17.3.14

PETROBRAS ABANDONADA E DESVALORIZADA. DONA MARINA APRENDENDO COM O “PARCEIRO”. DONA DILMA, FESTEJANDO ATÉ DERROTA. PUTIN SONHA EM SER LENIN OU STALIN DE 1917 A 1929

HELIO FERNANDES –

Pagou uma página inteira em pleno carnaval. Palavras quase cabalísticas, amontoadas, sem explicação. O público não LÊ esse tipo de publicidade, em jornal. Não VÊ essa forma de publicidade, na televisão. Não OUVE essa tentativa de publicidade, em rádio.

Se tivessem realizado o objetivo de ser lido, visto, ouvido, ainda assim não adiantaria nada. Ninguém entenderia. A comunidade, principalmente os que estão perdendo dinheiro desde 2007, quer resultado. Isso, na Petrobras “desadministrada”, parece cada vez mais difícil.

“2014 será o ano da Petrobras”

Isso foi dito pela “desadministradora” maior, acima da análise, avaliação, comparação, até mesmo da Presidente da República. Que a partir da conquista (?) do primeiro mandato, começou e continua trabalhando pelo segundo.

Agora, todos ATACAM a grande empresa, nem ela se DEFENDE

PMDB e PT, ou melhor, Temer, Renan, Eunício, Braga, Jucá, (o vice e os “lideres” do Senado) dão aval antecipado a Eduardo Cunha. Só fizeram uma exigência, colocaram uma condicional: “Precisavam atingir a Petrobras”.

Abandonaram a CPI, demorada, complicada, podendo ser tumultuada, criaram a Comissão externa para ir à Holanda. É só comprar a passagem e “investigar”.

As ações cada vez valem menos

A poderosa (?) Dona Graça, logo no início do ano, afirmou sem qualquer prova: “Este 2014, será o da valorização das ações, e recuperação dos prejuízos vultosos, desde 2008”. Contestei 24 horas depois, que as ações há 6 anos estavam em 53 reais. Agora desceram a 11 e pouco, o mais baixo, fica “rondando os dois dígitos”, como haverá recuperação?

Dona Graça CONVIDADA

As revistas fofoqueiras de intrigas financeiras, Fortune e Forbes, já colocaram Dona Foster, “como a mulher mais poderosa e importante do Brasil”. Dona Dilma não gostou, e com razão. Se ela pode demitir a presidente da Petrobras, “a mais importante é ela”.

Parlamentares não esqueceram

Querendo diminuir a empresa, e fazer “média velada” com Dona Dilma, CONVIDARAM Dona Graça. Podiam incluí-la na lista de CONVOCADOS, isso era muito óbvio e sem sutileza. Queriam colocá-la nos trilhos da SuperVia, ou seja descarrilada.

Dona Graça percebeu que se não atendesse o CONVITE teria que ir CONVOCADA, já disse a Dona Dilma, “vou imediatamente, não tenho o que esconder”. Dona Dilma não disse nada, mas adorou. (Não vai sair da televisão, com Dona Graça “imprensada e emparedada”). Amizade é isso.

O comportamento de Dona Dilma

Por que age dessa forma? Elementar. Transforma tudo em votos para a reeleição de outubro. Considera que nenhum desses episódios tira votos dela. Ao contrário, acredita que acrescenta. Diante da fragilidade dos “adversários”, é impossível negar: está com a razão.

Dona Marina, “aprendendo” com o parceiro governador

Foi senadora por oito (8) anos, ninguém lembra de um aparte, discurso, projeto apresentado por ela. Ministra do Meio Ambiente, os “verdes” não avançaram milímetros no caminho ou na direção do objetivo, que estava implícito e explícito na identidade do partido. A aliança com Eduardo Campos era tão extravagante, absurda, descaracterizada antes e depois de anunciada, que mesmo os políticos mais notórios, notificados da união, não acreditaram.

Marina-Campos, a dupla quem-quem 

Parecia o Duque de Caxias. Já velho e sem ouvir nada. Soube da composição do novo ministério, de viva voz, por ordem do próprio Imperador. Tinha tanta gente desconhecida, que a cada nome, perguntava: “Quem? Quem?”.

Ficou na História, como o “ministério quem-quem”. Dona Marina e Campos, juntos, a dupla quem-quem, que nem as pesquisas registram. Campos não chega aos dois dígitos. A ex-senadora e ex-Ministra, vem a público falar: “Eu e Campos não vamos compactuar com coisas ruins. Vamos apoiar as coisas boas para o Brasil”.

