ROBERTO MONTEIRO PINHO -
O governo da presidenta Dilma Rousseff pode até mostrar
projetos sociais a exemplo do Minha Casa Minha Vida, o Pronatec - Programa de
Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, e o Mais Médicos, mesmo assim continuará devendo
e muito para a sociedade brasileira, notadamente com relação à infraestrutura
dos transportes, os gastos com estádios, a situação caótica dos aeroportos, a
insegurança, inclusive nos presídios, o descontrole dos gastos públicos, e a
total apatia com a remuneração dos professores.
O termômetro político estará nas manifestações próxima a
Copa do Mundo. E mesmo que assim pensem os governistas otimistas, de que essas
não deverão ter a abrangência das manifestações de junho de 2013, elas
acontecerão de forma compacta, por todo país, e alguns estados às manifestações
serão de adversários políticos, notadamente no nordeste, onde Lula da Silva e o
PT apostam suas fichas na reeleição.
Com os adversários ainda na nebulosa eleitoral, a exemplo do
governador de Pernambuco Eduardo Campos e do senador mineiro Aécio Neves, a
presidenta Dilma, embora não navegue em “águas turvas”, pode ver seu sonho de
reeleição ir a pique, porque, segundo fonte intima do ex-presidente Lula da
Silva, (este está sendo pressionado), e se Dilma sofrer uma queda na pesquisa,
o petista poderá lançar sua candidatura ao Planalto. Embora pretenda adiar o
máximo possível sua entrada no jogo político, Lula quer se manter na posição
exclusiva de articulador. Uma espécie de biombo, para que não tenha que
responder a ataques ou entrar no bate-boca de campanha, onde certamente terá
que explicar o “não sabia” do mensalão.
Na verdade Dilma não é tão favorita. Até o final de 2013
mantinha 41% nas pesquisas (fonte Ibope), já no inicio deste ano, subiu para
43%, mas isso num universo onde apenas um terço do eleitorado tem seu
pré-candidato. Com as manifestações pré Copa, e a saraivada de acusações de
irregularidades no governo, o descontentamento dos aliados nas composições
eleitorais e as majoritárias nos seus estados, servirão para fermentar o jogo
das eleições, onde o PT estará no centro da discussão, e Dilma relegada a um
segundo plano.
Existe ainda outro ingrediente, que de fonte fidedigna me
chama atenção. No lançamento da candidatura de Dilma, Lula teria entre outros
acertos, definido que não estaria descartada a sua candidatura em 2014. Dilma
se calou, se comportou como um poste, ganhou a eleição, e pode pagar o preço
daquele momento. Afinal, discutir apenas quem será ou não candidato a presidência,
essa não é a questão central dos opositores, e sim apenas dos próprios membros
do governo e do PT.



