Via Pravda -
Aconteceu algo absolutamente importante, imenso, há
poucos minutos, na Rússia: O Conselho Russa da Federação - equivalente ao
Senado dos EUA - acaba de aprovar POR UNANIMIDADE uma resolução que autoriza
Putin a usar as forças armadas da Rússia na Ucrânica, pedido que o Parlamento
já havia encaminhado antes.
Espero e rezo para que Obama e seus conselheiros parem e pensem cuidadosamente
o próximo passo, porque, que ninguém se engane: a Rússia está pronta para ir à
guerra.
Mas atenção: a Resolução do Conselho da Federação não significa, repito NÃO
SIGNIFICA que mais forças russas se movimentarão para a Ucrânia. Políticos
chaves russos já falaram e esclareceram que tudo que aconteceu é que, agora,
Putin tem plena autoridade legal para usar as forças armadas. Mas que é livre
para decidir quando e onde serão necessárias, e se serão necessárias.
OK. Mas é sinal ao qual todos devem prestar muita atenção e que é preciso
analisar com máxima seriedade. Do modo como vejo as coisas, não significa
apenas que a Rússia agirá para proteger a Crimeia, mas, também, que há
possibilidade real de que a Rússia use suas forças armadas em outros pontos da
Ucrânia. Esse, sim, é desenvolvimento muito, muito importante.
Nesses últimos dias, tenho ouvido muitos especialistas russos, assistido a
muitas entrevistas, declarações políticas, etc. e chamou-me a atenção o fato de
que ninguém sequer sugeriu que a Russia deve intervir militarmente. Todos
concordam que a Rússia deve apoiar os falantes de russo na Ucrânia,
politicamente, financeiramente e moralmente. Mas ninguém jamais mencionou o uso
da força. Assim sendo, o que terá acontecido de ontem para hoje?
(1) Algum tipo de ataque contra a Crimeia, durante a noite;
(2) mais ameaças absolutamente imbecis, temerárias, idiotas, de Obama, contra a
Rússia.
E essa combinação disparou a correspondente reação. Agora, todos os partidos políticos (TODOS) representados no Conselho da Federação Russa e cada deputado e senador presente já votou a favor de a Rússia usar TODAS as suas forças armadas.
É o equivalente de o presidente dos EUA ser informado de que TODOS os deputados
da Câmara e TODOS os senadores do Senado votaram a favor de ele ordenar o
início de uma guerra.
Outra coisa que preciso deixar bem clara aqui: não há ameaça capaz de deter o Kremlin agora. Ameaças, agora, só tornarão ainda mais decidida a reação popular de apoio a Putin.
E se algum aspirante a Napoleão ou a Hitler decidir tentar usar força militar contra a Rússia, a Rússia irá a guerra - e não importa quem se oponha nem quem apareça no campo oposto.
EUA e União Europeia têm de entender que cometeram
temeridades máximas, que foram muito além do admissível, na Ucrânia:
- mobilizaram neonazistas para derrubar governo corrupto e incompetente, sim,
mas governo legítimo. E, no processo, destruíram todo o aparelho do estado
ucraniano, deixando correr solta a mais ensandecida violência, e todos os
slogans mais racistas, que enfureceram totalmente todo o leste e o sul da
Ucrânia.
E agora, ou atacando ou permitindo que alguém ataque a Crimeia, eles ameaçaram
diretamente população russa e a Frota do Mar Negro.
Aí está mais um DESASTRE TOTAL, DESASTRE ABSOLUTO, do governo Obama.
Esse homem tem de desonesto o que tem de medíocre, arrogante, temerário,
irresponsável. Espero e rezo para que os comandantes do Estado-maior Conjunto
dos EUA tenham com ele, o mais rapidamente possível, uma "troca franca de
pontos de vista". Num mundo ideal, o Congresso já o teria tirado da
presidência por impeachment, doido, desprezível perdedor. Mas, dado que o
Congresso é ainda pior que Obama, resta, como única saída, que o Comando
Conjunto do Estado-maior das Forças Armadas aja.
Os russos estão unidos, estão realmente furiosos e sabem que têm força militar
suficiente para defender o próprio país e o próprio povo, imediatamente. Não
recomendo que ninguém duvide da capacidade da Rússia, porque, se o país for
atacado, a resposta será devastadora: pense no 8/8/2008[1], mas em vasta
escala.
Acho que um
desastre pode ser e será evitado. Espero até que o exército russo não entre na
Ucrânia. Mas os EUA têm de conseguir conter tanto o governo já instalado em
Kiev quanto os bandos fascistas nas ruas e fazê-los 'esfriar'. O passo
necessário seguinte é conseguir que os fascistas parem de tentar tomar prédios
públicos no leste e no sul da Ucrânia. Por fim, EUA e Rússia têm de conseguir
montar algum acordo que permita que a Ucrânia sobreviva formalmente como estado
unitário, mas a converta em confederação de fato, com presidência apenas
simbólica.
Os líderes de EUA e
da União Europeia têm de entender que estão brincando com fogo e que esse não é
um "problema ucraniano": agora, estão todos sob o risco de acabar em
guerra contra a Rússia - e essa guerra pode, é claro, ser nuclear. E, ainda que
jamais tenham de admitir publicamente, que tenham a coragem, pelo menos, de
admiti-lo para eles mesmos que criaram toda essa situação. A responsabilidade é
deles, integralmente.
*Tradução blog Fatos sociais.



