o encerramento depois da fala
dos últimos sete senadores que chegaram atrasados.
Não almoçou, não bebeu água, não pediu um café, não
demonstrou cansaço, estava em plena forma. Esse encerramento durou 26 minutos,
mas ainda teve tempo, memória e satisfação de responder ao senador Inácio
Arruda: “No ano passado, o investimento da Petrobras passou de 100 BILHÕES”.
A oposição lamentou
ter convidado Dona Graça. Se houver CPI, ela está fora das cogitações da
oposição
Ninguém esperava o desempenho fantástico da Presidente da
Petrobras. “Altamente profissional”, como disse no início destas notas e como
digo no final. A oposição se reuniu logo que acabou a sessão, e concluiu: “Foi
a grande vitoriosa dos trabalhos”.
A sessão terminou as 16,51 minutos, ou seja, 6 horas e 51
minutos. Que não foram atrapalhados pelo exibicionismo do exibicionista Mário
Couto.
PS – Ontem enquanto
a presidente Graça Foster depunha no senado, as ações da empresa operavam em
baixa de até 2,50 em média. É que a Bolsa operava em queda de 2,34.
PS1 – Como as
ações da Petrobras têm a maior negociabilidade, quem queria fazer dinheiro,
vendia Petrobras. Nada a ver com o depoimento da presidente da empresa.
PS2 – O Supremo
não tratou do Mandado de Segurança da oposição, contra a CPI-ampla. Ou julga
amanhã ou ficará para depois do Chamado “feriadão histórico” de 21 de abril.
PS3 – A relatora,
Ministra Rosa Weber não faz um movimento, não dá uma palavra, não marca data.