Dilma e Campos nem precisam cobrar nada. Estão usando o maior lugar comum, pronunciado.

Presidenciável sem presidência

Eduardo Campos abriu a campanha eleitoral, um ano antes de outubro deste 2014, declarando a Dona Dilma, que estava ao seu lado: “Confidencialmente vou lhe dizer, sou candidato ao Planalto em 2014”. Estávamos em 2013.

Era tão ligado a Dona Dilma, servo, submisso e subserviente, que a audácia mas também a intimidade permitiram o pedido: “Isso é sigiloso, fica entre nós dois”. No mesmo dia Dona Dilma revelou (agora se diz, “vazou”) tudo aos órgãos de comunicação. Tinha todo o direito.

De aliado a contestador

O governador de Pernambuco não “acusou o golpe” (que palavra), permaneceu apoiando o governo, ocupando e se aproveitando dos cargos. Acredita que absorveu Dona Marina, rompeu com Dona Dilma. Sem o menor constrangimento, fixou a base do seu oportunismo: “O Brasil precisa do novo”. Precisa mesmo.

Mas dele e dos apaniguados, ex-aliados, saem os maiores retrocessos. Nenhum plano, projeto, promessa de campanha. Campos chama de NOVO: Ele mesmo, Marina, Aécio.  De novo porque disputam a presidência pela primeira vez? Se é que confirmarão a ambição, a obsessão, a obstinação, mesmo ou principalmente sem votos.

Campos repetindo e copiando este repórter

Já tenho dito e repetido várias vezes, com total sinceridade e isenção: “O Brasil não aguenta mais 4 anos do PT e Dona Dilma. Mas o que esperar de suposto governo de Campos, Marina ou Aécio?”.

O governador, sem projeto e sem convicção, repete as três primeiras linhas do meu desalento, mas esconde o também desalento do repórter.

PS - Batista Filho, não vou mentir para você e dezenas de milhares de pessoas. Tenho todas as restrições, suspeições, resistência em acreditar nessa chamada democracia. Mas se nega-la, automaticamente estarei dando “voto de confiança” (nada com o parlamentarismo) à ditadura. Qualquer que seja sua origem.

PS2 – Assim, desculpem, prefiro ficar com Churchill: “A democracia é o pior dos governos. Excetuados naturalmente todos os outros”.

PS3 – Mudando de tom e da duplicidade de escolha, democracia-ditadura, posso citar Mitterrand sem o menor constrangimento. Embora sabendo que ficarei sujeito a “raios e tempestades”, criticas e mais criticas.

PS4 – Mitterrand era Socialista com S maiúsculo. Foi presidente da França, 14 anos seguidos. 1981 a 88, esse 88 a 1995. Quando se preparava para o terceiro mandato certo e garantido, veio o câncer, praticamente invencível.

PS5 – Dizia sempre: “Tenho horror a esses líderes comunistas. Jamais fui a Moscou, eles nunca foram convidados. Vinham aqui, conversavam com o Primeiro Ministro, diplomacia”.

PS6 – E não se cansava de esclarecer: “Jamais falei ou vou falar com um ditador como Stalin”.

PS7 – O povo da União Soviética tinha a mesma opinião. Dezenas de biografias revelam a vida pessoal e pública desse carrasco. Dominou a Revolução desde 1929, quando Lenin estava morto há 5 anos, e Trotsky finalmente expulso.

PS8 – Depois do assassinato de Zinoviev e Kamenev, “perigosos”, lutavam pelo povo. Milhares de outros, não tão ameaçadores, foram mandados para a Sibéria.

PS9 – A partir desse 1929 até 1951, quando morreu, 22 anos de crueldade, Stalin tão desumano e insensível quanto Hitler. Era outro carrasco da sua geração, Hitler também tomou o Poder, como Socialista.

PS10 – Igual a Mussolini, que nunca teve tanto poder e autoridade. Mas invadiu Roma, (em 1922, como dono de um jornal Socialista, “Il Popolo di Roma”). Em 1945, acabou pendurado num varal de secar roupa.

PS11 – Stalin morreu de “morte natural”, embora surgissem rumores e até indícios diferentes. De qualquer maneira, era tão odiado, que destruíram tudo que lembrasse seu nome, sua passagem pela União Soviética. Os monumentos, centenas, totalmente destruídos.

PS12 – Em 1951, eu era diretor da revista Manchete, coloquei Stalin na capa. O profissionalismo jornalístico acima de tudo. Em 1952, Eisenhower se elegeu presidente dos EUA, também ganhou capa.